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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg355617
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Uma paciente de 23 anos de idade relatou ter corrimento branco amarelado com odor desagradável, que piora quando mantém relações sexuais. Ao exame especular, o colo uterino estava aparentemente normal, e o conteúdo vaginal era branco leitoso. Ao realizar exame a fresco com soro fisiológico, o médico encontrou diversas células, descritas como clue cells ou células alvos.Com base nessa situação hipotética, esses achados sugerem
  1. Acandidíase vaginal.
  2. Binfecção por Trichomonas vaginalis.
  3. Cinfecção por Gardnerella vaginalis.
  4. Dinfecção por HPV
  5. Einfecção por HIV.
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GabaritoC — infecção por Gardnerella vaginalis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vaginose bacteriana: diagnóstico pela microscopia a fresco

Gabarito: letra C. O quadro descrito — corrimento branco-amarelado com odor desagradável que piora após relação sexual, colo uterino normal, conteúdo vaginal branco leitoso e, sobretudo, a presença de clue cells (células-alvo) no exame a fresco com soro fisiológico — é o padrão clássico da vaginose bacteriana, causada pela Gardnerella vaginalis. O achado de clue cells é o marcador diagnóstico mais específico dessa condição, e é exatamente esse termo que a alternativa C espelha.

A vaginose bacteriana (VB) é a causa mais comum de corrimento vaginal patológico em mulheres em idade reprodutiva. Trata-se de uma infecção endógena, ou seja, não é transmitida sexualmente: ocorre um desequilíbrio da flora vaginal normal, com substituição dos lactobacilos (que produzem peróxido de hidrogênio e mantêm o pH ácido) por um crescimento excessivo de bactérias anaeróbicas, principalmente a Gardnerella vaginalis, além de Mobiluncus e Atopobium. Esse desequilíbrio leva à produção de aminas biogênicas (putrescina, cadaverina), que volatilizam em pH alcalino e geram o odor característico de "peixe podre" — que piora após relação sexual, pois o sêmen é alcalino e libera essas aminas.

O diagnóstico é essencialmente clínico e laboratorial. No exame especular, o colo uterino costuma estar normal (diferente das cervicites), e o conteúdo vaginal é branco-acinzentado, fluido e homogêneo, aderido às paredes vaginais. O exame a fresco com soro fisiológico revela as clue cells: células epiteliais vaginais cobertas por inúmeras bactérias aderidas, o que lhes confere aspecto granular e bordas irregulares, obscurecidas. Esse é o achado mais específico da VB. Complementam o diagnóstico os critérios de Amsel (pH vaginal > 4,5, teste de Whiff positivo com KOH 10%, corrimento homogêneo e presença de clue cells — sendo necessários pelo menos 3 dos 4) e o escore de Nugent pela coloração de Gram.

É fundamental distinguir a vaginose bacteriana das outras causas de corrimento vaginal, pois cada uma tem agente, apresentação e tratamento próprios. A candidíase vulvovaginal, por exemplo, é causada por fungos (principalmente Candida albicans) e cursa com corrimento branco, grumoso, "em nata de leite", associado a prurido intenso — sem odor fétido e sem clue cells. Já a tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, é uma IST que produz corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor fétido, e no exame a fresco observam-se os protozoários móveis, além de intensa reação inflamatória (colo em "framboesa"). A infecção pelo HPV e pelo HIV não cursam com esse padrão de corrimento vaginal com clue cells.

A pegadinha desta questão está em associar o "odor desagradável que piora após relação sexual" à tricomoníase (que também tem odor fétido) e o "corrimento branco" à candidíase. No entanto, a presença de clue cells é o dado que fecha o diagnóstico de vaginose bacteriana — esse termo é patognomônico da VB e não aparece na tricomoníase nem na candidíase. Guarde essa tríade: corrimento branco-acinzentado + odor de peixe (Whiff positivo) + clue cells = vaginose bacteriana por Gardnerella vaginalis.

Corrimento vaginal
  • 1Vaginose bacteriana (Gardnerella)
    • Corrimento branco-acinzentado
    • Odor de peixe (piora pós-coito)
    • Clue cells no exame a fresco
  • 2Candidíase
    • Corrimento grumoso "nata de leite"
    • Prurido intenso
    • Leveduras e pseudo-hifas
  • 3Tricomoníase
    • Corrimento amarelo-esverdeado bolhoso
    • Odor fétido
    • Protozoário móvel
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A candidíase vaginal cursa com corrimento branco, grumoso ("em nata de leite"), geralmente sem odor fétido, e com prurido intenso. No exame a fresco, encontram-se leveduras e pseudo-hifas, nunca clue cells. O odor desagradável que piora após relação sexual não é característico da candidíase — é típico da vaginose bacteriana.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, produz corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, com odor fétido e intensa inflamação (colo em framboesa). No exame a fresco, o achado é o protozoário móvel, não clue cells. Embora o odor desagradável possa estar presente, o corrimento branco leitoso e as clue cells apontam para vaginose bacteriana.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Gardnerella vaginalis é o principal agente da vaginose bacteriana, caracterizada por corrimento branco-acinzentado, fluido, com odor de peixe (que piora após relação sexual pela alcalinização do sêmen), pH vaginal > 4,5 e, no exame a fresco, a presença de clue cells — células epiteliais cobertas por bactérias aderidas. Todos os achados do enunciado — corrimento branco leitoso, odor desagradável pós-coito, colo normal e clue cells — são típicos dessa condição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A infecção pelo HPV (papilomavírus humano) é geralmente assintomática e não causa corrimento vaginal com odor ou clue cells. Suas manifestações são verrugas genitais ou lesões precursoras de câncer de colo uterino, diagnosticadas por citologia oncótica (Papanicolau) e colposcopia. Não há relação com o quadro descrito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A infecção pelo HIV não produz um padrão específico de corrimento vaginal. Embora possa haver manifestações oportunistas no trato genital (como candidíase de repetição), o quadro descrito — corrimento com odor pós-coito e clue cells — é de vaginose bacteriana, não de HIV. O diagnóstico de HIV é sorológico, não por exame a fresco do conteúdo vaginal.

Gabarito: letra C — infecção por Gardnerella vaginalis (vaginose bacteriana), confirmada pela presença de clue cells no exame a fresco.

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