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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355540
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
Considerando o tratamento da leucemia linfocítica crônica, é correto afirmar que
  1. Aos inibidores covalentes de BTK têm mecanismos de resistência distintos, portanto a adequada sequência no contexto de resistência deve ser avaliada de acordo com a mutação.
  2. Bo pirtobrutinibe é um inibidor seletivo de BTK covalente que inibe o BTK do tipo wild type e, mas não os com mutação C481.
  3. Co venetoclax demonstrou eficácia em pacientes com LLC ou SLL recidivados, após a realização de terapia com inibidor covalente de BTK, com resposta em 65% a 85% desses pacientes.
  4. Do pirtobrutinibe está associado à elevada taxa de síndrome de lise tumoral.
  5. Edados recentes sugerem que o venetoclax não tem eficácia em pacientes previamente tratados com um inibidor de BTK não covalente.
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GabaritoC — o venetoclax demonstrou eficácia em pacientes com LLC ou SLL recidivados, após a realização de terapia com inibidor covalente de BTK, com resposta em 65% a 85% desses pacientes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tratamento da Leucemia Linfocítica Crônica: Inibidores de BTK e Venetoclax

Gabarito: letra C. O venetoclax, inibidor de BCL-2, demonstrou eficácia em pacientes com LLC ou linfoma linfocítico pequeno (SLL) recidivados, inclusive após terapia prévia com inibidor covalente de BTK, com taxas de resposta entre 65% e 85%. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre os mecanismos de resistência, a seletividade do pirtobrutinibe e a síndrome de lise tumoral.

A leucemia linfocítica crônica (LLC) é uma neoplasia de linfócitos B maduros, caracterizada pelo acúmulo de células B CD5+ no sangue periférico, medula óssea e órgãos linfoides. O tratamento da LLC passou por uma revolução nas últimas décadas, com a introdução de terapias-alvo que substituíram a quimioimunoterapia em grande parte dos cenários. Entre essas terapias, destacam-se os inibidores da tirosina quinase de Bruton (BTK) e o venetoclax, um inibidor da proteína antiapoptótica BCL-2.

Os inibidores de BTK atuam bloqueando a sinalização do receptor de células B (BCR), que é crucial para a proliferação e sobrevivência das células da LLC. O ibrutinibe, o primeiro inibidor de BTK aprovado, liga-se covalentemente ao resíduo de cisteína C481 da BTK. Com o uso prolongado, podem surgir mutações nesse resíduo (como a C481S), que impedem a ligação covalente e conferem resistência ao ibrutinibe e a outros inibidores covalentes de primeira geração. Para superar essa resistência, foram desenvolvidos inibidores não covalentes, como o pirtobrutinibe, que se ligam à BTK de forma reversível e são ativos mesmo na presença da mutação C481.

O venetoclax, por sua vez, atua inibindo a BCL-2, uma proteína antiapoptótica que as células da LLC superexpressam para sobreviver. Ao inibir a BCL-2, o venetoclax induz a apoptose das células leucêmicas. Essa via de ação é independente da sinalização do BCR, o que explica sua eficácia em pacientes que desenvolveram resistência aos inibidores de BTK. Estudos clínicos demonstraram que o venetoclax, em monoterapia ou em combinação, produz taxas de resposta expressivas em pacientes com LLC/SLL recidivados ou refratários, mesmo após exposição prévia a inibidores de BTK.

A síndrome de lise tumoral (SLT) é uma complicação potencialmente grave que ocorre quando há destruição maciça e rápida das células tumorais, liberando potássio, fósforo e ácido úrico na corrente sanguínea. Embora o venetoclax seja um agente altamente eficaz, ele está associado a um risco significativo de SLT, especialmente em pacientes com carga tumoral elevada. Por isso, a dose é escalonada gradualmente e medidas profiláticas (hidratação, alopurinol ou rasburicase) são adotadas. O pirtobrutinibe, por ser um inibidor de BTK, não está associado a essa complicação na mesma magnitude.

A distinção entre inibidores covalentes e não covalentes de BTK é central para entender as opções terapêuticas na LLC. Os covalentes (ibrutinibe, acalabrutinibe, zanubrutinibe) formam uma ligação irreversível com a cisteína C481; a mutação nesse resíduo confere resistência. Os não covalentes (pirtobrutinibe) ligam-se de forma reversível a outro sítio da enzima, sendo ativos mesmo com a mutação C481. Essa diferença explica por que o pirtobrutinibe é uma opção após falha de um inibidor covalente.

A banca explora a confusão entre os mecanismos de ação e as indicações de cada fármaco. O candidato que não domina a diferença entre inibição covalente e não covalente, e entre as vias BCR e BCL-2, tende a marcar alternativas que invertem essas características. Guarde a fronteira: inibidores covalentes → resistência por mutação C481 → pirtobrutinibe (não covalente) supera essa resistência; venetoclax → via BCL-2 → eficaz mesmo após inibidores de BTK.

Terapias-alvo na LLC
  • 1Inibidores de BTK
    • Covalentes (ibrutinibe, acalabrutinibe)
      • Resistência por mutação C481
    • Não covalentes (pirtobrutinibe)
      • Ativos mesmo com mutação C481
  • 2Inibidor de BCL-2 (venetoclax)
    • Eficaz após inibidor de BTK
    • Risco de lise tumoral
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que os inibidores covalentes de BTK têm mecanismos de resistência distintos e que a sequência adequada deve ser avaliada de acordo com a mutação é imprecisa. Na prática, a resistência aos inibidores covalentes ocorre predominantemente por mutações no sítio de ligação, especialmente na cisteína C481, que impedem a ligação covalente. O mecanismo de resistência é, portanto, comum à classe, e não distinto entre os fármacos. A sequência terapêutica após resistência é guiada pela presença da mutação C481, mas a alternativa sugere uma heterogeneidade de mecanismos que não corresponde à realidade clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O pirtobrutinibe é um inibidor não covalente de BTK, não covalente como afirma a alternativa. Essa é a característica que o torna ativo mesmo na presença da mutação C481, que confere resistência aos inibidores covalentes. A alternativa inverte a natureza da ligação: o pirtobrutinibe liga-se de forma reversível à BTK, e não covalentemente. Além disso, ele inibe tanto a BTK do tipo selvagem quanto a mutada, ao contrário do que a alternativa sugere ao afirmar que não inibe a mutação C481.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O venetoclax demonstrou eficácia em pacientes com LLC ou SLL recidivados, inclusive após terapia com inibidor covalente de BTK, com taxas de resposta entre 65% e 85%. Essa é uma das principais evidências que sustentam o uso do venetoclax como opção de resgate nesse cenário. A eficácia independe da via de sinalização do BCR, pois o venetoclax atua inibindo a BCL-2, uma via de sobrevivência celular distinta. A alternativa está correta ao afirmar essa eficácia e as taxas de resposta observadas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O pirtobrutinibe não está associado a elevada taxa de síndrome de lise tumoral. A SLT é uma complicação mais característica do venetoclax, que induz apoptose maciça das células tumorais, especialmente em pacientes com alta carga tumoral. O pirtobrutinibe, por ser um inibidor de BTK, atua na sinalização do BCR e não causa o mesmo grau de lise celular aguda. A alternativa troca o perfil de toxicidade entre os dois fármacos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Dados recentes não sugerem que o venetoclax não tem eficácia em pacientes previamente tratados com inibidor de BTK não covalente. Pelo contrário, o venetoclax é eficaz em pacientes que falharam a inibidores de BTK, sejam eles covalentes ou não covalentes, pois atua por uma via independente. A alternativa afirma o oposto do que a evidência demonstra, negando a eficácia do venetoclax nesse cenário.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre LLC, organize o estudo em torno das vias terapêuticas: inibidores de BTK (covalentes vs. não covalentes) e inibidores de BCL-2 (venetoclax). Lembre-se: covalente → mutação C481 → resistência; não covalente → supera a mutação; venetoclax → via BCL-2 → eficaz após qualquer inibidor de BTK. Essa estrutura resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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