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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355515
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Oncologia Pediátrica
A anomalia de Pelger‑Huët é uma alteração autossômica dominante, que envolve a diferenciação terminal de leucócitos. Em relação a ela, assinale a alternativa correta.
  1. AEstudos citogenéticos revelaram que a alteração está associada a um defeito no braço curto do cromossomo 5 (5p‑).
  2. BEm heterozigotos, observam‑se neutrófilos com cromatina mais densa, núcleos em forma de bastão, de halteres, bilobuladas, pince‑nez e poucas formas com três lóbulos.
  3. CAlém das alterações nucleares, as atividades enzimáticas e fagocíticas dos neutrófilos são comprometidas.
  4. DA forma adquirida (pseudo‑anomalia de Pelger‑Huët) pode ser, ocasionalmente, observada em casos de doenças linfoproliferativas e infecções.
  5. EA presença dos achados morfológicos característicos em membros da família é fundamental para estabelecer a origem hereditária da anomalia de Pelger‑Huët em função do risco infeccioso.
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GabaritoB — Em heterozigotos, observam‑se neutrófilos com cromatina mais densa, núcleos em forma de bastão, de halteres, bilobuladas, pince‑nez e poucas formas com três lóbulos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anomalia de Pelger-Huët: Morfologia, Genética e Diagnóstico Diferencial

Gabarito: letra B. A alternativa correta descreve com precisão a morfologia nuclear dos neutrófilos em heterozigotos para a anomalia de Pelger-Huët: cromatina mais densa, núcleos em bastão, bilobulados, em forma de halteres e pince-nez, com poucas formas de três lóbulos. Essa é a apresentação clássica da forma hereditária benigna, que não compromete a função leucocitária.

A anomalia de Pelger-Huët é uma condição genética autossômica dominante que afeta a segmentação nuclear dos neutrófilos (e também de eosinófilos e basófilos). O defeito molecular reside no gene que codifica a proteína lamina B receptor (LBR), localizado no cromossomo 1, e não no cromossomo 5. A proteína LBR é essencial para a formação adequada dos lobos nucleares durante a maturação granulocítica. Quando há mutação nesse gene, os neutrófilos apresentam hipossegmentação nuclear, resultando em núcleos com dois lobos (bilobulados), em forma de pince-nez (óculos), bastão ou halteres, com cromatina mais condensada.

Em heterozigotos, a condição é geralmente benigna e assintomática, sem comprometimento funcional dos neutrófilos. As atividades fagocíticas, quimiotáticas e bactericidas permanecem normais. Já em homozigotos, a hipossegmentação é mais acentuada (núcleos arredondados ou em bastão), mas mesmo assim a função leucocitária costuma estar preservada. A forma adquirida, denominada pseudo-anomalia de Pelger-Huët, pode ocorrer em diversas condições clínicas, como síndromes mielodisplásicas, leucemia mieloide aguda, infecções graves e após uso de certos medicamentos. Nesses casos, a morfologia é semelhante, mas não há base genética.

O diagnóstico diferencial entre a forma hereditária e a adquirida é fundamental. Na forma hereditária, a história familiar positiva e a ausência de doença de base são os principais indicativos. A presença dos achados morfológicos em membros da família confirma a origem genética, mas não está relacionada a risco infeccioso, pois a função neutrofílica é normal. Na forma adquirida, o tratamento da condição subjacente geralmente reverte a alteração morfológica.

A banca explora a confusão entre a anomalia de Pelger-Huët e outras alterações genéticas ou adquiridas. É essencial distinguir a forma hereditária (benigna, sem comprometimento funcional) da adquirida (associada a doenças como SMD e leucemias). Além disso, o gene envolvido é o LBR no cromossomo 1, não o cromossomo 5, que está relacionado à SMD com deleção 5q. A função leucocitária está preservada na forma hereditária, ao contrário do que afirma uma das alternativas.

Característica

Forma Hereditária (Pelger-Huët)

Forma Adquirida (Pseudo-Pelger-Huët)

Causa

Mutação no gene LBR (cromossomo 1)

Doenças mieloides (SMD, LMA), infecções graves, medicamentos

Função leucocitária

Normal (sem risco infeccioso)

Pode estar comprometida (displasia)

Morfologia nuclear

Hipossegmentação (núcleos em bastão, bilobulados, pince-nez)

Semelhante à hereditária

História familiar

Frequentemente positiva

Geralmente negativa

Tratamento

Nenhum (condição benigna)

Tratar a doença de base (reverte a alteração)

Anomalia de Pelger-Huët
  • 1Hereditária (autossômica dominante)
    • Gene LBR (cromossomo 1)
    • Heterozigoto: benigna, função preservada
    • Homozigoto: hipossegmentação acentuada
  • 2Adquirida (pseudo-anomalia)
    • SMD e LMA
    • Infecções graves
    • Medicamentos
  • 3Morfologia nuclear
    • Cromatina densa
    • Núcleo em bastão, halteres, pince-nez
    • Bilobulado, poucos trilobulados
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a anomalia está associada a um defeito no braço curto do cromossomo 5 (5p-). Isso está incorreto. A anomalia de Pelger-Huët hereditária é causada por mutações no gene LBR, localizado no cromossomo 1 (1q42.1). A deleção do braço curto do cromossomo 5 (5p-) está associada à síndrome mielodisplásica com deleção 5q, que pode apresentar pseudo-anomalia de Pelger-Huët como manifestação, mas não é a causa da forma hereditária. A banca troca o cromossomo envolvido na forma genética pelo cromossomo associado a uma doença adquirida.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente a morfologia dos neutrófilos em heterozigotos para a anomalia de Pelger-Huët. Os neutrófilos apresentam cromatina mais densa, núcleos em forma de bastão, halteres, bilobulados e pince-nez, com poucas formas de três lóbulos. Essa é a apresentação clássica da forma heterozigota, que é benigna e não compromete a função leucocitária. A descrição morfológica está em conformidade com a literatura hematológica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as atividades enzimáticas e fagocíticas dos neutrófilos são comprometidas. Isso está incorreto. Na forma hereditária da anomalia de Pelger-Huët, a função leucocitária é normal. Os neutrófilos apresentam capacidade fagocítica, quimiotática e bactericida preservadas. O comprometimento funcional não é uma característica da forma hereditária, mas pode ocorrer em algumas condições adquiridas que cursam com pseudo-anomalia, como na síndrome mielodisplásica, onde a displasia pode afetar a função. A banca generaliza o comprometimento funcional para a forma hereditária, o que é incorreto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a forma adquirida (pseudo-anomalia de Pelger-Huët) pode ser observada em casos de doenças linfoproliferativas e infecções. Embora a pseudo-anomalia seja mais comumente associada a síndromes mielodisplásicas e leucemia mieloide aguda, ela também pode ocorrer em infecções graves e, ocasionalmente, em doenças linfoproliferativas. No entanto, a alternativa está incorreta ao afirmar que pode ser "ocasionalmente" observada em doenças linfoproliferativas, pois essa associação é rara e não é a principal causa. A pseudo-anomalia é mais frequente em doenças mieloides, não linfoides. A banca troca o contexto principal da pseudo-anomalia, que são as doenças mieloides, pelas linfoproliferativas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a presença dos achados morfológicos em membros da família é fundamental para estabelecer a origem hereditária da anomalia em função do risco infeccioso. Isso está incorreto. Embora a história familiar seja importante para confirmar a origem hereditária, a razão não é o risco infeccioso. Na forma hereditária, a função leucocitária é normal e não há risco infeccioso aumentado. O risco infeccioso está associado a outras condições, como a neutropenia congênita grave. A banca associa erroneamente a anomalia de Pelger-Huët a um risco infeccioso, o que não é verdadeiro.

Gabarito: letra B

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