Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2024
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg355612
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Assinale a alternativa que apresenta fatores de risco para o desenvolvimento de câncer do colo do útero.
Anuliparidade, iniciação sexual precoce e diabetes
Bhipertensão, obesidade e diabetes
Cmultiparidade, elevado nível socioeconômico e antecedente familiar
Dmultiparidade, iniciação sexual precoce e baixo nível socioeconômico
Etabagismo, uso de drogas ilícitas e sedentarismo
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GabaritoD — multiparidade, iniciação sexual precoce e baixo nível socioeconômico
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Câncer de colo do útero: fatores de risco
Gabarito: letra D. A alternativa correta reúne três fatores de risco clássicos e bem documentados para o câncer de colo do útero: multiparidade, iniciação sexual precoce e baixo nível socioeconômico. Esses fatores se relacionam diretamente com a maior exposição ao HPV (papilomavírus humano), causa necessária da doença, e com a dificuldade de acesso ao rastreamento, como veremos a seguir.
O câncer de colo do útero é uma neoplasia com causa necessária bem estabelecida: a infecção persistente por subtipos de alto risco do HPV. Essa infecção é transmitida sexualmente, o que explica por que os principais fatores de risco estão ligados ao comportamento sexual e às condições socioeconômicas. A iniciação sexual precoce (antes dos 14-16 anos) aumenta o risco porque, na adolescência, a zona de transformação do colo uterino está em intensa atividade metaplásica, tornando o epitélio mais vulnerável à ação oncogênica do vírus. A multiparidade, por sua vez, está associada a maior exposição hormonal e a traumas cervicais repetidos, além de frequentemente se correlacionar com início sexual precoce e múltiplas parcerias. O baixo nível socioeconômico é um fator de risco indireto, mas poderoso: está associado a menor acesso a programas de rastreamento (Papanicolaou), maior prevalência de infecção por HPV e maior dificuldade de seguimento e tratamento de lesões precursoras.
É importante destacar que o tabagismo também é um fator de risco relevante, atuando como cofator de progressão do carcinoma invasor. No entanto, a alternativa E (tabagismo, uso de drogas ilícitas e sedentarismo) não é a correta porque, embora o tabagismo seja um fator de risco, o uso de drogas ilícitas e o sedentarismo não são fatores de risco estabelecidos para o câncer de colo do útero. A banca, nessa questão, explora o conhecimento dos fatores de risco específicos dessa neoplasia, diferenciando-os dos fatores de risco de outras doenças crônicas (como diabetes, hipertensão e obesidade, que são fatores de risco para câncer de endométrio, por exemplo).
A tabela abaixo resume os principais fatores de risco para o câncer de colo do útero, divididos em epidemiológicos e cofatores, conforme a literatura médica:
Categoria
Fatores de risco
Epidemiológicos
Iniciação sexual precoce (< 14 anos), múltiplos parceiros, gravidez precoce (< 20 anos), multiparidade, parcerias de alto risco, ISTs, baixo nível socioeconômico
Cofatores
Baixa imunidade, uso prolongado de contraceptivos orais, tabagismo, radiação prévia, deficiência de vitaminas A, C e E, infecções virais (HSV-2, HPV)
A pegadinha central desta questão é a inclusão de fatores de risco de outras neoplasias ou doenças crônicas nas alternativas incorretas. Por exemplo, a nuliparidade é fator de risco para câncer de mama e de endométrio, mas NÃO para câncer de colo do útero (na verdade, a multiparidade é que é fator de risco). Da mesma forma, diabetes, hipertensão e obesidade são fatores de risco para câncer de endométrio, não para o de colo do útero. O elevado nível socioeconômico, mencionado na alternativa C, é um fator de proteção, não de risco, pois está associado a maior acesso ao rastreamento e a melhores condições de saúde.
Guarde a distinção entre os fatores de risco do câncer de colo do útero (relacionados ao HPV e ao acesso ao rastreamento) e os do câncer de endométrio (relacionados ao estrogênio): é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Fatores de risco — câncer de colo do útero: Epidemiológicos (Iniciação sexual precoce, Multiparidade, Baixo nível socioeconômico, Múltiplos parceiros); Cofatores (Tabagismo, Imunossupressão, Contraceptivos orais prolongados); Não são fatores (Nuliparidade, Obesidade/diabetes/hipertensão, Elevado nível socioeconômico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A nuliparidade é fator de risco para câncer de mama e de endométrio, mas NÃO para câncer de colo do útero. Na verdade, a multiparidade é que é fator de risco para o câncer de colo do útero. A iniciação sexual precoce é um fator de risco correto, mas o diabetes não é fator de risco para essa neoplasia (é fator de risco para câncer de endométrio).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Hipertensão, obesidade e diabetes são fatores de risco para câncer de endométrio, não para câncer de colo do útero. A obesidade, por exemplo, aumenta o estrogênio circulante, estimulando o endométrio; o diabetes e a hipertensão também estão associados ao câncer endometrial. Nenhum desses é fator de risco para o câncer de colo do útero.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A multiparidade é um fator de risco correto, mas o elevado nível socioeconômico é um fator de PROTEÇÃO, não de risco. O antecedente familiar não é um fator de risco bem estabelecido para o câncer de colo do útero, ao contrário do que ocorre com o câncer de mama, por exemplo. O baixo nível socioeconômico é que é fator de risco, por estar associado a menor acesso ao rastreamento.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa reúne três fatores de risco clássicos e bem documentados: multiparidade, iniciação sexual precoce e baixo nível socioeconômico. A multiparidade e a iniciação sexual precoce aumentam a exposição ao HPV e a vulnerabilidade do epitélio cervical; o baixo nível socioeconômico está associado a menor acesso ao rastreamento e a maior prevalência da infecção. Esses fatores estão todos listados na literatura como fatores de risco para neoplasia intraepitelial cervical e carcinoma epidermoide.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tabagismo é um fator de risco correto para o câncer de colo do útero, atuando como cofator de progressão. No entanto, o uso de drogas ilícitas e o sedentarismo não são fatores de risco estabelecidos para essa neoplasia. O sedentarismo é fator de risco para várias doenças crônicas e alguns cânceres, mas não especificamente para o câncer de colo do útero.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura fatores de risco de outras neoplasias para confundir. A nuliparidade (fator de risco para câncer de mama e endométrio) aparece na alternativa A, enquanto a multiparidade (fator de risco para colo do útero) está na correta. Da mesma forma, diabetes, hipertensão e obesidade (fatores de risco para endométrio) aparecem na alternativa B. O candidato que não domina a distinção entre os fatores de risco de cada neoplasia ginecológica cai facilmente nessas armadilhas. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare os fatores de risco das principais neoplasias ginecológicas: câncer de colo do útero (HPV, iniciação sexual precoce, multiparidade, baixo nível socioeconômico, tabagismo), câncer de endométrio (obesidade, diabetes, hipertensão, nuliparidade, uso de estrogênio sem progesterona) e câncer de mama (nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia, história familiar, BRCA). Essa tabela mental resolve muitas questões de ginecologia.