O rastreamento do câncer é uma estratégia essencial de saúde pública, pois permite detectar precocemente a doença em indivíduos assintomáticos, especialmente naqueles com fatores de risco aumentados, possibilitando intervenções precoces e melhorando as chances de cura. A seguir, são apresentados diferentes cenários clínicos. A partir dessas informações, assinale a alternativa que apresenta um paciente com indicação para rastreamento oncológico.
Amulher, 23 anos de idade, início da vida sexual aos 16 anos de idade. Indicado rastreamento para câncer de colo uterino
Bhomem, 44 anos de idade, assintomático e sem antecedentes relevantes. Indicado rastreamento para câncer colorretal
Chomem, 55 anos de idade, tabagista ativo 15 anos/ maço, parente de primeiro grau com diagnóstico de CEC de orofaringe aos 60 anos de idade. Indicado rastreamento para câncer de pulmão
Dhomem 49 anos de idade, assintomático, dosagem de PSA de 3,5 em últimos exames de rotina. Indicado rastreamento para câncer de próstata
Emulher, 60 anos de idade, ex‑tabagista 20 anos/maço, parou de fumar há 10 anos. Indicado rastreamento para câncer de pulmão
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GabaritoE — mulher, 60 anos de idade, ex‑tabagista 20 anos/maço, parou de fumar há 10 anos. Indicado rastreamento para câncer de pulmão
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Rastreamento oncológico: critérios e indicações
Gabarito: letra E. A única paciente com indicação formal de rastreamento oncológico é a mulher de 60 anos, ex-tabagista com carga tabágica de 20 anos/maço, que parou de fumar há 10 anos — ela se enquadra nos critérios de alto risco para câncer de pulmão (idade ≥ 50 anos, carga ≥ 20 anos/maço, cessação há menos de 15 anos), conforme as diretrizes de rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose. As demais alternativas apresentam pacientes fora das faixas etárias ou dos critérios de risco estabelecidos para cada neoplasia.
O rastreamento oncológico é uma estratégia de saúde pública que visa detectar lesões pré-malignas ou cânceres em fase pré-clínica em indivíduos assintomáticos, com o objetivo de reduzir a morbimortalidade associada à doença. No entanto, como bem aponta o material de apoio, o rastreamento populacional "envolve a realização de procedimentos diagnósticos que não são isentos de risco, além de representar um importante custo para o sistema de saúde, estando justificado apenas mediante evidência científica de reais ganhos em termos de redução de morbimortalidade associada à neoplasia em questão". Por isso, não se rastreia qualquer pessoa: é preciso que o paciente se enquadre em critérios específicos de idade e de risco, definidos por diretrizes baseadas em evidências.
Cada neoplasia tem seu próprio protocolo de rastreamento, com faixa etária e fatores de risco bem delimitados. Para o câncer de colo de útero, o rastreamento no Brasil, segundo o INCA, inicia-se aos 25 anos com citologia oncótica. Para o colorretal, recomenda-se iniciar aos 50 anos (ou antes, se houver história familiar significativa). Para o câncer de próstata, a decisão de rastrear com PSA deve ser compartilhada entre médico e paciente, geralmente a partir dos 50 anos (ou 45 em grupos de risco). Já para o câncer de pulmão, o rastreamento com TC de baixa dose é indicado para adultos de 50 a 80 anos com carga tabágica de pelo menos 20 anos/maço, que sejam tabagistas ativos ou tenham parado de fumar há menos de 15 anos.
A pegadinha central desta questão é que a banca mistura pacientes com fatores de risco (como tabagismo, história familiar ou início precoce da vida sexual) com a indicação formal de rastreamento. Ter um fator de risco não basta: é preciso que o paciente esteja na faixa etária preconizada e que o fator de risco seja o específico para a neoplasia em questão. Por exemplo, a alternativa C apresenta um tabagista de 55 anos com história familiar de câncer de orofaringe — mas o rastreamento de câncer de pulmão não é indicado para quem tem história familiar de câncer de orofaringe, e sim para quem tem carga tabágica ≥ 20 anos/maço. O paciente da alternativa C tem apenas 15 anos/maço, o que está abaixo do limiar.
Guarde o critério decisivo: para cada neoplasia, existe uma combinação específica de idade + fator de risco que define a indicação de rastreamento. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem — a correta é a única que preenche todos os requisitos.
Critério
A (Colo de útero)
B (Colorretal)
C (Pulmão)
D (Próstata)
E (Pulmão)
Idade
23 anos
44 anos
55 anos
49 anos
60 anos
Fator de risco
Início da vida sexual aos 16 anos
Nenhum relevante
Tabagismo 15 anos/maço; história familiar de CEC de orofaringe
PSA 3,5 ng/mL
Ex-tabagista 20 anos/maço; cessação há 10 anos
Critério de rastreamento da neoplasia
≥ 25 anos (INCA)
≥ 50 anos (risco médio)
≥ 50 anos; carga ≥ 20 anos/maço; tabagismo ativo ou cessação < 15 anos
❌ Fora da faixa etária; PSA alterado (investigação, não rastreamento)
✅ Todos os critérios preenchidos
Alternativa A — ❌ Incorreta
A mulher de 23 anos com início da vida sexual aos 16 anos não tem indicação de rastreamento para câncer de colo de útero segundo as diretrizes brasileiras. O INCA recomenda o início do rastreamento aos 25 anos de idade, independentemente da idade de início da vida sexual. Aos 23 anos, a paciente está fora da faixa etária preconizada. O início precoce da vida sexual é um fator de risco, mas não antecipa o início do rastreamento — a banca explora exatamente essa confusão entre fator de risco e critério de rastreamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O homem de 44 anos, assintomático e sem antecedentes relevantes, não tem indicação de rastreamento para câncer colorretal. As diretrizes recomendam o início do rastreamento aos 50 anos para indivíduos de risco médio. Aos 44 anos, sem história familiar ou outras condições de risco (como doença inflamatória intestinal ou síndromes hereditárias), o paciente está fora da faixa etária preconizada. A banca tenta confundir ao apresentar um paciente assintomático, mas a idade é o critério que decide.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O homem de 55 anos, tabagista ativo com carga de 15 anos/maço e parente de primeiro grau com CEC de orofaringe, não tem indicação de rastreamento para câncer de pulmão. O critério para rastreamento de câncer de pulmão com TC de baixa dose é carga tabágica de ≥ 20 anos/maço, idade entre 50 e 80 anos, e tabagismo ativo ou cessação há menos de 15 anos. A carga de 15 anos/maço está abaixo do limiar de 20 anos/maço. Além disso, a história familiar de câncer de orofaringe não é um critério para rastreamento de câncer de pulmão — a banca insere esse dado para confundir, mas ele é irrelevante para a indicação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O homem de 49 anos, assintomático, com PSA de 3,5 ng/mL, não tem indicação formal de rastreamento para câncer de próstata. O rastreamento com PSA é uma decisão compartilhada entre médico e paciente, geralmente iniciada aos 50 anos para risco médio (ou 45 anos para homens negros ou com história familiar de câncer de próstata). Aos 49 anos, sem fatores de risco adicionais, a indicação de rastreamento não está estabelecida. Além disso, o PSA de 3,5 ng/mL é um valor alterado (acima de 2,5 ng/mL em homens jovens), o que configuraria uma investigação diagnóstica, não um rastreamento — o paciente já tem uma alteração no exame, o que o tira do conceito de "assintomático" para fins de rastreamento.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A mulher de 60 anos, ex-tabagista com carga de 20 anos/maço e cessação há 10 anos, tem indicação de rastreamento para câncer de pulmão. Ela preenche todos os critérios: idade entre 50 e 80 anos (60 anos), carga tabágica ≥ 20 anos/maço (exatamente 20) e cessação do tabagismo há menos de 15 anos (10 anos). O rastreamento com TC de baixa dose é recomendado para esse perfil de alto risco, com base em ensaios clínicos randomizados que demonstraram redução da mortalidade por câncer de pulmão. Esta é a única alternativa em que todos os critérios são atendidos simultaneamente.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os critérios de rastreamento entre as neoplasias. Aqui, ela usa fatores de risco genéricos (início precoce da vida sexual, história familiar, tabagismo) para induzir o candidato a marcar alternativas com pacientes fora da faixa etária ou com carga tabágica abaixo do limiar. O segredo é decorar os critérios exatos de cada rastreamento: idade de início, fator de risco específico e limiar numérico. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Monte uma tabela mental com os critérios de rastreamento dos principais cânceres: colo de útero (25-64 anos, citologia), mama (50-69 anos, mamografia), colorretal (≥ 50 anos, PSOF/colonoscopia), próstata (≥ 50 anos, decisão compartilhada) e pulmão (50-80 anos, ≥ 20 anos/maço, cessação < 15 anos). Na prova, confira idade + fator de risco + limiar numérico antes de marcar.