A anomalia de Pelger‑Huët é uma alteração autossômica dominante, que envolve a diferenciação terminal de leucócitos. Em relação a ela, assinale a alternativa correta.
AEstudos citogenéticos revelaram que a alteração está associada a um defeito no braço curto do cromossomo 5 (5p‑).
BEm heterozigotos, observam‑se neutrófilos com cromatina mais densa, núcleos em forma de bastão, de halteres, bilobuladas, pince‑nez e poucas formas com três lóbulos.
CAlém das alterações nucleares, as atividades enzimáticas e fagocíticas dos neutrófilos são comprometidas.
DA forma adquirida (pseudo‑anomalia de Pelger‑Huët) pode ser, ocasionalmente, observada em casos de doenças linfoproliferativas e infecções.
EA presença dos achados morfológicos característicos em membros da família é fundamental para estabelecer a origem hereditária da anomalia de Pelger‑Huët em função do risco infeccioso.
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GabaritoB — Em heterozigotos, observam‑se neutrófilos com cromatina mais densa, núcleos em forma de bastão, de halteres, bilobuladas, pince‑nez e poucas formas com três lóbulos.
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Anomalia de Pelger-Huët: Morfologia, Genética e Diagnóstico Diferencial
Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve com precisão a morfologia nuclear dos neutrófilos em heterozigotos para a anomalia de Pelger-Huët: cromatina mais densa, núcleos em bastão, bilobulados, em forma de halteres e pince-nez, com poucas formas de três lóbulos. Essa é a apresentação clássica da forma hereditária benigna, que não compromete a função leucocitária.
A anomalia de Pelger-Huët é uma condição genética autossômica dominante que afeta a segmentação nuclear dos neutrófilos (e também de eosinófilos e basófilos). O defeito molecular reside no gene que codifica a proteína lamina B receptor (LBR), localizado no cromossomo 1, e não no cromossomo 5. A proteína LBR é essencial para a formação adequada dos lobos nucleares durante a maturação granulocítica. Quando há mutação nesse gene, os neutrófilos apresentam hipossegmentação nuclear, resultando em núcleos com dois lobos (bilobulados), em forma de pince-nez (óculos), bastão ou halteres, com cromatina mais condensada.
Em heterozigotos, a condição é geralmente benigna e assintomática, sem comprometimento funcional dos neutrófilos. As atividades fagocíticas, quimiotáticas e bactericidas permanecem normais. Já em homozigotos, a hipossegmentação é mais acentuada (núcleos arredondados ou em bastão), mas mesmo assim a função leucocitária costuma estar preservada. A forma adquirida, denominada pseudo-anomalia de Pelger-Huët, pode ocorrer em diversas condições clínicas, como síndromes mielodisplásicas, leucemia mieloide aguda, infecções graves e após uso de certos medicamentos. Nesses casos, a morfologia é semelhante, mas não há base genética.
O diagnóstico diferencial entre a forma hereditária e a adquirida é fundamental. Na forma hereditária, a história familiar positiva e a ausência de doença de base são os principais indicativos. A presença dos achados morfológicos em membros da família confirma a origem genética, mas não está relacionada a risco infeccioso, pois a função neutrofílica é normal. Na forma adquirida, o tratamento da condição subjacente geralmente reverte a alteração morfológica.
A banca explora a confusão entre a anomalia de Pelger-Huët e outras alterações genéticas ou adquiridas. É essencial distinguir a forma hereditária (benigna, sem comprometimento funcional) da adquirida (associada a doenças como SMD e leucemias). Além disso, o gene envolvido é o LBR no cromossomo 1, não o cromossomo 5, que está relacionado à SMD com deleção 5q. A função leucocitária está preservada na forma hereditária, ao contrário do que afirma uma das alternativas.
Hipossegmentação (núcleos em bastão, bilobulados, pince-nez)
Semelhante à hereditária
História familiar
Frequentemente positiva
Geralmente negativa
Tratamento
Nenhum (condição benigna)
Tratar a doença de base (reverte a alteração)
Anomalia de Pelger-Huët
1Hereditária (autossômica dominante)
Gene LBR (cromossomo 1)
Heterozigoto: benigna, função preservada
Homozigoto: hipossegmentação acentuada
2Adquirida (pseudo-anomalia)
SMD e LMA
Infecções graves
Medicamentos
3Morfologia nuclear
Cromatina densa
Núcleo em bastão, halteres, pince-nez
Bilobulado, poucos trilobulados
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a anomalia está associada a um defeito no braço curto do cromossomo 5 (5p-). Isso está incorreto. A anomalia de Pelger-Huët hereditária é causada por mutações no gene LBR, localizado no cromossomo 1 (1q42.1). A deleção do braço curto do cromossomo 5 (5p-) está associada à síndrome mielodisplásica com deleção 5q, que pode apresentar pseudo-anomalia de Pelger-Huët como manifestação, mas não é a causa da forma hereditária. A banca troca o cromossomo envolvido na forma genética pelo cromossomo associado a uma doença adquirida.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente a morfologia dos neutrófilos em heterozigotos para a anomalia de Pelger-Huët. Os neutrófilos apresentam cromatina mais densa, núcleos em forma de bastão, halteres, bilobulados e pince-nez, com poucas formas de três lóbulos. Essa é a apresentação clássica da forma heterozigota, que é benigna e não compromete a função leucocitária. A descrição morfológica está em conformidade com a literatura hematológica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as atividades enzimáticas e fagocíticas dos neutrófilos são comprometidas. Isso está incorreto. Na forma hereditária da anomalia de Pelger-Huët, a função leucocitária é normal. Os neutrófilos apresentam capacidade fagocítica, quimiotática e bactericida preservadas. O comprometimento funcional não é uma característica da forma hereditária, mas pode ocorrer em algumas condições adquiridas que cursam com pseudo-anomalia, como na síndrome mielodisplásica, onde a displasia pode afetar a função. A banca generaliza o comprometimento funcional para a forma hereditária, o que é incorreto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a forma adquirida (pseudo-anomalia de Pelger-Huët) pode ser observada em casos de doenças linfoproliferativas e infecções. Embora a pseudo-anomalia seja mais comumente associada a síndromes mielodisplásicas e leucemia mieloide aguda, ela também pode ocorrer em infecções graves e, ocasionalmente, em doenças linfoproliferativas. No entanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que pode ser "ocasionalmente" observada em doenças linfoproliferativas, pois essa associação é rara e não é a principal causa. A pseudo-anomalia é mais frequente em doenças mieloides, não linfoides. A banca troca o contexto principal da pseudo-anomalia, que são as doenças mieloides, pelas linfoproliferativas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a presença dos achados morfológicos em membros da família é fundamental para estabelecer a origem hereditária da anomalia em função do risco infeccioso. Isso está incorreto. Embora a história familiar seja importante para confirmar a origem hereditária, a razão não é o risco infeccioso. Na forma hereditária, a função leucocitária é normal e não há risco infeccioso aumentado. O risco infeccioso está associado a outras condições, como a neutropenia congênita grave. A banca associa erroneamente a anomalia de Pelger-Huët a um risco infeccioso, o que não é verdadeiro.