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Questão de Medicina — Oncologia — Quadrix 2024

MedicinaOncologia
Código
qg355522
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Oncologia Pediátrica
Um homem de 65 anos de idade apresentava diagnóstico de adenocarcinoma de cólon direito metastático desde o diagnóstico, com metástase peritoneal e pequenos nódulos hepáticos suspeitos. O paciente foi tratado com esquema FOLFOX (oxaliplatina, leucovorin e 5‑fluorouracil) e bevacizumabe, com boa resposta inicial, mas evoluiu com neuropatia periférica significativa, que levou à suspensão da oxaliplatina, mantendo apenas 5‑fluorouracil, leucovorin e bevacizumabe. Nos últimos meses, o paciente começou a apresentar ascite volumosa e desconforto abdominal progressivo, além de dispneia leve. A tomografia revelou ascite importante e espessamento peritoneal, sem sinais de hipertensão portal ou disfunção hepática. Ele realizou paracentese diagnóstica prévia com GASA (gradiente de albumina soro‑ascite) menor que 1,1 e citologia oncótica positiva para células neoplásicas. O paciente apresentava albumina sérica de 3,5 g/dL e função hepática preservada. A equipe optou por realizar uma nova paracentese, devido ao desconforto contínuo e significativo do paciente.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
  1. ARealizar paracentese de alívio e basear‑se na melhora dos sintomas do paciente para determinar o volume a ser retirado. Atentar que, em caso de retirada de mais de 5 litros, é mandatório realizar reposição de albumina 6 g a 8 g a cada litro que exceder o valor de 5 litros.
  2. BRealizar paracentese de alívio e basear‑se na melhora dos sintomas do paciente para determinar o volume a ser retirado. Atentar que, em caso de retirada de mais de 5 litros, é mandatório realizar reposição de albumina 6 g a 8 g por litro do total retirado.
  3. CO paciente está com ascite de causa neoplásica, sem evidência de hipertensão portal, de modo que a reposição de albumina não se faz necessária. Deve‑se, apenas, atentar‑se ao limite máximo de 4 litros em cada paracentese.
  4. DPaciente com ascite neoplásica, sem evidência de hipertensão portal. Realizar paracentese com retirada de volume conforme a tolerância do paciente, sem reposição de albumina obrigatória, monitorando sinais vitais e tolerância clínica.
  5. EA piora da ascite não deve ser manejada com paracentese, visto que a piora está relacionada com a progressão da doença de base. Nesse momento, devem ser otimizados diuréticos e medidas para dispneia, como morfina endovenosa.
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GabaritoD — Paciente com ascite neoplásica, sem evidência de hipertensão portal. Realizar paracentese com retirada de volume conforme a tolerância do paciente, sem reposição de albumina obrigatória, monitorando sinais vitais e tolerância clínica.

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Ascite neoplásica e paracentese de alívio

Gabarito: letra D. Em ascite neoplásica, sem hipertensão portal (GASA < 1,1), a reposição de albumina não é obrigatória, e a paracentese de alívio deve ser guiada pela tolerância clínica do paciente, monitorando sinais vitais. A conduta correta é retirar volume conforme a tolerância, sem reposição obrigatória de albumina, pois esta é indicada principalmente na ascite por hipertensão portal (cirrótica), quando há risco de disfunção circulatória pós-paracentese.

A ascite é o acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal. Sua fisiopatologia divide-se em dois grandes grupos: a ascite por hipertensão portal (mais comum, associada à cirrose) e a ascite não relacionada à hipertensão portal, como a ascite neoplásica (carcinomatose peritoneal), a ascite pancreática, a ascite quilosa e a ascite por insuficiência cardíaca. A distinção entre esses grupos é feita pelo gradiente de albumina soro-ascite (GASA), que calcula a diferença entre a albumina sérica e a albumina do líquido ascítico. Um GASA ≥ 1,1 g/dL indica hipertensão portal (ascite transudativa), enquanto um GASA < 1,1 g/dL indica ascite não relacionada à hipertensão portal (ascite exsudativa), como na carcinomatose peritoneal. No caso apresentado, o paciente tem GASA < 1,1 e citologia oncótica positiva, confirmando ascite neoplásica por carcinomatose peritoneal, sem evidência de hipertensão portal.

A paracentese de alívio é o procedimento de escolha para o manejo sintomático da ascite volumosa e tensa, independentemente da causa. O volume a ser retirado deve ser guiado pela melhora dos sintomas e pela tolerância clínica do paciente, monitorando-se sinais vitais (frequência cardíaca, pressão arterial) e o surgimento de sinais de instabilidade hemodinâmica. Não há um limite máximo absoluto de volume a ser retirado em uma única paracentese; o que existe é a necessidade de reposição de albumina em situações específicas. A reposição de albumina (6 a 8 g por litro retirado) é recomendada para prevenir a disfunção circulatória pós-paracentese (DCPP), uma complicação caracterizada por hipotensão, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e risco de lesão renal aguda. Essa complicação ocorre principalmente em pacientes com ascite por hipertensão portal (cirróticos), especialmente quando se retiram grandes volumes (> 5 litros). Em pacientes com ascite neoplásica, sem hipertensão portal, o risco de DCPP é menor, e a reposição de albumina não é rotineiramente recomendada, pois o mecanismo fisiopatológico é diferente (a ascite é exsudativa, por produção tumoral de líquido, e não por extravasamento por pressão hidrostática sinusoidal).

Na prática, para o paciente do caso, a conduta correta é realizar a paracentese de alívio, retirando o volume necessário para aliviar o desconforto, monitorando a tolerância clínica e os sinais vitais, sem a obrigatoriedade de reposição de albumina. A alternativa D reflete exatamente essa conduta. As alternativas A e B erram ao afirmar que a reposição de albumina é mandatória em retiradas > 5 litros, o que não se aplica à ascite neoplásica sem hipertensão portal. A alternativa C erra ao impor um limite máximo de 4 litros por paracentese, que não existe na prática clínica. A alternativa E erra ao contraindicar a paracentese, que é o tratamento sintomático de escolha para ascite volumosa, mesmo em contexto de doença avançada.

A pegadinha central desta questão é a aplicação automática da regra de reposição de albumina, que é válida para ascite cirrótica (hipertensão portal), mas não para ascite neoplásica. O candidato que memoriza a regra "repor albumina se > 5 litros" sem considerar a etiologia da ascite cai nas alternativas A ou B. A distinção crucial é o GASA: ≥ 1,1 indica hipertensão portal (repor albumina), < 1,1 indica outra causa (não repor rotineiramente).

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que, em retirada > 5 litros, é mandatório repor albumina 6-8 g por litro que exceder 5 litros. Essa regra se aplica à ascite por hipertensão portal (cirrótica), não à ascite neoplásica sem hipertensão portal. No caso, o GASA < 1,1 exclui hipertensão portal, e a reposição de albumina não é obrigatória. Além disso, a fórmula "por litro que exceder 5" está incorreta; a reposição, quando indicada, é calculada sobre o volume total retirado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que, em retirada > 5 litros, é mandatório repor albumina 6-8 g por litro do total retirado. Embora a fórmula "por litro do total" esteja correta quando a reposição é indicada, a obrigatoriedade não se aplica à ascite neoplásica sem hipertensão portal. A regra de reposição de albumina é específica para ascite por hipertensão portal, visando prevenir a disfunção circulatória pós-paracentese, risco que é menor na ascite neoplásica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que há um limite máximo de 4 litros em cada paracentese. Não existe esse limite na prática clínica; o volume a ser retirado é guiado pela tolerância clínica e melhora dos sintomas. A alternativa acerta ao dizer que a reposição de albumina não é necessária na ascite neoplásica sem hipertensão portal, mas o limite de 4 litros é um distrator sem fundamento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta ao afirmar que, em ascite neoplásica sem hipertensão portal, deve-se realizar paracentese com retirada de volume conforme a tolerância do paciente, sem reposição obrigatória de albumina, monitorando sinais vitais e tolerância clínica. Essa é a conduta recomendada: a paracentese de alívio é o tratamento sintomático de escolha, e a reposição de albumina não é rotineira na ascite neoplásica, pois o risco de disfunção circulatória pós-paracentese é menor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao contraindicar a paracentese, afirmando que a piora da ascite está relacionada à progressão da doença e deve ser manejada apenas com diuréticos e morfina. A paracentese de alívio é o tratamento sintomático de escolha para ascite volumosa, mesmo em contexto de doença avançada, pois alivia o desconforto e a dispneia. Diuréticos são menos eficazes na ascite neoplásica (não relacionada à hipertensão portal) e não devem substituir a paracentese quando há desconforto significativo.

Gabarito: letra D

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