Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
Uma paciente de 36 anos de idade, com linfoma difuso de grandes células B, estádio IIIB. PET/CT, após tratamento quimioterápico, revelou adenomegalia axilar de 3,0x3,2 cm com SUV máx. 3,0. Não havia hipermetabolismo em outras regiões. SUV máx. hepático de 4,4 e SUV pool mediastinal de 2,0.Com base nessa situação hipotética e de acordo com escala Deuville, pode‑se classificar o caso como
ADeuville 1, com elevado risco de recidiva por apresentar massa superior a 1 cm.
BDeuville 2, correspondendo a resposta parcial, se a captação for inferior à captação de PET basal.
CDeuville 3, significando resposta completa, a despeito de persistência de massa na TC.
DDeuville 4, significando progressão de doença, se a captação for superior ao PET basal.
EDeuville 5, característico da doença com infiltração medular.
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GabaritoC — Deuville 3, significando resposta completa, a despeito de persistência de massa na TC.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Escala Deauville na avaliação de resposta ao tratamento de linfoma
Gabarito: letra C. A escala Deauville é um sistema de 5 pontos que compara a captação de FDG nas lesões residuais com a captação fisiológica de referência (mediastino e fígado). Neste caso, o SUV máx. da adenomegalia residual (3,0) é maior que o SUV do pool mediastinal (2,0), porém menor que o SUV hepático (4,4), o que corresponde ao Deauville 3, que significa resposta metabólica completa, mesmo com persistência de massa na TC.
A escala Deauville foi desenvolvida para padronizar a interpretação do PET/CT na avaliação de resposta ao tratamento de linfomas, especialmente o linfoma de Hodgkin e o linfoma difuso de grandes células B (LDGCB). Ela é baseada na comparação visual da captação de FDG (fluordesoxiglicose) nas lesões residuais com a captação em dois sítios de referência: o mediastino (pool sanguíneo) e o fígado. Essa comparação é feita em uma escala de 1 a 5, onde cada ponto tem um significado prognóstico e terapêutico distinto.
A lógica da escala é simples: quanto maior a captação residual, maior a probabilidade de doença ativa. Os pontos 1 e 2 indicam resposta metabólica completa (ausência de captação ou captação menor que o mediastino). O ponto 3 indica captação maior que o mediastino, mas menor ou igual ao fígado — também é considerado resposta metabólica completa, pois pode representar inflamação residual ou tecido fibrótico. Os pontos 4 e 5 indicam captação moderadamente ou marcadamente maior que o fígado, respectivamente, sendo considerados doença metabólica residual ou progressão.
Na prática clínica, a escala Deauville é utilizada para guiar decisões terapêuticas, especialmente em linfomas agressivos. Por exemplo, em pacientes com LDGCB, um PET/CT intermediário com Deauville 4 ou 5 pode indicar a necessidade de mudança de tratamento, enquanto Deauville 1-3 é considerado resposta adequada. É importante notar que a escala avalia o metabolismo da lesão, não o tamanho da massa residual — uma massa residual na TC pode ser apenas fibrose, sem atividade metabólica significativa.
A pegadinha desta questão está em associar o tamanho da massa (3,0 x 3,2 cm) com o risco de recidiva, quando na verdade o que importa é o SUV (atividade metabólica). A banca também explora a confusão entre os pontos da escala e os conceitos de resposta parcial, progressão e infiltração medular, que não são definidos pela escala Deauville.
Guarde a relação entre o SUV da lesão e os valores de referência (mediastino e fígado): é exatamente essa comparação que define o ponto da escala e, consequentemente, a resposta ao tratamento.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O Deauville 1 é definido como ausência de captação ou captação menor que o pool mediastinal. Neste caso, a lesão tem SUV 3,0, maior que o mediastino (2,0), portanto não pode ser Deauville 1. Além disso, a escala Deauville não avalia o tamanho da massa (1 cm ou 3 cm), mas sim a intensidade metabólica. O tamanho da massa não é critério para classificação na escala, e o risco de recidiva não é determinado pelo tamanho, mas pela atividade metabólica residual.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O Deauville 2 é definido como captação maior que o pool mediastinal, mas menor ou igual ao fígado. Neste caso, a lesão tem SUV 3,0, que é maior que o mediastino (2,0) e menor que o fígado (4,4), o que se enquadraria no Deauville 3, não no 2. Além disso, a alternativa menciona "resposta parcial" e compara com o PET basal, o que não é o critério da escala Deauville — ela compara com o mediastino e o fígado, não com o exame basal. A resposta parcial é um conceito dos critérios de Lugano, não da escala Deauville.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Deauville 3 é definido como captação maior que o pool mediastinal, mas menor ou igual ao fígado. A lesão axilar tem SUV 3,0, que é maior que o mediastino (2,0) e menor que o fígado (4,4), portanto se enquadra exatamente no Deauville 3. Este ponto da escala é considerado resposta metabólica completa, mesmo que a TC ainda mostre massa residual — a massa pode ser apenas fibrose ou tecido cicatricial, sem atividade metabólica significativa. A alternativa está correta ao afirmar que há resposta completa, a despeito da persistência de massa na TC.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Deauville 4 é definido como captação moderadamente maior que o fígado. Neste caso, a lesão tem SUV 3,0, que é menor que o fígado (4,4), portanto não pode ser Deauville 4. A alternativa também menciona "progressão de doença" e compara com o PET basal, o que não é o critério da escala Deauville. A progressão de doença é definida pelos critérios de Lugano, que incluem o aparecimento de novas lesões ou aumento de lesões prévias, não apenas a intensidade metabólica em relação ao fígado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O Deauville 5 é definido como captação marcadamente maior que o fígado, ou presença de novas lesões. Neste caso, a lesão tem SUV 3,0, que é menor que o fígado (4,4), portanto não pode ser Deauville 5. Além disso, a escala Deauville não avalia infiltração medular — essa avaliação é feita por biópsia de medula óssea ou, mais recentemente, por PET/CT com padrão difuso de captação medular, mas isso não é um critério da escala Deauville. A infiltração medular é um achado de estadiamento, não de resposta ao tratamento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato associando o tamanho da massa (3,0 x 3,2 cm) com o risco de recidiva, quando na verdade o que define a escala Deauville é a intensidade metabólica (SUV) em relação ao mediastino e ao fígado. Outra armadilha é trocar os conceitos de resposta parcial, progressão e infiltração medular, que não são definidos pela escala Deauville, mas sim pelos critérios de Lugano e pela biópsia de medula. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões sobre a escala Deauville, memorize a sequência de comparação: 1 (sem captação) → 2 (≤ mediastino) → 3 (> mediastino, ≤ fígado) → 4 (moderadamente > fígado) → 5 (marcadamente > fígado ou novas lesões). Na prova, identifique o SUV da lesão e compare com os valores de referência fornecidos no enunciado — o ponto da escala é definido por essa comparação, não pelo tamanho da massa.