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Questão de Medicina — Oncologia — Quadrix 2024

MedicinaOncologia
Código
qg355532
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Oncologia Pediátrica
Uma mulher de 77 anos de idade com câncer de pulmão metastático apresentou‑se ao departamento de emergência com sibilo e intensa dificuldade respiratória. A saturação de oxigênio era de 85% na chegada e melhorou para 93%, após nebulização e corticosteroides. A paciente e seu marido indicaram no passado que ela não desejava ser intubada e confirmaram essa decisão hoje. A frequência respiratória era de 30 respirações por minuto, e ela estava visivelmente desconfortável.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o tratamento indicado para melhorar o desconforto da paciente.
  1. Amorfina via oral
  2. Bmorfina endovenosa
  3. Cantibióticos endovenosos
  4. Dmidazolam endovenoso
  5. Esuporte de O₂objetivando SatO₂ > 95%
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GabaritoB — morfina endovenosa

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cuidados Paliativos na Dispneia em Câncer de Pulmão Metastático

Gabarito: letra B. Em paciente oncológica em fase avançada, com dispneia refratária e decisão de não intubar, o tratamento indicado para alívio do desconforto é a morfina endovenosa, pois os opioides são a base farmacológica para o controle da dispneia nesse cenário, e a via endovenosa é a mais adequada para titulação rápida em emergência. A conduta se fundamenta nos princípios dos cuidados paliativos, que priorizam o alívio do sofrimento e o respeito à autonomia do paciente.

A dispneia é um dos sintomas mais angustiantes em pacientes com câncer avançado, especialmente no câncer de pulmão metastático. Ela é definida como uma experiência subjetiva de desconforto respiratório que envolve tanto componentes físicos quanto emocionais. No contexto de uma paciente com doença metastática, a dispneia pode ser causada por diversos mecanismos: obstrução das vias aéreas pelo tumor, derrame pleural, linfangite carcinomatosa, anemia, fraqueza muscular respiratória, ou mesmo ansiedade e medo. O tratamento deve ser individualizado, mas quando a doença é incurável e o paciente opta por não ser submetido a medidas invasivas como a intubação, o foco terapêutico se desloca para o conforto.

Os opioides, como a morfina, são os fármacos de primeira linha para o alívio da dispneia em cuidados paliativos. Eles atuam reduzindo a sensação de falta de ar, provavelmente por mecanismos centrais, diminuindo a percepção do desconforto respiratório e a resposta ventilatória ao estresse. A via de administração é crucial: em um paciente agudamente desconfortável, com frequência respiratória de 30 respirações por minuto e saturação de 85% que melhorou apenas parcialmente, a via endovenosa permite uma titulação mais rápida e previsível do efeito, sendo a escolha apropriada na emergência. A via oral, embora útil em situações crônicas e estáveis, tem início de ação mais lento e é inadequada para o alívio imediato do desconforto agudo.

É importante distinguir o manejo da dispneia em cuidados paliativos do manejo em outras situações. Em um paciente com insuficiência respiratória aguda reversível, como uma pneumonia bacteriana, os antibióticos seriam indicados. No entanto, nesta paciente, o contexto é de doença metastática incurável, e a decisão de não intubar foi confirmada. O uso de antibióticos poderia ser considerado se houvesse suspeita de infecção como fator precipitante, mas não é o tratamento primário para o desconforto respiratório em si. Da mesma forma, o midazolam, um benzodiazepínico, pode ser usado como coadjuvante para ansiedade, mas não é a primeira escolha para dispneia, pois não trata a causa subjacente do desconforto e pode causar sedação excessiva. O suporte de oxigênio é importante, mas a meta de SatO₂ > 95% não é necessária nem sempre benéfica em pacientes com doença pulmonar avançada; o objetivo é manter uma oxigenação adequada para o conforto, geralmente acima de 90%, sem causar desconforto adicional.

A decisão de não intubar, documentada pela paciente e seu marido, é um aspecto central do caso. Em cuidados paliativos, o respeito à autonomia do paciente é fundamental. Quando o paciente opta por não receber medidas de suporte avançado de vida, como a ventilação mecânica invasiva, o foco do tratamento deve ser o alívio dos sintomas e a melhora da qualidade de vida. A morfina endovenosa, nesse contexto, não é uma medida de aceleração da morte, mas sim uma intervenção para aliviar o sofrimento, mesmo que possa ter efeitos colaterais como sedação ou depressão respiratória, que devem ser monitorados e titulados cuidadosamente.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que, apesar de a paciente apresentar um quadro respiratório agudo, o objetivo do tratamento não é reverter a insuficiência respiratória, mas sim proporcionar conforto. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa que parece mais "agressiva" ou "curativa", como antibióticos ou suporte de oxigênio com meta elevada, mas a chave é entender o contexto de cuidados paliativos e a decisão de não intubar. A via de administração da morfina também é um ponto crítico: a via endovenosa é preferida em situações de emergência para titulação rápida, enquanto a via oral é mais adequada para manejo crônico.

Guarde a distinção entre o tratamento da dispneia em contexto curativo versus paliativo, e a importância da via de administração dos opioides: é exatamente essa fronteira que separa as alternativas desta questão.

  1. 1Identificar objetivo: paliativo
  2. 2Respeitar decisão de não intubar
  3. 3Opioide: morfina EV
  4. 4Titulação rápida do conforto
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A morfina via oral é um tratamento válido para dispneia em cuidados paliativos, mas não é a escolha ideal em uma situação de emergência aguda. A via oral tem início de ação mais lento (cerca de 30 a 60 minutos) e sua absorção pode ser imprevisível em pacientes com desconforto respiratório intenso. Neste caso, a paciente está visivelmente desconfortável e necessita de alívio rápido, o que torna a via endovenosa mais apropriada para titulação imediata.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A morfina endovenosa é o tratamento de escolha para alívio da dispneia em paciente com câncer avançado em situação de emergência. A via endovenosa permite início de ação rápido (em poucos minutos) e titulação precisa da dose, o que é essencial para controlar o desconforto agudo. A decisão de não intubar reforça que o objetivo é o conforto, e os opioides são a base do tratamento farmacológico da dispneia nesse contexto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os antibióticos endovenosos seriam indicados se houvesse suspeita de infecção como causa da piora respiratória, como uma pneumonia. No entanto, o enunciado não menciona sinais de infecção (febre, secreção purulenta, etc.), e o foco principal é o alívio do desconforto em uma paciente com doença metastática incurável. O uso de antibióticos não trata a dispneia em si e não é a primeira linha para o controle sintomático.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O midazolam endovenoso é um benzodiazepínico que pode ser usado como coadjuvante para ansiedade ou agitação em pacientes com dispneia, mas não é o tratamento de primeira linha para a dispneia em si. Ele não alivia a sensação de falta de ar diretamente e pode causar sedação excessiva, depressão respiratória e confusão, especialmente em pacientes idosos. A morfina é o fármaco de escolha para o controle da dispneia, e o midazolam pode ser adicionado se houver ansiedade significativa, mas não como monoterapia inicial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O suporte de oxigênio é uma medida importante para pacientes com hipoxemia, mas a meta de SatO₂ > 95% não é apropriada para todos os pacientes, especialmente aqueles com doença pulmonar avançada. Em cuidados paliativos, o objetivo é manter uma oxigenação adequada para o conforto, geralmente acima de 90%, sem causar desconforto adicional. Além disso, o oxigênio não alivia a sensação de dispneia em todos os casos, e o tratamento principal para o desconforto é a morfina. A alternativa ignora o componente subjetivo da dispneia e o contexto paliativo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tratar a causa (infecção, hipoxemia) e tratar o sintoma (dispneia) em um contexto paliativo. O candidato pode ser levado a escolher antibióticos ou oxigênio com meta elevada, mas a chave é reconhecer que, com a decisão de não intubar, o foco é o conforto, e a morfina endovenosa é a intervenção mais adequada para alívio rápido do desconforto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de cuidados paliativos, identifique primeiro o objetivo do tratamento: curativo ou paliativo. Se paliativo, o foco é o alívio dos sintomas, e os opioides são a base para dispneia. Lembre-se de que a via de administração depende da urgência: endovenosa para emergência, oral para manejo crônico.

Gabarito: letra B

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