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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355546
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
Acerca da púrpura trombocitopênica trombótica (PTT), assinale a alternativa correta.
  1. AO envolvimento cardíaco é geralmente definido por alterações eletro e ecocardiográficas características.
  2. BA diminuição da atividade de ADAMTS13 pode ser observada em várias condições, incluindo câncer metastático, sepse, CIVD, doença hepática e gravidez.
  3. CO rituximabe usado precocemente junto com o tratamento padrão não contribui para a diminuição das plasmaféreses, para a taxa de recidiva ou para a mortalidade.
  4. DO caplacizumabe, iniciado após a confirmação de PTT aguda e até 30 dias após a conclusão da plasmaférese, não deve ser mantido, ainda que os níveis de ADAMTS13 permaneçam deficientes.
  5. EA taxa trombótica aumentada em casos agudos de PTT não se altera com tromboprofilaxia com heparina de baixo peso molecular (HBPM) e aspirina, quando a contagem plaquetária foi de > 50 × 10 9/L.
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GabaritoB — A diminuição da atividade de ADAMTS13 pode ser observada em várias condições, incluindo câncer metastático, sepse, CIVD, doença hepática e gravidez.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT): Fisiopatologia, Diagnóstico e Tratamento

Gabarito: letra B. A alternativa correta afirma que a diminuição da atividade de ADAMTS13 pode ser observada em várias condições, incluindo câncer metastático, sepse, CIVD, doença hepática e gravidez. Isso está de acordo com a literatura médica, que reconhece que a deficiência de ADAMTS13 não é exclusiva da PTT, podendo ocorrer em diversas situações clínicas que cursam com consumo ou inibição dessa protease.

A púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) é uma microangiopatia trombótica (MAT) caracterizada pela formação de trombos plaquetários nos microvasos, levando a anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e disfunção de órgãos, principalmente cérebro e rins. A causa central é a deficiência grave da metaloprotease ADAMTS13, que cliva os multímeros de alto peso molecular do fator de von Willebrand (FVW). Quando essa protease está deficiente ou é inibida por autoanticorpos, os grandes multímeros de FVW se acumulam, promovendo agregação plaquetária excessiva e formação de microtrombos.

A atividade da ADAMTS13 é um marcador crucial, mas sua diminuição não é patognomônica da PTT. Diversas condições clínicas podem cursar com níveis reduzidos dessa protease, como sepse, câncer metastático, coagulação intravascular disseminada (CIVD), doença hepática e gravidez. Essa redução pode ser decorrente de consumo, síntese hepática diminuída ou presença de inibidores. Por isso, o diagnóstico de PTT exige a associação de achados clínicos e laboratoriais, sendo a atividade de ADAMTS13 < 10% um critério importante, mas não isolado.

O tratamento da PTT aguda é uma emergência médica. A plasmaférese terapêutica é a base do tratamento, pois remove os autoanticorpos e repõe a enzima deficiente através do plasma fresco congelado. O caplacizumabe, um anticorpo monoclonal que bloqueia a interação entre o FVW e as plaquetas, é um adjuvante importante, reduzindo o tempo de plasmaférese e a mortalidade. O rituximabe, um anticorpo anti-CD20, é utilizado para erradicar os clones de células B produtoras de autoanticorpos, sendo particularmente útil em casos refratários ou recidivantes.

A banca explora a confusão entre a PTT e outras condições que cursam com trombocitopenia e anemia hemolítica, como a síndrome hemolítico-urêmica (SHU) e a CIVD. A distinção é fundamental para o manejo adequado. A PTT clássica apresenta a pêntade (anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia, febre, alterações neurológicas e renais), mas nem todos os sinais estão sempre presentes. A SHU típica, associada à E. coli produtora de toxina Shiga, tem predomínio de envolvimento renal e é mais comum em crianças. A CIVD, por sua vez, cursa com coagulograma alterado, diferentemente da PTT, que geralmente tem coagulograma normal.

A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: o candidato pode associar a diminuição da ADAMTS13 exclusivamente à PTT, mas a alternativa B corretamente amplia esse conceito, mostrando que outras condições também podem cursar com essa alteração. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre o envolvimento cardíaco, o papel do rituximabe, a duração do tratamento com caplacizumabe e a eficácia da tromboprofilaxia.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O envolvimento cardíaco na PTT é comum e pode ser grave, mas não é definido por alterações eletro e ecocardiográficas características. O envolvimento cardíaco na PTT é geralmente subclínico ou manifesta-se como isquemia miocárdica, arritmias ou insuficiência cardíaca, mas não há um padrão eletro ou ecocardiográfico específico que defina o diagnóstico. A alternativa erra ao sugerir que existem alterações "características" que definem o envolvimento cardíaco, quando na verdade o diagnóstico é clínico e laboratorial, baseado na presença de microangiopatia trombótica.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B está correta ao afirmar que a diminuição da atividade de ADAMTS13 pode ser observada em várias condições, incluindo câncer metastático, sepse, CIVD, doença hepática e gravidez. Embora a deficiência grave (<10%) seja típica da PTT, níveis reduzidos podem ocorrer em outras situações clínicas, seja por consumo, síntese hepática diminuída ou presença de inibidores. Essa é uma informação importante para o diagnóstico diferencial, pois a simples dosagem de ADAMTS13 não é suficiente para confirmar PTT, sendo necessário correlacionar com o quadro clínico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o rituximabe usado precocemente junto com o tratamento padrão não contribui para a diminuição das plasmaféreses, para a taxa de recidiva ou para a mortalidade. Isso está incorreto. O rituximabe, ao erradicar os clones de células B produtoras de autoanticorpos, reduz a produção do inibidor de ADAMTS13, o que pode diminuir o número de sessões de plasmaférese necessárias, reduzir a taxa de recidiva e, potencialmente, melhorar a mortalidade. Estudos mostram benefício do rituximabe em casos refratários e recidivantes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que o caplacizumabe, iniciado após a confirmação de PTT aguda e até 30 dias após a conclusão da plasmaférese, não deve ser mantido, ainda que os níveis de ADAMTS13 permaneçam deficientes. Isso está incorreto. O caplacizumabe deve ser mantido enquanto houver evidência de atividade da doença, como trombocitopenia persistente ou sinais de microangiopatia. A decisão de manter ou suspender o caplacizumabe deve ser individualizada, mas a persistência de deficiência de ADAMTS13 não é, por si só, indicação de suspensão, especialmente se o paciente ainda apresenta risco de trombose.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que a taxa trombótica aumentada em casos agudos de PTT não se altera com tromboprofilaxia com heparina de baixo peso molecular (HBPM) e aspirina, quando a contagem plaquetária foi de > 50 × 10⁹/L. Isso está incorreto. A tromboprofilaxia com HBPM e aspirina pode ser benéfica em pacientes com PTT e contagem de plaquetas > 50 × 10⁹/L, pois reduz o risco de eventos trombóticos. No entanto, o uso de antiagregantes e anticoagulantes deve ser cauteloso, pois há risco de sangramento, especialmente se a contagem de plaquetas for baixa. A alternativa erra ao afirmar que não há alteração na taxa trombótica com a tromboprofilaxia.

Gabarito: letra B

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