Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
Acerca das leucemias mieloides agudas, é correto afirmar que
Aa adição de gentuzumabe ozogamicina à quimioterapia de primeira linha revelou maior benefício em pacientes com citogenética de risco favorável t(8; 21) ou inv(16)/t(16; 16).
Ba decisão para Allo‑SCT é altamente individualizada, mas, muitas vezes, é recomendada, especialmente para LMA com t (16;16).
Ca incorporação de inibidores de FLT3 na primeira linha e o uso mais rotineiro de Allo‑SCT em CR1 não melhoram, de maneira significativa, a resposta de pacientes com mutação FLT3‑ITD.
Dos pacientes unfit com mutação FLT3‑ITD apresentam boa resposta à associação de hipometilante e venetoclax em primeira linha de tratamento.
Equalquer LMA com mutação FLT3‑ITD, agora, é considerada de risco baixo (na ausência de características de risco adverso).
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GabaritoA — a adição de gentuzumabe ozogamicina à quimioterapia de primeira linha revelou maior benefício em pacientes com citogenética de risco favorável t(8; 21) ou inv(16)/t(16; 16).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Leucemia mieloide aguda: tratamento e fatores prognósticos
Gabarito: letra A. A adição de gentuzumabe ozogamicina (GO) à quimioterapia de primeira linha demonstrou maior benefício em pacientes com citogenética de risco favorável, como t(8;21) ou inv(16)/t(16;16), conforme os dados de metanálise de ensaios clínicos randomizados. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a indicação de transplante, o papel dos inibidores de FLT3 e a classificação de risco da LMA.
A leucemia mieloide aguda (LMA) é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de mieloblastos na medula óssea, levando à insuficiência medular com anemia, infecções e sangramentos. O tratamento é dividido em fases: indução (para obter remissão completa), consolidação (para eliminar doença residual) e, em casos selecionados, transplante de células-tronco hematopoéticas (TCT). A escolha da terapia depende de fatores prognósticos, principalmente citogenéticos e moleculares, que classificam a doença em risco favorável, intermediário ou adverso.
A classificação de risco é fundamental para guiar o tratamento. Pacientes com aberrações como t(8;21), inv(16) ou del(16q) são considerados de risco favorável e têm excelente resposta à quimioterapia intensiva com citarabina em altas doses, com sobrevida de 55 a 60% em 5 anos. Nesses casos, o transplante alogênico em primeira remissão completa (CR1) geralmente não é recomendado, sendo adiado para o momento da recidiva. Por outro lado, alterações como deleções nos cromossomos 5 ou 7, inv(3q), t(6;9), t(9;22), cariótipo monossômico ou complexo conferem risco adverso, com baixas taxas de remissão e alta probabilidade de recidiva, sendo o TCT alogênico a melhor chance de cura.
A presença de mutações acionáveis, como FLT3-ITD, IDH1 e IDH2, também influencia a estratégia terapêutica. A mutação FLT3-ITD é um marcador de prognóstico desfavorável, associado a maior risco de recidiva. A incorporação de inibidores de FLT3 (como midostaurina) à quimioterapia de primeira linha melhorou a sobrevida desses pacientes, e o TCT alogênico em CR1 é frequentemente recomendado nesse cenário. Para pacientes não aptos à quimioterapia intensiva, a combinação de agentes hipometilantes (azacitidina ou decitabina) com venetoclax tornou-se o novo padrão de cuidado, com taxas de remissão em torno de 67%, mesmo em subgrupos de risco adverso.
A pegadinha central desta questão está na associação entre citogenética favorável e o benefício do GO, e na correta interpretação do papel do transplante e dos inibidores de FLT3. A banca explora a confusão entre risco favorável e indicação de transplante, e entre o benefício dos inibidores de FLT3 e a classificação de risco. Guarde bem: risco favorável (t(8;21), inv(16)) → quimioterapia + GO, sem TCT em CR1; risco adverso (FLT3-ITD, citogenética complexa) → TCT alogênico recomendado.
Quimioterapia + inibidores de FLT3 (ex.: midostaurina)
Transplante alogênico em CR1
Não recomendado (adiar até recidiva)
Frequentemente recomendado (melhor chance de cura)
Prognóstico
Excelente (sobrevida 55–60% em 5 anos)
Sombrio (alto risco de recidiva)
LMA: fatores prognósticos: Risco favorável (t(8;21), inv(16)/t(16;16), GO na 1ª linha, TCT em CR1 (adiar p/ recidiva)); Risco adverso (Citogenética complexa, FLT3-ITD, TCT alogênico em CR1, Inibidores de FLT3); Paciente unfit (Hipometilante + venetoclax)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. O texto de apoio afirma que "Foi demonstrada melhoria adicional dos resultados com a adição de gentuzumabe ozogamicina (GO), um anticorpo conjugado dirigido contra o antígeno de superfície CD33+ expresso na maioria dos blastos mieloides. Em metanálise de cinco ensaios clínicos randomizados controlados, a adição de terapia de indução e consolidação à base de GO 7+3 melhorou em 20% a taxa de sobrevida global em comparação com a quimioterapia isoladamente." Esse benefício é particularmente evidente em pacientes com citogenética de risco favorável, como t(8;21) ou inv(16)/t(16;16), que são "singularmente responsivos à quimioterapia de indução seguida de dois a quatro ciclos de consolidação com citosina arabinosídeo em alta dose". Portanto, a adição de GO à primeira linha é uma estratégia validada para esse subgrupo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a decisão para Allo-SCT é "muitas vezes recomendada, especialmente para LMA com t(16;16)". Isso está incorreto. A t(16;16) é uma alteração de risco favorável, e o texto de apoio afirma que "Os pacientes com LMA com características favoráveis potencialmente responsivos à quimioterapia com citarabina em alta dose são incentivados a adiar o TCT até o momento da recidiva." Ou seja, para risco favorável, o transplante alogênico em CR1 não é recomendado; ele é reservado para casos de recidiva. A recomendação de TCT em CR1 é para pacientes de risco adverso, como aqueles com citogenética complexa ou mutação FLT3-ITD.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a incorporação de inibidores de FLT3 na primeira linha e o uso mais rotineiro de Allo-SCT em CR1 "não melhoram, de maneira significativa, a resposta de pacientes com mutação FLT3-ITD". Isso é falso. O texto de apoio menciona que "Os inibidores de agente único de FLT3, IDH1 e IDH2 mutantes demonstraram ser superiores à quimioterapia convencional nos pacientes com doença mutante apropriada." Além disso, a mutação FLT3-ITD é associada a prognóstico sombrio, e o TCT alogênico é recomendado como melhor chance de cura para pacientes de risco adverso. Portanto, tanto os inibidores de FLT3 quanto o TCT em CR1 melhoram significativamente a resposta e a sobrevida desses pacientes.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que pacientes unfit com mutação FLT3-ITD apresentam "boa resposta à associação de hipometilante e venetoclax em primeira linha de tratamento". Embora a combinação de hipometilante e venetoclax seja eficaz em pacientes não aptos, com taxas de remissão de 67%, o texto de apoio não especifica que essa resposta é particularmente boa no subgrupo com mutação FLT3-ITD. Na verdade, a presença de FLT3-ITD é um fator de prognóstico desfavorável, e a resposta a essa combinação pode ser inferior em comparação com outros subgrupos. A alternativa generaliza indevidamente a boa resposta, sem respaldo no texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "qualquer LMA com mutação FLT3-ITD, agora, é considerada de risco baixo (na ausência de características de risco adverso)". Isso é incorreto. O texto de apoio classifica as mutações FLT3-ITD como "associadas a um prognóstico sombrio", ou seja, de risco adverso, não baixo. A mutação FLT3-ITD é um marcador de mau prognóstico, independentemente da presença de outras características de risco adverso. Portanto, a afirmação inverte completamente a classificação de risco.