Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024
- Código
- qg355558
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SES - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
- ADel 17p.
- Bt(4:14).
- Ct(14:16).
- Dt(11:14).
- E+1q 21.
GabaritoD — t(11:14).
Gabarito: letra D. A t(11;14) é considerada uma alteração citogenética de baixo risco no mieloma múltiplo, pois está associada a um prognóstico mais favorável. As demais alterações listadas — del(17p), t(4;14), t(14;16) e +1q21 — são marcadores de alto risco, conforme a classificação prognóstica baseada em citogenética (FISH).
O mieloma múltiplo é uma neoplasia maligna de plasmócitos que se acumulam na medula óssea, produzindo uma imunoglobulina monoclonal (proteína M). A apresentação clínica é heterogênea: alguns pacientes têm doença indolente e sobrevida longa, enquanto outros evoluem rapidamente com insuficiência renal, lesões ósseas e infecções. Para orientar o tratamento e estimar o prognóstico, os sistemas de estadiamento atuais (como o R-ISS — Revised International Staging System) incorporam, além dos marcadores laboratoriais clássicos (beta-2-microglobulina e albumina) e da LDH, as alterações citogenéticas detectadas por FISH (hibridização in situ fluorescente) em células plasmáticas da medula óssea.
A citogenética do mieloma é complexa e frequentemente apresenta múltiplas alterações. Algumas translocações envolvem o locus da imunoglobulina de cadeia pesada (IGH) no cromossomo 14q32, como t(11;14), t(4;14) e t(14;16). Outras alterações incluem deleções (del17p), ganhos (1q21) e trissomias. A classificação de risco citogenético divide essas alterações em categorias de risco padrão (ou baixo), intermediário e alto, com impacto direto na sobrevida e na resposta ao tratamento.
A t(11;14) é a translocação mais comum no mieloma, presente em cerca de 15-20% dos casos. Ela resulta na superexpressão do gene CCND1 (ciclina D1), que promove a progressão do ciclo celular. Apesar de ser uma alteração oncogênica, a t(11;14) confere um comportamento clínico mais indolente, com melhor resposta ao tratamento e sobrevida mais longa, sendo classificada como de risco padrão (baixo risco). Em contraste, a del(17p) (perda do gene TP53), a t(4;14) (envolvendo o gene FGFR3/MMSET), a t(14;16) (envolvendo o gene MAF) e a amplificação de 1q21 (ganho do gene CKS1B) são associadas a doença agressiva, maior risco de recaída e menor sobrevida, sendo consideradas de alto risco.
A distinção entre risco padrão e alto risco é crucial na prática clínica, pois influencia a escolha da terapia inicial (por exemplo, a inclusão de bortezomibe em esquemas para pacientes com t(4;14)) e a decisão de consolidar com transplante autólogo de células-tronco. A banca explora exatamente essa classificação: o candidato que memoriza apenas as alterações de alto risco pode marcar uma delas, mas a questão pede a de baixo risco. Guarde o par: t(11;14) = baixo risco; del(17p), t(4;14), t(14;16), +1q21 = alto risco.
Alteração Citogenética | Risco | Prognóstico |
|---|---|---|
t(11;14) | Baixo risco | Favorável |
del(17p) | Alto risco | Desfavorável |
t(4;14) | Alto risco | Desfavorável |
t(14;16) | Alto risco | Desfavorável |
+1q21 | Alto risco | Desfavorável |
A del(17p) é uma deleção do braço curto do cromossomo 17, que resulta na perda de um alelo do gene TP53 (supressor tumoral). É uma das alterações de pior prognóstico no mieloma múltiplo, associada a doença agressiva, rápida progressão e resistência ao tratamento. Portanto, é classificada como de alto risco, não de baixo risco.
A t(4;14) é uma translocação que envolve os genes FGFR3 e MMSET, presente em cerca de 15% dos casos. É classicamente associada a prognóstico desfavorável, com menor sobrevida e maior risco de recaída, sendo considerada de alto risco. A banca pode tentar confundir o candidato por ser uma translocação comum, mas o impacto prognóstico é negativo.
A t(14;16) envolve o gene MAF e está associada a um comportamento agressivo da doença, com maior incidência de insuficiência renal e hipercalcemia. É classificada como de alto risco, com sobrevida reduzida. Embora seja menos frequente que a t(4;14), o impacto prognóstico é igualmente desfavorável.
A t(11;14) é a translocação mais comum no mieloma múltiplo e está associada a um prognóstico mais favorável, sendo classificada como de risco padrão (baixo risco). Ela resulta na superexpressão da ciclina D1 (CCND1), mas confere melhor resposta ao tratamento e maior sobrevida quando comparada às alterações de alto risco. É a única alternativa que representa uma alteração de baixo risco.
A amplificação do braço longo do cromossomo 1 (1q21) é uma alteração citogenética associada a prognóstico desfavorável, com maior risco de progressão e menor sobrevida. É considerada de alto risco, especialmente quando presente em múltiplas cópias. Portanto, não é uma alteração de baixo risco.
A classificação de risco citogenético no mieloma múltiplo é um dos pilares do estadiamento prognóstico moderno. A t(11;14) destaca-se como a alteração de melhor prognóstico entre as listadas, enquanto del(17p), t(4;14), t(14;16) e +1q21 são marcadores de alto risco. Memorize esse contraste: a banca frequentemente cobra a diferenciação entre risco padrão e alto risco, e a t(11;14) é a exceção favorável.
Gabarito: letra D
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