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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355559
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
Em relação à hematopoiese clonal (HC), é correto afirmar que
  1. Aa perda do cromossomo X é o evento de HC mais frequentemente observado, e está presente em aproximadamente 40% dos homens aos 70 anos de idade.
  2. Ba HC de potencial indeterminado (CHIP) é definida pela presença de uma mutação somática associada ao câncer no sangue ou na medula óssea de pessoas sem câncer ou outro estado clonal conhecido.
  3. Co CHIP está associado à diminuição do risco de doença cardiovascular aterosclerótica incidente e ao acidente vascular cerebral isquêmico.
  4. Dindivíduos com HC envolvendo a mutação dos genes DNMT3A, TET2, ASXL1, JAK2, TP53 e SF3B1 têm chance semelhante à da população geral de desenvolver leucemia mieloide aguda e síndrome mielodisplásica (NMP).
  5. Eas neoplasias mieloproliferativas JAK+ têm risco marcadamente elevado de trombose venosa e arterial. Entretanto, o fenômeno não foi associado com o CHIP com mutação JAK2 na população geral.
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GabaritoB — a HC de potencial indeterminado (CHIP) é definida pela presença de uma mutação somática associada ao câncer no sangue ou na medula óssea de pessoas sem câncer ou outro estado clonal conhecido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hematopoese clonal de potencial indeterminado (CHIP)

Gabarito: letra B. A hematopoese clonal de potencial indeterminado (CHIP) é definida pela presença de uma mutação somática associada ao câncer no sangue ou na medula óssea de pessoas sem câncer ou outro estado clonal conhecido — exatamente o que afirma a alternativa B. As demais alternativas distorcem a epidemiologia, o risco cardiovascular, o risco de transformação leucêmica e a associação com trombose, como veremos a seguir.

A hematopoese clonal (HC) é um fenômeno biológico em que uma população de células-tronco hematopoéticas (CTHs) ou progenitoras adquire uma ou mais mutações somáticas e passa a contribuir de forma dominante para a produção de células sanguíneas, sem que isso, inicialmente, cause doença hematológica manifesta. É um conceito que emergiu com o sequenciamento genômico de larga escala: ao analisar o sangue de indivíduos saudáveis, pesquisadores encontraram mutações em genes como DNMT3A, TET2 e ASXL1, presentes em uma fração clonal das células hematopoéticas, anos antes de qualquer distúrbio hematológico se manifestar. Essa descoberta revolucionou a compreensão da leucemogênese, mostrando que a doença não surge "do nada", mas sim a partir de um clone pré-existente que acumula danos genéticos ao longo do tempo.

A HC é um espectro que vai desde a simples presença de um clone mutado sem consequências clínicas até a síndrome mielodisplásica (SMD) e a leucemia mieloide aguda (LMA). Quando o clone está presente em uma pessoa sem doença hematológica, sem citopenias e sem outras causas de clonalidade, chamamos de CHIP (clonal hematopoiesis of indeterminate potential). Quando há citopenia (anemia, leucopenia ou trombocitopenia) associada à mutação clonal, mas sem critérios morfológicos de SMD, chamamos de CCSI (citopenia clonal de significado indeterminado). A progressão de CHIP para CCSI e depois para SMD/LMA representa um continuum de doença, e o risco de transformação depende do número de mutações e dos genes específicos envolvidos.

A CHIP é um fenômeno relacionado à idade. A incidência aumenta progressivamente com o envelhecimento, sendo rara em jovens e relativamente comum em idosos. Estima-se que a prevalência seja de cerca de 10% em pessoas acima de 70 anos, embora alguns estudos sugiram números maiores. As mutações mais frequentemente encontradas são em DNMT3A, TET2 e ASXL1, que são genes envolvidos na regulação epigenética da expressão gênica. Outros genes como JAK2, TP53, SF3B1, RUNX1 e PPM1D também podem estar envolvidos, mas com menor frequência. A presença de CHIP confere um risco aumentado de desenvolver neoplasias hematológicas, especialmente SMD e LMA, mas esse risco é relativamente baixo em termos absolutos — a maioria das pessoas com CHIP nunca desenvolverá câncer hematológico. O risco é maior quando há múltiplas mutações ou quando estão envolvidos genes como RUNX1, JAK2V617F ou TP53.

Além do risco hematológico, a CHIP tem sido associada a outras condições de saúde, particularmente a doença cardiovascular aterosclerótica. Estudos observacionais mostraram que indivíduos com CHIP têm um risco aproximadamente duas vezes maior de desenvolver doença coronariana, mesmo após ajuste para fatores de risco tradicionais. Modelos pré-clínicos em camundongos demonstraram que a CHIP está ligada à aterosclerose acelerada, provavelmente devido a um estado inflamatório basal aumentado. As mutações em TET2 e JAK2, em particular, parecem promover inflamação nas células mieloides, contribuindo para a formação de placas ateroscleróticas. Essa associação é um campo ativo de pesquisa, com estudos investigando se a modulação da CHIP poderia reduzir o risco cardiovascular.

A alternativa E menciona a associação entre CHIP com mutação JAK2 e trombose. De fato, as neoplasias mieloproliferativas (NMP) JAK2-positivas, como a policitemia vera e a trombocitemia essencial, têm risco marcadamente elevado de trombose venosa e arterial. No entanto, a CHIP com mutação JAK2 na população geral também tem sido associada a um risco aumentado de trombose, embora em menor magnitude do que nas NMP manifestas. Portanto, a afirmação de que o fenômeno "não foi associado" é incorreta.

A pegadinha central desta questão é a inversão de associações: a banca troca o risco cardiovascular (que está aumentado na CHIP) por "diminuição do risco", e inverte a relação entre CHIP e trombose. O candidato que memoriza superficialmente os conceitos pode cair na alternativa C, que parece plausível, mas está exatamente ao contrário. A chave é lembrar que a CHIP é um estado pró-inflamatório e pró-trombótico, não protetor.

Guarde o tripé: (1) definição de CHIP = mutação somática em sangue/medula sem doença; (2) risco cardiovascular = AUMENTADO; (3) risco de transformação = AUMENTADO, mas variável conforme o gene. É nesses três eixos que as alternativas se dividem.

1Definição
Mutação somática associada ao câncer
No sangue ou medula óssea
Sem câncer ou outro estado clonal
2Riscos associados
Neoplasias hematológicas (SMD/LMA)
Doença cardiovascular aterosclerótica
Trombose venosa/arterial
3Genes mais frequentes
DNMT3A
TET2
ASXL1
4Espectro clonal
CHIP (sem citopenia)
CCSI (com citopenia)
SMD/LMA (doença manifesta)
CHIP (hematopoese clonal de potencial indeterminado)
LEVELsoulevel.com.br
CHIP (hematopoese clonal de potencial indeterminado): Definição (Mutação somática associada ao câncer, No sangue ou medula óssea, Sem câncer ou outro estado clonal); Riscos associados (Neoplasias hematológicas (SMD/LMA), Doença cardiovascular aterosclerótica, Trombose venosa/arterial); Genes mais frequentes (DNMT3A, TET2, ASXL1); Espectro clonal (CHIP (sem citopenia), CCSI (com citopenia), SMD/LMA (doença manifesta))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a perda do cromossomo X é o evento de HC mais frequentemente observado, e está presente em aproximadamente 40% dos homens aos 70 anos de idade". Há dois erros graves aqui. Primeiro, o evento de HC mais frequentemente observado não é a perda do cromossomo X, mas sim mutações pontuais em genes como DNMT3A, TET2 e ASXL1. A perda do cromossomo X é um evento citogenético que pode ocorrer, mas não é o mais comum. Segundo, a perda do cromossomo X é um fenômeno que ocorre em mulheres (devido à inativação do X), não em homens — homens têm apenas um cromossomo X, então não faz sentido falar em "perda do cromossomo X" como evento de HC em homens. A prevalência de 40% também é exagerada; a prevalência de CHIP em homens aos 70 anos é de cerca de 10-15%, não 40%.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa B define corretamente a CHIP: "presença de uma mutação somática associada ao câncer no sangue ou na medula óssea de pessoas sem câncer ou outro estado clonal conhecido". Essa é a definição consagrada na literatura, que distingue a CHIP de outras condições clonais como a CCSI (que cursa com citopenia) e as neoplasias mieloproliferativas (que cursam com proliferação celular anormal). A palavra-chave é "potencial indeterminado": o clone está presente, mas o potencial de causar doença é incerto. A definição exclui pessoas com câncer hematológico manifesto ou outras doenças clonais conhecidas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o CHIP está associado à diminuição do risco de doença cardiovascular aterosclerótica incidente e ao acidente vascular cerebral isquêmico". Isso é exatamente o oposto do que a literatura demonstra. A CHIP está associada a um risco AUMENTADO de doença cardiovascular aterosclerótica, incluindo doença coronariana e acidente vascular cerebral isquêmico. Estudos mostram que a CHIP confere um risco aproximadamente duas vezes maior de doença coronariana, e modelos pré-clínicos demonstram aterosclerose acelerada. A banca inverteu a direção da associação: em vez de "aumento", escreveu "diminuição".

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "indivíduos com HC envolvendo a mutação dos genes DNMT3A, TET2, ASXL1, JAK2, TP53 e SF3B1 têm chance semelhante à da população geral de desenvolver leucemia mieloide aguda e síndrome mielodisplásica (NMP)". Isso é incorreto. A presença de HC com essas mutações confere um risco AUMENTADO de desenvolver SMD e LMA, não um risco semelhante ao da população geral. O risco varia conforme o gene e o número de mutações: mutações em RUNX1, JAK2V617F e TP53 estão associadas a maior risco, e o risco aumenta com o número de mutações. A alternativa também comete um erro conceitual ao chamar SMD e LMA de "NMP" (neoplasias mieloproliferativas), que são entidades distintas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "as neoplasias mieloproliferativas JAK+ têm risco marcadamente elevado de trombose venosa e arterial. Entretanto, o fenômeno não foi associado com o CHIP com mutação JAK2 na população geral". A primeira parte está correta: as NMP JAK2-positivas têm risco elevado de trombose. No entanto, a segunda parte é falsa: a CHIP com mutação JAK2 também tem sido associada a um risco aumentado de trombose na população geral, embora em menor magnitude do que nas NMP manifestas. Estudos mostram que a mutação JAK2V617F em CHIP confere risco aumentado de trombose venosa, especialmente trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Portanto, a afirmação de que o fenômeno "não foi associado" é incorreta.

A regra de ouro para esta questão: a CHIP é um estado de risco aumentado — para câncer hematológico, para doença cardiovascular e para trombose. Qualquer alternativa que sugira proteção ou risco semelhante ao da população geral está errada. A definição da CHIP, por sua vez, é o conceito central que a banca cobra na alternativa correta.

Gabarito: letra B

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