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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355513
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Oncologia Pediátrica
Uma criança do sexo masculino, afrodescendente, nascida de termo, apresentava antropometria neonatal normal. A triagem neonatal para hipotireoidismo congênito e distúrbios metabólicos hereditários foi negativa. Apresentou icterícia neonatal tratada com fototerapia. Aos 30 meses de vida, dois dias após a ingestão de uma porção de favas, apresentou anemia hemolítica grave, que é, provavelmente, devido à
  1. Aincompatibilidade ABO materno‑fetal.
  2. Besferocitose hereditária.
  3. Cdeficiência de piruvato quinase.
  4. Dtalassemia major.
  5. Edeficiência de G6PD.
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GabaritoE — deficiência de G6PD.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anemia hemolítica por deficiência de G6PD

Gabarito: letra E. A anemia hemolítica grave desencadeada pela ingestão de favas em uma criança afrodescendente é classicamente causada pela deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD), uma enzimopatia ligada ao cromossomo X que predispõe os eritrócitos à hemólise quando expostos a agentes oxidantes, como os compostos presentes nas favas (vicina e convicina). O quadro clínico descrito — criança do sexo masculino, afrodescendente, com episódio hemolítico agudo após ingestão de favas — é o protótipo do favismo, uma manifestação da deficiência de G6PD.

A deficiência de G6PD é a enzimopatia mais comum em humanos, afetando mais de 400 milhões de pessoas em todo o mundo. A enzima G6PD é a primeira da via das pentoses-fosfato, responsável pela produção de NADPH, que por sua vez mantém a glutationa reduzida (GSH) nos eritrócitos. A GSH é o principal antioxidante celular, protegendo a hemoglobina e as proteínas de membrana contra o dano oxidativo. Quando há deficiência de G6PD, a capacidade de regenerar GSH fica comprometida, e a exposição a agentes oxidantes — como medicamentos (primaquina, sulfonamidas, nitrofurantoína), infecções ou alimentos como as favas — leva à precipitação da hemoglobina (corpos de Heinz) e à hemólise intravascular e extravascular.

A herança é recessiva ligada ao X, o que explica a predominância no sexo masculino: homens têm apenas um cromossomo X, portanto, se herdarem o alelo mutante, expressarão a deficiência. Mulheres, por serem heterozigotas na maioria dos casos, geralmente apresentam atividade enzimática intermediária e são menos sintomáticas. A prevalência é maior em populações de origem africana, mediterrânea e asiática, o que se deve à proteção relativa que a deficiência confere contra a malária grave — um exemplo clássico de seleção natural.

O diagnóstico é feito pela dosagem da atividade enzimática da G6PD, que deve ser realizada após a resolução do episódio hemolítico agudo, pois os reticulócitos (células jovens) têm maior atividade enzimática e podem mascarar a deficiência. O tratamento do episódio agudo é de suporte: hidratação, monitorização e, em casos graves, transfusão de hemácias. A prevenção é a medida mais importante: evitar a exposição aos agentes desencadeantes.

A distinção entre as anemias hemolíticas hereditárias é fundamental para a prática clínica. A esferocitose hereditária é uma membranopatia, caracterizada por esferócitos no sangue periférico e aumento da fragilidade osmótica, sem relação com a ingestão de favas. A deficiência de piruvato quinase é uma enzimopatia da via glicolítica, que cursa com hemólise crônica, mas não é desencadeada por favas. A talassemia major é uma hemoglobinopatia que se manifesta precocemente, com anemia grave desde os primeiros meses de vida, e não tem relação com a ingestão de favas. A incompatibilidade ABO materno-fetal causa hemólise no período neonatal, não aos 30 meses de vida.

A pegadinha desta questão está em reconhecer o gatilho alimentar (favas) como a chave diagnóstica. O candidato que conhece a associação clássica entre favismo e deficiência de G6PD acerta a questão; aquele que se prende a outras anemias hemolíticas hereditárias pode se confundir. A banca explora exatamente essa associação, que é um marco na semiologia das anemias hemolíticas.

Guarde a fronteira entre as anemias hemolíticas hereditárias: membranopatias (esferocitose), enzimopatias (G6PD, piruvato quinase) e hemoglobinopatias (talassemia, anemia falciforme). O gatilho alimentar (favas) aponta diretamente para a deficiência de G6PD.

Anemias hemolíticas hereditárias
  • 1Membranopatias
    • Esferocitose hereditária
    • Hemólise crônica exacerbada por infecções
  • 2Enzimopatias
    • Deficiência de G6PD
      • Hemólise aguda por oxidantes (favas, medicamentos)
    • Deficiência de piruvato quinase
      • Hemólise crônica
  • 3Hemoglobinopatias
    • Talassemia major
      • Anemia grave desde os primeiros meses
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A incompatibilidade ABO materno-fetal causa doença hemolítica do recém-nascido, manifestando-se nas primeiras horas ou dias de vida, com icterícia neonatal. No caso descrito, a criança já tem 30 meses de vida, o que exclui essa possibilidade. Além disso, a incompatibilidade ABO não é desencadeada pela ingestão de favas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A esferocitose hereditária é uma membranopatia autossômica dominante, caracterizada por anemia hemolítica, esplenomegalia e esferócitos no sangue periférico. Embora cause anemia hemolítica, não é desencadeada pela ingestão de favas. A hemólise na esferocitose é crônica e exacerbada por infecções, mas não por alimentos específicos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A deficiência de piruvato quinase é uma enzimopatia da via glicolítica, de herança autossômica recessiva, que causa anemia hemolítica crônica. Não há associação com a ingestão de favas. O favismo é uma manifestação específica da deficiência de G6PD, não da deficiência de piruvato quinase.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A talassemia major é uma hemoglobinopatia grave, de herança autossômica recessiva, que se manifesta nos primeiros meses de vida com anemia grave, hepatoesplenomegalia e alterações ósseas. Não é desencadeada pela ingestão de favas. O quadro descrito, com desenvolvimento normal até os 30 meses, não é compatível com talassemia major.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A deficiência de G6PD é a causa clássica de anemia hemolítica aguda desencadeada pela ingestão de favas (favismo). A criança do sexo masculino, afrodescendente, com episódio hemolítico grave após ingestão de favas, é o quadro clássico. A herança recessiva ligada ao X explica a predominância em homens, e a prevalência em afrodescendentes é bem documentada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece outras anemias hemolíticas hereditárias (esferocitose, piruvato quinase, talassemia) para confundir, mas o gatilho alimentar (favas) é a pista decisiva. O candidato que conhece a associação favismo-G6PD acerta; quem se prende a outras causas pode errar. Com treino, você reconhece esses gatilhos clássicos de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as anemias hemolíticas hereditárias, lembre-se do gatilho: membranopatias (esferocitose) → hemólise crônica exacerbada por infecções; enzimopatias (G6PD) → hemólise aguda desencadeada por oxidantes (favas, medicamentos, infecções); hemoglobinopatias (talassemia) → hemólise crônica desde a infância. O favismo é patognomônico da deficiência de G6PD.

Gabarito: letra E.

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