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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355516
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Oncologia Pediátrica
A policitemia vera (PV) é uma neoplasia mieloproliferativa com mutação JAK2 caracterizada por eritrocitose clonal. Em relação a ela, é correto afirmar que
  1. Ao diagnóstico é considerado na presença de uma mutação JAK2 associada a níveis de hemoglobina/hematócrito de > 18.5 g/dL/55% em homens, ou 16 g/dL/48% em mulheres.
  2. Bo cariótipo anormal é observado em 15% a 20% dos pacientes, sendo as anormalidades mais frequentes: t(9::22); e perda do cromossomo Y, +8.
  3. CMais de 50% dos pacientes abrigam variantes/mutações de sequência de DNA diferentes de JAK2, sendo as mais frequentes: FLT3 (18%); e NPM1(15%).
  4. DAs mutações prognósticas adversas incluem SRSF2, IDH2, RUNX1 e U2AF1, com uma incidência combinada de 5% a 10%.
  5. EA maioria dos pacientes com PV apresentam esplenomegalia, sintomas constitucionais e história de trombose arterial – ou venosa – ou hemorragia.
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GabaritoD — As mutações prognósticas adversas incluem SRSF2, IDH2, RUNX1 e U2AF1, com uma incidência combinada de 5% a 10%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Policitemia vera: genética e apresentação clínica

Gabarito: letra D. As mutações prognósticas adversas na policitemia vera (PV) incluem SRSF2, IDH2, RUNX1 e U2AF1, com incidência combinada de 5% a 10% — exatamente o que afirma a alternativa. As demais opções distorcem critérios diagnósticos, citogenética, frequência de mutações e quadro clínico da doença.

A policitemia vera é uma neoplasia mieloproliferativa (NMP) crônica, clonal, das células-tronco hematopoéticas multipotentes, caracterizada por eritrocitose predominante — aumento da massa eritrocitária — frequentemente acompanhada de leucocitose e trombocitose. A base molecular da doença é a mutação JAK2 V617F, presente em mais de 95% dos casos: uma substituição pontual de guanina por timina no éxon 14 do gene JAK2, que leva à troca de valina por fenilalanina na posição 617 da proteína, tornando a quinase constitutivamente ativa. Essa ativação contínua da via de sinalização JAK-STAT confere vantagem proliferativa às células hematopoéticas, independentemente dos níveis de eritropoetina (EPO).

O diagnóstico da PV segue critérios da OMS, que combinam parâmetros laboratoriais (hemoglobina/hematócrito elevados), achados de medula óssea (panmielose com proliferação de linhagens eritroide, granulocítica e megacariocítica) e a presença de marcadores clonais, sendo o JAK2 V617F o principal. A dosagem de EPO sérica baixa é um achado relativamente específico, pois na PV a eritropoese é autônoma, não dependente do estímulo hormonal. A distinção entre PV e eritrocitose secundária é crucial: nesta última, a EPO está elevada ou inapropriadamente normal, refletindo uma resposta fisiológica a hipóxia ou produção tumoral ectópica.

Clinicamente, a PV se manifesta por pletora (vermelhidão facial), cefaleia, prurido após banho, sintomas visuais e, sobretudo, risco aumentado de eventos trombóticos arteriais e venosos — AVE, AIT, isquemia miocárdica, trombose venosa profunda, hepática e de veia porta. Paradoxalmente, também há predisposição a hemorragias, por disfunção plaquetária. A esplenomegalia é um achado comum, mas não universal, e sintomas constitucionais podem estar presentes, embora muitos pacientes sejam assintomáticos ao diagnóstico.

A evolução clonal da PV pode levar à aquisição de mutações adicionais que conferem pior prognóstico e risco de transformação para mielofibrose ou leucemia aguda. Entre essas mutações de significado prognóstico adverso, destacam-se SRSF2, IDH2, RUNX1 e U2AF1, que aparecem em uma minoria dos pacientes — incidência combinada de 5% a 10%. A identificação dessas alterações é relevante para estratificação de risco e decisão terapêutica, especialmente em pacientes mais jovens ou com doença avançada.

A banca explora aqui o conhecimento específico da genética molecular da PV e sua correlação prognóstica. A alternativa correta exige distinguir as mutações que realmente têm impacto prognóstico adverso na PV daquelas que pertencem a outras neoplasias hematológicas ou que não se aplicam à doença. Guarde este critério: na PV, a mutação JAK2 V617F é a alteração central e está presente na grande maioria dos casos; as demais mutações (SRSF2, IDH2, RUNX1, U2AF1) são eventos secundários, menos frequentes, mas com valor prognóstico adverso.

Característica

Policitemia Vera (PV)

Leucemia Mieloide Crônica (LMC)

Leucemia Mieloide Aguda (LMA)

Mutação/marcador central

JAK2 V617F (>95%)

t(9;22) – cromossomo Philadelphia

FLT3, NPM1

Mutações prognósticas adversas

SRSF2, IDH2, RUNX1, U2AF1 (5–10%)

Apresentação clínica típica

Pletora, prurido, risco trombótico; esplenomegalia variável

Esplenomegalia, sintomas constitucionais

Sintomas de insuficiência medular (anemia, infecções, sangramentos)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os valores de hemoglobina/hematócrito citados (Hb > 18,5 g/dL / Ht > 55% em homens; Hb > 16 g/dL / Ht > 48% em mulheres) não correspondem aos critérios diagnósticos da PV. Os limiares estabelecidos pela OMS são: hemoglobina > 16,5 g/dL em mulheres e > 18,5 g/dL em homens, ou hematócrito > 48% em mulheres e > 52% em homens (ou aumento documentado e sustentado de Hb ≥ 2 g/dL acima do basal). A alternativa superestima os valores de hematócrito e subestima os de hemoglobina feminina, criando um critério que não é o utilizado na prática clínica. Além disso, o diagnóstico de PV não se baseia apenas em hemoglobina/hematócrito + JAK2; exige também exclusão de causas secundárias e, conforme os critérios da OMS, pode incluir achados de medula óssea.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O cariótipo anormal é observado em cerca de 15% a 20% dos pacientes com PV, mas as anormalidades citadas estão incorretas. A translocação t(9;22) — cromossomo Philadelphia — é a marca da leucemia mieloide crônica (LMC), não da PV. Na PV, as alterações citogenéticas mais frequentes incluem trissomia do 8 (+8), trissomia do 9 (+9), deleção do 20q (del(20q)) e perda do cromossomo Y (-Y), entre outras. A alternativa mistura a citogenética da LMC com a da PV, um erro clássico de associação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que mais de 50% dos pacientes abrigam mutações diferentes de JAK2 é falsa. Na PV, a mutação JAK2 V617F está presente em mais de 95% dos casos; uma pequena parcela (< 5%) apresenta mutações no éxon 12 do JAK2. As mutações FLT3 e NPM1 citadas são características da leucemia mieloide aguda (LMA), não da PV. A alternativa inverte completamente o panorama genético: em vez de JAK2 ser a mutação dominante, ela a coloca como minoria, e atribui à PV mutações típicas de outra neoplasia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta. As mutações SRSF2, IDH2, RUNX1 e U2AF1 são reconhecidas como de prognóstico adverso na policitemia vera, com incidência combinada de 5% a 10%. Essas mutações, quando presentes, estão associadas a maior risco de transformação para mielofibrose ou leucemia aguda e a pior sobrevida. A banca cobra aqui um dado específico e atualizado da literatura hematológica, que vai além do conhecimento básico da mutação JAK2.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A maioria dos pacientes com PV não apresenta esplenomegalia, sintomas constitucionais e história de trombose ou hemorragia ao diagnóstico. Embora a esplenomegalia seja um achado comum, muitos pacientes são assintomáticos ou oligossintomáticos, e a tríade completa descrita é mais característica de doença avançada ou de outras NMPs, como a mielofibrose primária. A alternativa generaliza uma apresentação clínica que não corresponde ao perfil típico da maioria dos pacientes com PV.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura características de outras neoplasias mieloproliferativas e leucemias para confundir: a t(9;22) é da LMC, as mutações FLT3/NPM1 são da LMA, e a tríade esplenomegalia + sintomas constitucionais + trombose/hemorragia é mais típica da mielofibrose. Na PV, o marcador central é o JAK2 V617F (> 95%), e as mutações prognósticas adversas (SRSF2, IDH2, RUNX1, U2AF1) ocorrem em minoria. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de PV, memorize o tripé: (1) JAK2 V617F presente em > 95%; (2) critérios diagnósticos de Hb/Ht (16,5/18,5 g/dL e 48/52%); (3) mutações prognósticas adversas (SRSF2, IDH2, RUNX1, U2AF1) em 5-10%. Compare com a LMC (t(9;22)) e com a LMA (FLT3, NPM1) para não cair nas pegadinhas de associação.

Gabarito: letra D

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