Questão de Medicina — Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica — Quadrix 2024
Medicina›Aspectos de Ética na Pesquisa, Ética Médica e Perícia Médica
Código
qg355596
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Um artigo concluiu que o uso de um determinado medicamento reduziu o tempo de internação hospitalar em pacientes com uma doença crônica. A amostra do estudo, porém, é pequena e não randomizada.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a principal limitação desse estudo.
Aausência de um grupo de controle
Bfalta de representatividade da amostra
Cincapacidade de generalizar os resultados
Duso de uma medida de desfecho subjetiva
Ecusto elevado do medicamento
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GabaritoC — incapacidade de generalizar os resultados
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Validade externa e generalização em pesquisa clínica
Gabarito: letra C. A principal limitação de um estudo com amostra pequena e não randomizada é a incapacidade de generalizar os resultados para a população mais ampla — ou seja, a perda de validade externa. A randomização e o tamanho amostral são pilares da Medicina Baseada em Evidências para que as conclusões possam ser extrapoladas com segurança.
A pesquisa clínica busca responder perguntas sobre uma população-alvo a partir de uma amostra. Quando a amostra é pequena e não randomizada, o estudo perde representatividade e, consequentemente, a capacidade de generalização — o que chamamos de validade externa. A validade externa é a propriedade que permite aplicar os achados do estudo a outros grupos, contextos e tempos. Sem randomização, há risco de viés de seleção: os grupos podem diferir sistematicamente em características que influenciam o desfecho, e não apenas pela intervenção estudada. Com amostra pequena, o poder estatístico é reduzido, aumentando a chance de erro tipo II (não detectar um efeito real) e tornando as estimativas imprecisas.
Na prática, imagine um estudo que conclui que um medicamento reduz o tempo de internação em pacientes com doença crônica, mas avaliou apenas 30 pacientes de um único hospital, escolhidos por conveniência. Os resultados podem ser verdadeiros para aqueles 30 pacientes, mas não há garantia de que se repetirão em outros hospitais, em outras regiões ou em pacientes com características diferentes. A falta de randomização também impede o controle adequado de fatores de confusão — variáveis que se associam tanto à exposição quanto ao desfecho e que podem explicar a associação observada.
A distinção central aqui é entre validade interna e validade externa. A validade interna diz respeito à qualidade da inferência para a própria amostra do estudo — se as conclusões sobre a relação entre intervenção e desfecho são corretas para aqueles participantes. A validade externa diz respeito à generalização para a população-alvo. Um estudo pode ter boa validade interna e ainda assim ter validade externa limitada, se a amostra não for representativa. A randomização é uma ferramenta que fortalece principalmente a validade interna, ao distribuir equitativamente os fatores de confusão entre os grupos; o tamanho amostral adequado fortalece a precisão e o poder. Mas é a combinação de amostra representativa e delineamento adequado que garante a generalização.
A banca explora exatamente essa fronteira: o enunciado descreve uma amostra pequena e não randomizada, e as alternativas misturam problemas de validade interna (ausência de grupo de controle), de mensuração (desfecho subjetivo) e de relevância prática (custo). O candidato precisa identificar qual desses problemas é o mais diretamente decorrente das características descritas. A ausência de randomização e o tamanho reduzido comprometem, em primeiro lugar, a capacidade de generalizar — é essa a limitação que salta do enunciado.
Validade externa (generalização)
1Comprometida por
Amostra pequena
Baixo poder estatístico
Estimativas imprecisas
Não randomizada
Viés de seleção
Confundidores não controlados
2Consequência
Resultados não generalizáveis
3Distinção
Validade interna (relação causa-efeito na amostra)
Validade externa (aplicação à população)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ausência de um grupo de controle é um problema metodológico grave, mas não é a limitação principal descrita. O enunciado não afirma que não houve grupo de controle; afirma que a amostra é pequena e não randomizada. Um estudo pode ter grupo de controle e ainda assim ter amostra não representativa. A ausência de controle comprometeria a validade interna de forma mais direta, mas não é o que o enunciado aponta como característica do estudo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A falta de representatividade da amostra é uma consequência próxima da amostra pequena e não randomizada, mas a alternativa C é mais precisa ao nomear a consequência final: a incapacidade de generalizar. A representatividade é um atributo da amostra; a generalização é a capacidade de aplicar os resultados à população. A banca coloca as duas como alternativas para testar se o candidato distingue o meio (representatividade) do fim (generalização). A limitação principal, do ponto de vista do impacto do estudo, é a perda de validade externa — a incapacidade de generalizar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A amostra pequena e não randomizada compromete diretamente a validade externa do estudo, ou seja, a capacidade de generalizar os resultados para a população mais ampla de pacientes com a doença crônica. Sem randomização, há risco de viés de seleção; com amostra pequena, há imprecisão e baixo poder estatístico. Ambos os fatores tornam as conclusões específicas daquela amostra, sem garantia de que se aplicam a outros grupos. É exatamente isso que a alternativa C afirma.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O enunciado não menciona que o desfecho (tempo de internação) foi medido de forma subjetiva. Tempo de internação é um desfecho objetivo, mensurável em dias. A alternativa introduz um problema que não está descrito na situação hipotética. A subjetividade do desfecho seria uma limitação de mensuração, não relacionada ao tamanho da amostra ou à randomização.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O custo elevado do medicamento é uma consideração de farmacoeconomia e de acesso, não uma limitação metodológica do estudo. O enunciado trata de aspectos do delineamento (amostra pequena, não randomizada), não de aspectos econômicos. A alternativa foge completamente do escopo da pergunta, que pede a principal limitação do estudo em termos de validade científica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca coloca a alternativa B (falta de representatividade) como um distrator atraente, pois ela está intimamente ligada à resposta correta. A pegadinha está em distinguir o meio do fim: a representatividade é uma propriedade da amostra, enquanto a generalização é a consequência prática da perda de validade externa. O candidato que entende essa cadeia — amostra não representativa → resultados não generalizáveis — acerta a questão.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre limitações de estudos, identifique primeiro o tipo de validade comprometida: validade interna (relação causa-efeito dentro do estudo) ou validade externa (generalização). Amostra pequena e não randomizada → validade externa comprometida → incapacidade de generalizar. Guarde essa associação direta.