Linfoma MALT Gástrico: Aspectos Clínicos e Prognósticos
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que afirma que idade > 70 anos, DHL elevado e estágio III ou IV de Ann Arbor são os fatores prognósticos mais importantes no linfoma MALT gástrico. Esses fatores integram o Índice Prognóstico Internacional (IPI), que é o principal sistema de estratificação prognóstica para linfomas não Hodgkin, incluindo o MALT. A questão cobra o conhecimento sobre os fatores que realmente influenciam o prognóstico dessa neoplasia, diferenciando-os de características clínicas e citogenéticas que não têm o mesmo valor preditivo.
O linfoma MALT (tecido linfoide associado às mucosas) gástrico é um subtipo de linfoma não Hodgkin de células B de baixo grau, que se desenvolve no estômago, geralmente em associação com a infecção crônica pelo Helicobacter pylori. É uma doença indolente, ou seja, de crescimento lento, e que costuma permanecer localizada por um longo período. O tratamento de primeira linha é a erradicação do H. pylori, que leva à regressão do linfoma em uma parcela significativa dos casos, especialmente nos estágios iniciais.
O prognóstico do linfoma MALT gástrico é geralmente bom, mas existem fatores que indicam maior agressividade e pior evolução. O Índice Prognóstico Internacional (IPI) é uma ferramenta validada para linfomas agressivos, mas também é aplicada a linfomas indolentes, como o MALT. O IPI considera cinco fatores adversos: idade > 60 anos (embora a alternativa mencione > 70, o que é uma variação), estádio avançado (III ou IV), número de sítios extranodais, performance status e níveis elevados de DHL. A presença de estádio avançado e DHL elevado são marcadores de doença mais disseminada e com maior carga tumoral, o que impacta diretamente na sobrevida.
A alternativa B está correta porque elenca exatamente os fatores que a literatura médica reconhece como os mais importantes para a estratificação prognóstica do linfoma MALT gástrico. A idade avançada, o DHL elevado e o estádio avançado são componentes do IPI e de outros sistemas prognósticos, e sua presença indica um risco maior de recaída e menor sobrevida. É importante notar que, embora o IPI clássico use idade > 60 anos, a alternativa especifica > 70 anos, o que pode refletir uma adaptação ou um estudo específico, mas o princípio é o mesmo: idade avançada é um fator prognóstico desfavorável.
A pegadinha da questão está em confundir o candidato com informações sobre citogenética, multifocalidade e acompanhamento, que são aspectos importantes do linfoma MALT, mas não são os fatores prognósticos mais relevantes. A banca explora o conhecimento específico sobre o que realmente determina o prognóstico, em vez de características gerais da doença. Para responder corretamente, é preciso saber que o IPI e seus componentes (idade, estádio, DHL, performance status e sítios extranodais) são a base da avaliação prognóstica.
Critério | Linfoma MALT Gástrico (correto) | Afirmações incorretas (A, C, D, E) |
|---|
Fatores prognósticos mais importantes | Idade > 70 anos, DHL elevado, estádio III/IV de Ann Arbor (IPI) | t(8;14) associada à resistência à antibioticoterapia (A) |
Apresentação clínica | Doença indolente, frequentemente localizada, mas pode ser multifocal | Unifocal e tratada com excisão cirúrgica de primeira linha (C) |
Envolvimento de sítios | Geralmente localizado no estômago; disseminação sincrônica é minoria | Envolvimento sincrônico em 70% dos casos (D) |
Acompanhamento pós-erradicação | Endoscopia com biópsia, com intervalo variável conforme resposta | Exame endoscópico anual fixo com biópsia (E) |
Alternativa A — ❌ Incorreta
A translocação t(8;14) não é uma alteração citogenética característica do linfoma MALT gástrico. Essa translocação é mais comumente associada ao linfoma de Burkitt, onde envolve o gene MYC. No linfoma MALT, as alterações citogenéticas mais frequentes são a t(11;18)(q21;q21), que está associada à resistência à antibioticoterapia, e a t(14;18)(q32;q21), que envolve o gene MALT1. A t(8;14) não é um marcador de prognóstico ruim no MALT gástrico, e a afirmação está incorreta por atribuir uma alteração de outro linfoma a essa doença.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B está correta porque identifica corretamente os fatores prognósticos mais importantes no linfoma MALT gástrico. Idade > 70 anos, DHL elevado e estádio III ou IV de Ann Arbor são componentes do Índice Prognóstico Internacional (IPI) e de outros sistemas de estratificação, e sua presença está associada a pior sobrevida. Esses fatores refletem a agressividade da doença e a capacidade do paciente de tolerar o tratamento, sendo essenciais para a decisão terapêutica e para a estimativa do prognóstico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O linfoma MALT gástrico é frequentemente indolente, mas a afirmação de que é unifocal e que a excisão cirúrgica é o tratamento com alta taxa de resposta está incorreta. O linfoma MALT gástrico pode ser multifocal, com múltiplos focos na mucosa gástrica, e o tratamento de primeira linha é a erradicação do H. pylori, não a cirurgia. A excisão cirúrgica não é o tratamento padrão, e a alta taxa de resposta está associada à antibioticoterapia, não à cirurgia. A cirurgia é reservada para casos refratários ou complicações, mas não é a abordagem inicial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmação de que em 70% dos casos há envolvimento sincrônico de sítios intestinais e extraintestinais está incorreta. O linfoma MALT gástrico é tipicamente uma doença localizada, e o envolvimento de outros sítios é menos frequente. Embora possa haver disseminação para outros locais do trato gastrointestinal ou para linfonodos regionais, a taxa de 70% é exagerada e não corresponde à realidade clínica. A maioria dos casos se apresenta com doença localizada no estômago, e a disseminação sincrônica é uma minoria.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação de que o acompanhamento após a erradicação do H. pylori inclui exame endoscópico anual com biópsia está incorreta. O acompanhamento é feito com endoscopia e biópsia, mas a frequência não é necessariamente anual. O intervalo depende da resposta ao tratamento e da avaliação inicial. Após a erradicação, a endoscopia é repetida em alguns meses para avaliar a regressão do linfoma, e depois o intervalo pode ser aumentado. A frequência anual não é uma regra fixa, e a afirmação é muito rígida.
Gabarito: letra B