Questão de Medicina — Médico da Família — Quadrix 2024
Medicina›Médico da Família
Código
qg355585
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Em uma unidade básica de saúde (UBS) manter de um bairro periférico, a equipe de saúde observou que muitos pacientes com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, apresentavam dificuldades para seguir o tratamento recomendado. A adesão às orientações médicas e ao uso de medicamentos foi baixa, e os profissionais de saúde identificaram que muitos pacientes tinham barreiras relacionadas ao entendimento sobre a doença e o autocuidado. A equipe decidiu implementar uma estratégia para melhorar a adesão ao tratamento e a compreensão dos pacientes sobre a importância do cuidado contínuo.Com base nessa situação hipotética, o método para promover a adesão ao tratamento dos pacientes com doenças crônicas nessa UBS é
Afornecer panfletos informativos sobre o tratamento de cada condição.
Brealizar consultas para cada paciente.
Cimplementar grupos de apoio na UBS para troca de experiências entre pacientes com doenças crônicas.
Daumentar a frequência das consultas para todos os pacientes com doenças crônicas.
Eencaminhar o paciente para a rede de referência.
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GabaritoC — implementar grupos de apoio na UBS para troca de experiências entre pacientes com doenças crônicas.
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Adesão ao tratamento de doenças crônicas na Atenção Primária
Gabarito: letra C. A estratégia mais eficaz para promover a adesão ao tratamento em pacientes com doenças crônicas, diante de barreiras de entendimento e autocuidado, é a implementação de grupos de apoio na UBS para troca de experiências entre pacientes. Essa abordagem coletiva, centrada no autocuidado apoiado e na educação em saúde, é um dos pilares do Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC) e da Política Nacional de Atenção Básica, superando a mera transmissão de informação.
O problema central descrito no enunciado não é a falta de informação técnica, mas sim a dificuldade dos pacientes em compreender a doença e incorporar o autocuidado na rotina. A baixa adesão em doenças crônicas é multifatorial, envolvendo fatores relacionados ao paciente (letramento em saúde, crenças, motivação), à doença, à terapia, ao sistema de saúde e a aspectos socioeconômicos. Estratégias puramente informativas, como panfletos, ou meramente administrativas, como aumentar a frequência de consultas, têm eficácia limitada quando não abordam as barreiras psicossociais e de compreensão.
O autocuidado apoiado, elemento central do MACC, visa ampliar a autonomia do usuário por meio de intervenções individuais e coletivas. Os grupos de apoio operacionalizam esse conceito ao criar um espaço de educação em saúde, troca de experiências e suporte emocional entre pares. Nesse ambiente, o paciente deixa de ser um receptor passivo de orientações e torna-se protagonista do cuidado, compartilhando vivências, estratégias de enfrentamento e construindo conhecimento de forma colaborativa. A literatura e as diretrizes de hipertensão arterial recomendam explicitamente estratégias envolvendo a atuação de equipe multiprofissional e recursos de educação para promover melhorias na adesão.
A distinção crucial que separa as alternativas é a natureza da intervenção: individual-informativa versus coletiva-educativa. Enquanto panfletos e consultas individuais tradicionais focam na transmissão unilateral de informações, os grupos de apoio promovem um processo dialógico e contínuo de educação em saúde, que aborda o entendimento sobre a doença, o manejo do tratamento e o impacto emocional da condição crônica. É exatamente essa abordagem que responde às barreiras identificadas no enunciado: dificuldades de entendimento e de autocuidado.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que são ações válidas na atenção básica, mas que não são o método mais eficaz para o problema específico descrito. O candidato pode ser tentado a escolher "realizar consultas" ou "fornecer panfletos", por serem ações concretas e rotineiras. No entanto, a questão pede o método para promover a adesão diante de barreiras de compreensão e autocuidado, e a resposta correta é a que aborda essas barreiras de forma coletiva e participativa. Guarde essa fronteira: informação isolada não muda comportamento; o suporte coletivo e o empoderamento do paciente são os caminhos para a adesão.
Adesão ao tratamento (doenças crônicas)
1Barreiras identificadas
Entendimento sobre a doença
Autocuidado
2Estratégias ineficazes
Panfletos informativos
Aumentar frequência de consultas
Encaminhar à referência
3Estratégia eficaz
Grupos de apoio na UBS
Troca de experiências
Educação em saúde coletiva
Autocuidado apoiado (MACC)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Fornecer panfletos informativos é uma ação de educação em saúde, mas de caráter passivo e unidirecional. Não há garantia de que o paciente leia, compreenda ou aplique a informação. Embora o material impresso possa ser um apoio, ele não aborda as barreiras de entendimento e autocuidado de forma eficaz, pois não promove a troca de experiências nem o suporte emocional, elementos-chave para a mudança de comportamento em doenças crônicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Realizar consultas para cada paciente é a prática padrão da atenção básica, mas não é, por si só, um método específico para melhorar a adesão. A consulta individual tradicional pode ser insuficiente para abordar as múltiplas barreiras (entendimento, crenças, motivação) que afetam a adesão, especialmente se não for centrada na pessoa e no autocuidado apoiado. A alternativa não apresenta uma estratégia diferenciada, apenas repete o que já é feito, sem responder ao problema de baixa adesão.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Implementar grupos de apoio na UBS para troca de experiências entre pacientes com doenças crônicas é a estratégia que melhor se alinha ao conceito de autocuidado apoiado e à educação em saúde coletiva. Os grupos permitem que os pacientes compartilhem vivências, aprendam uns com os outros e recebam suporte emocional, o que fortalece a compreensão sobre a doença e o engajamento no tratamento. Essa abordagem é recomendada pelas diretrizes de manejo de doenças crônicas e é um dos pilares do MACC, sendo a mais eficaz para superar as barreiras de entendimento e autocuidado descritas no enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Aumentar a frequência das consultas para todos os pacientes com doenças crônicas é uma medida administrativa que não aborda diretamente as causas da baixa adesão. Consultas mais frequentes podem até aumentar o contato com a equipe, mas, se a abordagem continuar sendo a mesma (transmissão de informações), o problema de compreensão e autocuidado persistirá. Além disso, essa medida pode sobrecarregar a equipe e não é uma estratégia baseada em evidências para melhorar a adesão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Encaminhar o paciente para a rede de referência é uma conduta adequada em casos de necessidade de avaliação especializada, mas não é o método para promover a adesão ao tratamento. O encaminhamento não resolve as barreiras de entendimento e autocuidado, que devem ser abordadas na própria atenção primária, com estratégias de educação em saúde e apoio psicossocial. A alternativa foge do escopo do problema apresentado, que é a baixa adesão na UBS.