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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355517
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Oncologia Pediátrica
Desleucocitação é um procedimento realizado através de filtros específicos para a remoção de leucócitos de um componente sanguíneo celular. A partir dessa informação, assinale a alternativa que apresenta o contexto para esse procedimento.
  1. Aanemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes
  2. Bpaciente HIV positivo com sorologia positiva para CMV
  3. Crecém‑nascidos de mães CMV positivas
  4. Dsíndrome da aglutinina fria
  5. Ecandidatos a transplante de medula óssea
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GabaritoE — candidatos a transplante de medula óssea

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Desleucocitação de Hemocomponentes

Gabarito: letra E. A desleucocitação é indicada para candidatos a transplante de medula óssea, pois a remoção de leucócitos do doador previne complicações transfusionais, como reações febris e transmissão de citomegalovírus (CMV), especialmente em imunossuprimidos. As demais alternativas apresentam situações em que a desleucocitação não é a conduta padrão, sendo algumas até contraindicações relativas.

A desleucocitação é um procedimento de processamento de hemocomponentes que utiliza filtros específicos para remover leucócitos de concentrados de hemácias e plaquetas. O objetivo é reduzir a exposição do receptor aos leucócitos do doador, que podem causar reações transfusionais e transmitir agentes infecciosos intracelulares, como o CMV. A redução é de cerca de 99% dos leucócitos do produto inicial.

As indicações clássicas para a desleucocitação incluem: hemoglobinopatias, anemias hemolíticas hereditárias, história de duas reações febris não hemolíticas, síndromes de imunodeficiências congênitas, transplante de medula óssea, anemia aplástica, leucemia mieloide aguda, doenças onco-hematológicas graves até esclarecimento diagnóstico e prevenção de infecção por CMV em situações específicas.

A prevenção de CMV é um dos principais motivos para a desleucocitação, pois o vírus permanece latente nos leucócitos. As situações em que a desleucocitação é indicada para prevenção de CMV incluem: paciente HIV positivo com sorologia negativa para CMV, candidato a transplante de órgãos e medula óssea se doador e receptor forem negativos para CMV, transfusão intrauterina, gestantes com sorologia não reativa ou desconhecida para CMV e recém-nascidos prematuros e de baixo peso (1.200 g) de mães CMV negativas ou com sorologia desconhecida.

É importante distinguir a desleucocitação da irradiação de hemocomponentes. A irradiação é realizada para prevenir a doença do enxerto versus hospedeiro associada à transfusão (DECH-AT), uma complicação imunológica causada pela proliferação de linfócitos do doador em receptores suscetíveis. A irradiação é indicada em situações como transfusão intrauterina, imunodeficiências congênitas graves, pós-transplante de medula óssea, entre outras. A desleucocitação, por sua vez, não previne a DECH-AT, pois remove leucócitos, mas não inativa os linfócitos residuais.

A banca explora a confusão entre as indicações de desleucocitação e irradiação, além de testar o conhecimento das situações específicas de prevenção de CMV. O candidato deve memorizar as indicações de cada procedimento e as condições exatas em que a desleucocitação é recomendada para prevenção de CMV.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes não é indicação de desleucocitação. O tratamento dessa condição envolve corticosteroides, imunossupressores e, em casos graves, esplenectomia ou rituximabe. A desleucocitação não tem papel no manejo dessa doença, pois o problema é a destruição das hemácias por autoanticorpos, não a presença de leucócitos do doador.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A desleucocitação é indicada para paciente HIV positivo com sorologia negativa para CMV, não para paciente HIV positivo com sorologia positiva para CMV. A lógica é prevenir a infecção primária por CMV em um paciente imunossuprimido que ainda não foi exposto ao vírus. Se o paciente já é soropositivo para CMV, a desleucocitação não é necessária para essa finalidade, pois ele já possui anticorpos contra o vírus.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A desleucocitação é indicada para recém-nascidos prematuros e de baixo peso (1.200 g) de mães CMV negativas ou com sorologia desconhecida, não para recém-nascidos de mães CMV positivas. A lógica é proteger o recém-nascido de uma infecção primária por CMV, que seria mais grave em um prematuro. Se a mãe é CMV positiva, o recém-nascido já recebeu anticorpos maternos, e a desleucocitação não é a conduta padrão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome da aglutinina fria não é indicação de desleucocitação. Essa condição é uma anemia hemolítica autoimune mediada por anticorpos que reagem a baixas temperaturas. O manejo envolve evitar o frio, tratar a doença de base e, em casos graves, usar rituximabe. A desleucocitação não tem papel nessa doença.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Candidatos a transplante de medula óssea são uma indicação clássica de desleucocitação. O procedimento é realizado para prevenir a transmissão de CMV e reduzir o risco de reações transfusionais em pacientes imunossuprimidos. A desleucocitação é especialmente importante quando o doador e o receptor são negativos para CMV, pois a transfusão de hemocomponentes com leucócitos poderia introduzir o vírus no receptor.

Gabarito: letra E

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