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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355555
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é uma doença crônica e progressiva, que resulta da mutação somática da célula hematopoiética progenitora e caracterizada por hemólise intravascular clonal mediada pelo complemento. Acerca da HPN, é correto afirmar que
  1. Aa incidência de leucemia aguda e síndrome mielodisplásica em associação com HPN é comum.
  2. Bfenômenos trombóticos ocorrem em qualquer sítio, porém, mais comumente, são arteriais 80%‑85%.
  3. Ctodos os pacientes com anemia aplásica, mesmo sem hemólise, devem ser submetidos a screening para HPN, com citometria de fluxo de alta sensibilidade.
  4. Da leucopenia, frequente e, às vezes, acentuada, é consequência mais da destruição mediada pelo complemento que comprometimento medular.
  5. Ea análise da expressão de CD56 e CD16 por citometria de fluxo confirma o diagnóstico.
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GabaritoC — todos os pacientes com anemia aplásica, mesmo sem hemólise, devem ser submetidos a screening para HPN, com citometria de fluxo de alta sensibilidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN): diagnóstico e manifestações clínicas

Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que afirma que todos os pacientes com anemia aplásica, mesmo sem hemólise, devem ser submetidos a screening para HPN com citometria de fluxo de alta sensibilidade. Isso porque a HPN pode se apresentar como um clone subclínico em pacientes com anemia aplásica, e a detecção precoce desse clone é fundamental para o diagnóstico e acompanhamento, conforme as diretrizes do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.

A hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) é uma doença clonal adquirida das células-tronco hematopoéticas, causada por uma mutação somática no gene PIG-A, localizado no cromossomo X. Essa mutação leva à deficiência de proteínas ancoradas à membrana celular por glicosilfofatidilinositol (GPI), incluindo as proteínas reguladoras do complemento CD55 e CD59. A ausência dessas proteínas torna os eritrócitos suscetíveis à lise mediada pelo complemento, resultando em hemólise intravascular crônica, com exacerbações. Além da hemólise, os pacientes apresentam risco aumentado de trombose e podem desenvolver citopenias.

O diagnóstico da HPN é estabelecido por citometria de fluxo, que detecta a deficiência de proteínas ligadas ao GPI em células sanguíneas, como neutrófilos, monócitos e eritrócitos. A citometria de fluxo de alta sensibilidade é essencial para detectar pequenos clones de HPN, especialmente em pacientes com anemia aplásica ou síndrome mielodisplásica, nos quais a HPN pode estar presente de forma subclínica. A classificação da HPN inclui a HPN clássica, a HPN associada a outros distúrbios primários da medula óssea e a HPN subclínica. Na HPN subclínica, os pacientes apresentam pequenos clones de HPN sem evidência clínica ou laboratorial de hemólise ou trombose, sendo frequentemente encontrados em pacientes com anemia aplásica.

A associação entre HPN e anemia aplásica é bem estabelecida. Pacientes com anemia aplásica podem ter pequenas populações subclínicas de HPN por muitos anos, e a expansão desses clones pode ocorrer, especialmente na fase de recaída da doença. Por isso, o screening para HPN com citometria de fluxo de alta sensibilidade é recomendado para todos os pacientes com anemia aplásica, mesmo na ausência de hemólise. Essa recomendação visa identificar precocemente a presença de clones de HPN, o que pode influenciar o prognóstico e a conduta terapêutica.

A banca explora a confusão entre as manifestações clínicas da HPN e os métodos diagnósticos. É importante distinguir a HPN clássica, que apresenta hemólise intensa, da HPN subclínica, que pode estar presente em pacientes com anemia aplásica sem hemólise evidente. A citometria de fluxo é o método de escolha para o diagnóstico, e a análise de CD55 e CD59 é fundamental, enquanto a análise de CD56 e CD16 não é utilizada para confirmar o diagnóstico de HPN.

Critério

HPN Clássica

HPN Subclínica (em anemia aplásica)

Hemólise

Intensa, com exacerbações

Ausente ou subclínica

Indicação de screening

Diagnóstico por citometria de fluxo

Obrigatório, mesmo sem hemólise

Método diagnóstico

Citometria de fluxo (CD55, CD59, FLAER)

Citometria de fluxo de alta sensibilidade

Associação com anemia aplásica

Pode ocorrer

Frequente, clone subclínico

HPN (mutação PIG-A)
  • 1Deficiência de proteínas GPI
    • CD55 e CD59 ausentes
    • Hemólise intravascular
  • 2Manifestações
    • Trombose venosa (Budd-Chiari)
    • Citopenias (falência medular)
    • Anemia aplásica associada
  • 3Diagnóstico
    • Citometria de fluxo (FLAER, CD55, CD59)
    • Screening em anemia aplásica (mesmo sem hemólise)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A incidência de leucemia aguda e síndrome mielodisplásica em associação com HPN não é comum. Embora a HPN possa estar associada a esses distúrbios, a incidência é baixa. A HPN está mais frequentemente associada à anemia aplásica, e a transformação para leucemia aguda ou síndrome mielodisplásica é uma complicação rara. O erro da alternativa está em afirmar que essa associação é comum, quando na verdade é uma complicação pouco frequente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os fenômenos trombóticos na HPN ocorrem predominantemente em sítios venosos, não arteriais. A trombose venosa é a complicação mais comum, incluindo trombose de veias hepáticas (síndrome de Budd-Chiari), veia porta, veias cerebrais e veias periféricas. A alternativa inverte a predominância, afirmando que os fenômenos trombóticos são mais comumente arteriais, o que está incorreto. A trombose venosa é a principal causa de morbidade e mortalidade na HPN.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Todos os pacientes com anemia aplásica, mesmo sem hemólise, devem ser submetidos a screening para HPN com citometria de fluxo de alta sensibilidade. Essa recomendação é baseada na alta prevalência de clones de HPN em pacientes com anemia aplásica, mesmo na ausência de hemólise clínica. A detecção precoce desses clones é importante para o diagnóstico e acompanhamento, pois a HPN pode evoluir para formas mais graves. A citometria de fluxo de alta sensibilidade é o método recomendado para detectar pequenos clones de HPN.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A leucopenia na HPN é consequência do comprometimento medular, não da destruição mediada pelo complemento. A HPN é uma doença clonal das células-tronco hematopoéticas, e a falência medular é uma característica comum, especialmente na HPN associada à anemia aplásica. A destruição mediada pelo complemento afeta principalmente os eritrócitos, causando hemólise, mas a leucopenia e a trombocitopenia são devidas à falência da medula óssea, não à destruição pelo complemento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A análise da expressão de CD56 e CD16 por citometria de fluxo não confirma o diagnóstico de HPN. O diagnóstico é estabelecido pela detecção da deficiência de proteínas ligadas ao GPI, como CD55 e CD59, em células sanguíneas. CD56 e CD16 são marcadores de células NK e granulócitos, respectivamente, e não são utilizados para o diagnóstico de HPN. A citometria de fluxo para HPN avalia a expressão de CD55, CD59, CD16, CD24 e FLAER (fluoresceína marcada com aerolisina), que se liga à âncora GPI.

Gabarito: letra C

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