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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355550
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
A esferocitose hereditária (EH) é a mais comum das anemias hemolíticas hereditárias por defeito de membrana. O teste considerado padrão‑ouro para seu diagnóstico é
  1. Ateste de antiglobulina direta.
  2. Bcurva de fragilidade osmótica.
  3. CDEB teste
  4. Dteste de ligação à eosina 5‑maleimida.
  5. Eteste de Schiller.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — curva de fragilidade osmótica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esferocitose hereditária: diagnóstico padrão-ouro

Gabarito: letra B. Na esferocitose hereditária (EH), o teste considerado padrão-ouro para o diagnóstico é a curva de fragilidade osmótica, que avalia a resistência dos eritrócitos à lise em soluções hipotônicas. O achado laboratorial característico da EH é o aumento da fragilidade osmótica, causado pela perda de distensibilidade associada à diminuição da superfície de membrana — exatamente o que a alternativa B descreve.

A esferocitose hereditária é a mais comum das anemias hemolíticas hereditárias por defeito de membrana. A doença decorre de mutações em proteínas do citoesqueleto eritrocitário (como espectrina, anquirina, banda 3 e proteína 4.2), que levam à desorganização estrutural e à perda progressiva de membrana. Essa perda reduz a razão entre membrana e citoplasma, fazendo com que o eritrócito perca sua forma bicôncava e assuma a forma esferocítica. Os esferócitos são menos flexíveis e, ao passarem pelos seios venosos do baço, são condicionados e destruídos, gerando hemólise extravascular.

O diagnóstico da EH se baseia na combinação de achados clínicos (anemia hemolítica, esplenomegalia, icterícia, litíase biliar), laboratoriais (reticulocitose, aumento do CHCM, esferócitos no esfregaço de sangue periférico) e testes específicos. Entre os testes específicos, a curva de fragilidade osmótica é o método clássico e considerado padrão-ouro: hemácias esferocíticas, por terem menor superfície de membrana em relação ao volume, lisam-se mais facilmente em soluções hipotônicas do que hemácias normais. O teste de fragilidade osmótica pode ser realizado de forma simples (incubação em concentrações decrescentes de NaCl) ou com incubação prévia a 37°C por 24 horas, que aumenta a sensibilidade do teste.

Outros testes complementares incluem o teste de ligação à eosina-5-maleimida (EMA), que avalia a densidade de proteínas de membrana (espectrina e banda 3) por citometria de fluxo, e o teste de criólise (glicerol). O teste de EMA é útil em casos duvidosos, mas não substitui a fragilidade osmótica como teste clássico de confirmação. O teste de antiglobulina direta (Coombs direto) é o exame fundamental para o diagnóstico de anemia hemolítica autoimune (AHAI), não da EH — embora a AHAI também possa cursar com esferócitos no esfregaço, o que exige a distinção.

A pegadinha da banca está em oferecer testes que se relacionam a outras anemias hemolíticas: o Coombs direto (AHAI), o DEB teste (que não é um teste hematológico padrão — na verdade, o termo correto seria "teste de eosina-5-maleimida", e "DEB" não corresponde a nenhum exame consagrado), e o teste de Schiller (que não existe na hematologia — o nome correto seria "teste de Schilling", usado para avaliar absorção de vitamina B12 na anemia megaloblástica). O candidato que não domina a semiologia laboratorial das anemias hemolíticas pode facilmente confundir esses testes.

Guarde a distinção central: na EH, o defeito é de membrana, e o teste que explora essa característica é a fragilidade osmótica; na AHAI, o defeito é imunológico, e o teste que o detecta é o Coombs direto. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

  1. 1Suspeita clínica
  2. 2Hemograma + esfregaço
  3. 3Curva de fragilidade osmótica (padrão-ouro)
  4. 4Teste EMA (complementar)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O teste de antiglobulina direta (Coombs direto) é o padrão-ouro para o diagnóstico de anemia hemolítica autoimune (AHAI), não da esferocitose hereditária. Na AHAI, os eritrócitos são revestidos por anticorpos (geralmente IgG) ou complemento, e o teste detecta essa sensibilização. Na EH, não há componente imunológico — o defeito é estrutural da membrana. Embora a AHAI também possa apresentar esferócitos no esfregaço, o Coombs direto é o exame que diferencia as duas condições.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A curva de fragilidade osmótica é o teste padrão-ouro para o diagnóstico da esferocitose hereditária. O fundamento é fisiológico: os esferócitos, por terem menor superfície de membrana em relação ao volume, lisam-se mais facilmente em soluções hipotônicas. O teste consiste em expor as hemácias a concentrações decrescentes de cloreto de sódio e observar em qual concentração ocorre a hemólise. Na EH, a hemólise ocorre em concentrações mais altas de NaCl do que o normal, indicando aumento da fragilidade osmótica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"DEB teste" não corresponde a nenhum teste hematológico consagrado. A banca provavelmente criou esse distrator para confundir com o teste de eosina-5-maleimida (EMA), que é um teste complementar para EH, mas não é o padrão-ouro. O EMA avalia a ligação da eosina-5-maleimida às proteínas de membrana (espectrina e banda 3) por citometria de fluxo, sendo útil em casos duvidosos, mas não substitui a fragilidade osmótica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O teste de ligação à eosina-5-maleimida (EMA) é um teste complementar útil no diagnóstico da EH, especialmente em casos com fragilidade osmótica normal ou limítrofe. No entanto, não é considerado o padrão-ouro — esse título pertence à curva de fragilidade osmótica. O EMA avalia a densidade de proteínas de membrana por citometria de fluxo, sendo mais sensível em algumas situações, mas o teste clássico de confirmação continua sendo a fragilidade osmótica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O teste de Schiller não existe na hematologia. O nome correto seria "teste de Schilling", que avalia a absorção de vitamina B12 no intestino e é usado no diagnóstico de anemia megaloblástica por deficiência de cobalamina — não tem relação com a esferocitose hereditária. A banca provavelmente criou esse distrator para testar se o candidato conhece os nomes corretos dos testes laboratoriais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece testes que pertencem a outras anemias para confundir: o Coombs direto (AHAI), o EMA (teste complementar da EH, mas não o padrão-ouro) e o "teste de Schiller" (que nem existe — o correto seria Schilling, da anemia megaloblástica). O candidato que decora nomes sem entender o mecanismo cai fácil. Lembre-se: EH = defeito de membrana → fragilidade osmótica; AHAI = defeito imunológico → Coombs direto. Com esse raciocínio, você elimina as alternativas erradas sem precisar decorar.

Gabarito: letra B

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