Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
Em relação ao concentrado de plaquetas (CP), assinale a alternativa correta.
AUma unidade de CP unitária deve conter, pelo menos, 7,5 x 10¹⁰ plaquetas. Já as unidades por aférese contêm, pelo menos, 5,0 x 10¹¹.
BA trombocitopenia na dengue hemorrágica é causada pela presença de anticorpos que, dirigidos contra proteínas virais, apresentam reação cruzada contra os antígenos plaquetários, o que confere refratariedade à transfusão de CP.
CContagens superiores a 50.000/µL são suficientes para a maioria das intervenções, exceto para os procedimentos neurocirúrgicos e oftalmológicos, nos quais são exigidos níveis superiores 100.000/µL.
DNa púrpura trombocitopênica trombótica e na plaquetopenia induzida por heparina, a transfusão profilática de CP para realização de procedimentos invasivos deve ser executada para manter os níveis plaquetários acima de 50.000/mm³.
EAs plaquetas não possuem antígenos ABO na sua superfície, portanto a transfusão de CP ABO incompatíveis não compromete o incremento da contagem pós‑transfusional.
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GabaritoC — Contagens superiores a 50.000/µL são suficientes para a maioria das intervenções, exceto para os procedimentos neurocirúrgicos e oftalmológicos, nos quais são exigidos níveis superiores 100.000/µL.
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Concentrado de Plaquetas: Transfusão e Limiares
Gabarito: letra C. A alternativa correta afirma que contagens acima de 50.000/µL são suficientes para a maioria das intervenções, exceto para procedimentos neurocirúrgicos e oftalmológicos, que exigem níveis superiores a 100.000/µL. Essa é a recomendação clássica de limiar transfusional profilático, baseada em diretrizes de hemoterapia e na prática clínica consolidada.
A transfusão de concentrado de plaquetas (CP) é um pilar no manejo de pacientes trombocitopênicos, seja para prevenir sangramento (profilática) ou para tratar hemorragia ativa (terapêutica). O limiar transfusional profilático padrão é de 10.000/µL para pacientes estáveis, mas eleva-se para 50.000/µL em procedimentos invasivos ou sangramento ativo. A exceção crítica a essa regra são as cirurgias neurológicas e oftalmológicas, onde o risco de sangramento em cavidades fechadas (crânio, olho) é devastador, exigindo contagens mais altas, em torno de 100.000/µL. Essa distinção é fundamental e frequentemente cobrada em provas de hematologia e medicina transfusional.
A lógica por trás desses limiares é o equilíbrio entre o risco de sangramento e os riscos da transfusão (reações transfusionais, sobrecarga volêmica, aloimunização). Em locais de alto risco cirúrgico, como o sistema nervoso central e o olho, mesmo pequenos sangramentos podem ter consequências graves e irreversíveis, justificando um limiar mais conservador. Por outro lado, em procedimentos de menor risco, como biópsias superficiais ou acessos venosos, limiares mais baixos são aceitáveis, evitando transfusões desnecessárias.
Na prática, a decisão de transfundir plaquetas não se baseia apenas na contagem, mas também na etiologia da trombocitopenia, na presença de disfunção plaquetária, no risco do procedimento e no estado clínico do paciente. Por exemplo, um paciente com púrpura trombocitopênica imune (PTI) pode ter sangramento mínimo mesmo com contagens muito baixas, enquanto um paciente com uremia e disfunção plaquetária pode sangrar com contagens normais. A individualização é a chave.
A pegadinha desta questão está em inverter os limiares ou em apresentar situações em que a transfusão profilática é contraindicada ou não recomendada, como na púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) e na plaquetopenia induzida por heparina (HIT), onde a transfusão pode piorar o quadro. Guarde bem a fronteira entre os limiares de 50.000 e 100.000/µL e as contraindicações específicas: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
Os valores estão invertidos. Uma unidade de CP unitária (randômica) deve conter, pelo menos, 5,5 x 10¹⁰ plaquetas, e não 7,5 x 10¹⁰. Já as unidades por aférese contêm, pelo menos, 2,0 a 3,0 x 10¹¹ plaquetas, e não 5,0 x 10¹¹. A banca trocou os números para confundir o candidato que não domina os padrões de qualidade dos hemocomponentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A trombocitopenia na dengue hemorrágica é causada por mecanismos complexos, incluindo destruição imune e consumo, mas a descrição de "reação cruzada contra antígenos plaquetários" que confere "refratariedade à transfusão" é imprecisa e não corresponde à fisiopatologia clássica. A refratariedade à transfusão de plaquetas é mais comumente associada a aloimunização (anticorpos anti-HLA) ou a condições como febre, sepse, esplenomegalia e coagulação intravascular disseminada (CIVD), não à dengue em si.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a recomendação padrão. Para a maioria dos procedimentos invasivos, o limiar de 50.000/µL é suficiente. No entanto, para cirurgias neurológicas e oftalmológicas, o limiar é elevado para 100.000/µL, devido ao risco de sangramento em locais de alto risco. Essa diretriz é amplamente aceita e baseada em consensos de hemoterapia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Na púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) e na plaquetopenia induzida por heparina (HIT), a transfusão de plaquetas é contraindicada ou deve ser evitada, pois pode piorar a trombose e o consumo plaquetário. A transfusão profilática para manter níveis acima de 50.000/mm³ não é recomendada nesses contextos, exceto em situações de sangramento com risco de morte.
Alternativa E — ❌ Incorreta
As plaquetas expressam antígenos ABO em sua superfície. A transfusão de CP ABO incompatíveis pode comprometer o incremento pós-transfusional, devido à destruição das plaquetas por anticorpos ABO do receptor. Por isso, recomenda-se a compatibilidade ABO sempre que possível, embora a incompatibilidade não seja contraindicação absoluta.