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Questão de Medicina — Hematologia — Quadrix 2024

MedicinaHematologia
Código
qg355574
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidade: Transplante de Medula Óssea
Um paciente de 72 anos de idade, previamente hígido, foi internado por fratura de úmero, após um trauma. Foi submetido à redução e à fixação interna, sem evidência local de doença óssea. A eletroforese e a imunofixação de proteínas séricas mostraram uma proteína monoclonal IgM κ (0,7 g/dL). O hemograma, a creatinina e a função renal encontravam‑se normais. A avaliação radiológica esquelética não mostra defeitos ósseos adicionais.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a afirmação verdadeira, considerando o quadro desse paciente.
  1. AEle tem um raro mieloma múltiplo IgM, e isso requer tratamento imediato com daratumumabe.
  2. BEle tem um risco menor de uma neoplasia linfocítica ou de células plasmáticas clinicamente significativas que os pacientes com uma proteína monoclonal IgG.
  3. CUma cintilografia óssea com radioisótopo pode ser útil para confirmar a integridade óssea.
  4. DEle requer acompanhamento regular e medições seriadas de seu nível de proteína monoclonal.
  5. EEle tem um risco anual de 10% de mieloma múltiplo.
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GabaritoD — Ele requer acompanhamento regular e medições seriadas de seu nível de proteína monoclonal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI) e risco de progressão

Gabarito: letra D. O paciente apresenta uma gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI) — proteína monoclonal IgM κ de baixo nível (0,7 g/dL), sem anemia, sem lesão renal, sem lesões ósseas líticas e sem sintomas — e a conduta correta é acompanhamento regular com medições seriadas da proteína monoclonal, pois a GMSI é uma condição pré-maligna com risco de progressão de cerca de 1% ao ano. A alternativa D reflete exatamente essa recomendação de vigilância, alinhada ao conceito de GMSI como entidade clínica distinta do mieloma múltiplo e da macroglobulinemia de Waldenström.

A gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI) é uma condição pré-maligna caracterizada pela presença de uma proteína monoclonal (proteína M) no soro, em concentração inferior a 3 g/dL, com menos de 10% de plasmócitos na medula óssea e ausência de lesões ósseas, anemia, hipercalcemia ou insuficiência renal atribuíveis à discrasia. É uma entidade muito mais comum que o mieloma múltiplo, ocorrendo em cerca de 3% da população acima de 50 anos, e sua frequência aumenta com a idade. O paciente do caso, com 72 anos, se encaixa perfeitamente nesse perfil: a proteína monoclonal é de baixo nível (0,7 g/dL), o hemograma e a função renal estão normais, e a avaliação radiológica não mostra defeitos ósseos adicionais — ou seja, não há critérios para diagnóstico de mieloma múltiplo ou de macroglobulinemia de Waldenström.

A distinção entre GMSI e neoplasias malignas de plasmócitos é crucial. O mieloma múltiplo é um distúrbio maligno de plasmócitos que infiltra a medula óssea e o osso, produzindo imunoglobulina monoclonal e causando lesões líticas, anemia, hipercalcemia e insuficiência renal. A macroglobulinemia de Waldenström, por sua vez, é uma neoplasia de linfócitos plasmocitoides que secretam IgM, associada a linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e síndrome da hiperviscosidade. No caso apresentado, a ausência de sintomas, a normalidade do hemograma e da função renal e a ausência de lesões ósseas afastam ambas as neoplasias, confirmando o diagnóstico de GMSI.

O risco de progressão da GMSI para mieloma múltiplo ou outra discrasia maligna é de aproximadamente 1% ao ano. Esse risco é maior em pacientes com proteína M do tipo IgA ou IgM, com concentrações iniciais de proteína M superiores a 1,5 g/dL e com proporção anormal entre cadeias leves κ e λ livres. No caso, o paciente tem IgM κ a 0,7 g/dL, ou seja, abaixo do limiar de 1,5 g/dL, o que indica risco relativamente menor. A recomendação é que pacientes com GMSI sejam submetidos a avaliação anual, incluindo eletroforese do soro, para detectar progressão antes do início dos sintomas ou complicações evidentes. Essa é a conduta padrão, independentemente do subtipo de imunoglobulina.

A alternativa D é a única que reflete essa recomendação de acompanhamento regular e medições seriadas da proteína monoclonal. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a A afirma que se trata de mieloma múltiplo IgM raro, o que não é o caso, pois não há critérios diagnósticos; a B inverte a lógica, pois o risco de progressão é maior, não menor, em pacientes com IgM; a C sugere cintilografia óssea, que não é o exame adequado para avaliar lesões líticas do mieloma (a radiografia ou a ressonância magnética seriam mais apropriadas); e a E afirma um risco anual de 10%, que é dez vezes maior que o real.

A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar a GMSI como uma neoplasia maligna, quando na verdade é uma condição pré-maligna que exige apenas vigilância. O candidato que não domina o conceito de GMSI pode facilmente cair na alternativa A, que sugere tratamento imediato, ou na alternativa E, que superestima o risco de progressão. A chave é reconhecer que a ausência de critérios para mieloma múltiplo ou macroglobulinemia de Waldenström define a GMSI como uma entidade benigna que requer acompanhamento, não tratamento.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente tem um raro mieloma múltiplo IgM e requer tratamento imediato com daratumumabe. O erro é duplo: primeiro, o quadro não preenche critérios para mieloma múltiplo — a proteína monoclonal é de baixo nível (0,7 g/dL), o hemograma e a função renal estão normais e não há lesões ósseas líticas. Segundo, o daratumumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD38 usado no tratamento do mieloma múltiplo, não na GMSI, que é uma condição pré-maligna sem indicação de tratamento. A GMSI IgM é uma variante, mas não é um mieloma IgM raro; o mieloma IgM é uma entidade extremamente rara e distinta, e mesmo assim exigiria critérios diagnósticos que não estão presentes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente tem risco menor de neoplasia linfocítica ou de células plasmáticas clinicamente significativas que os pacientes com proteína monoclonal IgG. O erro está na inversão do risco: o risco de progressão é maior, não menor, em pacientes com proteína M do tipo IgM ou IgA, em comparação com IgG. O texto de apoio confirma que "o risco de progressão é maior entre os pacientes com IgA ou proteínas M do tipo IgM". Portanto, a afirmação está incorreta por inverter a relação de risco.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que uma cintilografia óssea com radioisótopo pode ser útil para confirmar a integridade óssea. O erro é conceitual: a cintilografia óssea é um exame que avalia a atividade osteoblástica e é útil para detectar metástases ósseas ou infecções, mas não é o exame de escolha para avaliar lesões líticas do mieloma múltiplo, que são melhor visualizadas por radiografia convencional, ressonância magnética ou tomografia computadorizada. Além disso, no caso, a avaliação radiológica esquelética já não mostrou defeitos ósseos adicionais, e a cintilografia não acrescentaria informação relevante para o diagnóstico de GMSI.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o paciente requer acompanhamento regular e medições seriadas de seu nível de proteína monoclonal. Esta é exatamente a conduta recomendada para pacientes com GMSI. O texto de apoio confirma: "recomenda-se que os pacientes sejam submetidos a avaliação anual, incluindo eletroforese do soro, para detectar a ocorrência de progressão para mieloma múltiplo antes do início dos sintomas ou das complicações evidentes". O acompanhamento regular com medições seriadas da proteína monoclonal é a pedra angular do manejo da GMSI, permitindo detectar precocemente a progressão para uma neoplasia maligna.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente tem um risco anual de 10% de mieloma múltiplo. O erro é numérico: o risco real de progressão da GMSI para mieloma múltiplo ou outra discrasia maligna é de aproximadamente 1% ao ano, não 10%. O texto de apoio confirma: "a progressão da GMSI para uma neoplasia de plasmócitos franca só ocorre em cerca de 1% dos pacientes por ano". O valor de 10% é dez vezes maior que o real e não corresponde a nenhuma taxa de progressão conhecida para GMSI.

Gabarito: letra D

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