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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg355622
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Uma criança de 2 anos de idade, do sexo feminino, com diagnóstico prévio de doença falciforme foi levada pelos pais ao hospital com quadro de astenia, palidez e dor abdominal, com piora nas últimas horas. Ao exame físico, a criança foi notada letárgica e com baço palpável a cerca de 5 cm do rebordo costal esquerdo.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada em relação à criança.
  1. Ahidratação, analgesia e realização de ultrassom de abdome para confirmar esplenomegalia
  2. Badministração de antibióticos de amplo espectro e hidratação venosa
  3. Csolicitar transfusão de concentrado de hemácias com urgência e manter monitorização clínica
  4. Dentrar em contato com equipe de cirurgia para realização esplenectomia de urgência
  5. Ecoletar sorologia para parvovírus B19 e iniciar terapia com antibiótico
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GabaritoC — solicitar transfusão de concentrado de hemácias com urgência e manter monitorização clínica

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sequestro Esplênico na Doença Falciforme

Gabarito: letra C. A criança com doença falciforme, letárgica, pálida e com baço palpável a 5 cm do rebordo costal esquerdo apresenta quadro clássico de sequestro esplênico agudo, uma emergência hematológica que exige transfusão de concentrado de hemácias com urgência e monitorização clínica — exatamente o que a alternativa C propõe. O sequestro esplênico é a principal causa de morte em crianças pequenas com doença falciforme, e a conduta imediata é a reposição volêmica e a transfusão, não a cirurgia ou apenas a hidratação e analgesia.

O sequestro esplênico agudo é uma complicação grave e potencialmente fatal da doença falciforme, caracterizada pela captura maciça de hemácias no baço, que aumenta rapidamente de tamanho, levando a uma queda abrupta da hemoglobina e a um quadro de choque hipovolêmico. A fisiopatologia envolve a obstrução dos sinusoides esplênicos por hemácias falcizadas, com acúmulo de sangue no órgão. O quadro clínico clássico inclui esplenomegalia súbita e dolorosa, palidez, letargia, taquicardia e hipotensão, podendo evoluir para óbito em poucas horas se não tratado prontamente. O diagnóstico é essencialmente clínico, e a confirmação por ultrassom, embora útil, não deve retardar a terapêutica de urgência.

A conduta imediata no sequestro esplênico agudo é a estabilização hemodinâmica: acesso venoso, expansão volêmica com cristaloide e transfusão de concentrado de hemácias para corrigir a anemia aguda e restaurar a perfusão tecidual. A transfusão deve ser feita com urgência, mesmo antes da confirmação laboratorial completa, pois a demora pode ser fatal. A monitorização clínica contínua é essencial para avaliar a resposta ao tratamento e detectar complicações. A esplenectomia de urgência é reservada para casos de sequestro recorrente ou refratário, não sendo a primeira conduta. O uso de antibióticos é indicado apenas se houver suspeita de infecção concomitante, e a sorologia para parvovírus B19 é relevante em casos de crise aplásica, não no sequestro esplênico.

A distinção entre as complicações agudas da doença falciforme é crucial para a conduta correta. O sequestro esplênico se apresenta com esplenomegalia e queda do hematócrito; a crise aplásica cursa com reticulocitopenia e anemia grave, frequentemente associada ao parvovírus B19; a crise vaso-oclusiva causa dor intensa por isquemia, sem esplenomegalia aguda; e a síndrome torácica aguda envolve febre, dor torácica e infiltrado pulmonar. A banca explora exatamente essa confusão: o quadro descrito é de sequestro esplênico, e a conduta correta é a transfusão urgente, não a investigação de outras causas ou a cirurgia imediata.

A pegadinha central desta questão é a urgência do quadro: o paciente está letárgico, com baço aumentado e palidez, o que indica instabilidade hemodinâmica. Nesse cenário, a prioridade é a transfusão e a monitorização, e não a realização de exames complementares que atrasariam o tratamento, nem a esplenectomia, que é uma medida de exceção. A alternativa C é a única que aborda diretamente a emergência, enquanto as demais ou são insuficientes (A, B, E) ou são inadequadas como primeira conduta (D).

1Sequestro esplênico
Esplenomegalia súbita
Queda do hematócrito
Choque hipovolêmico
Transfusão urgente
2Crise aplásica
Reticulocitopenia
Anemia grave
Parvovírus B19
3Crise vaso-oclusiva
Dor intensa por isquemia
Sem esplenomegalia aguda
4Síndrome torácica aguda
Febre
Dor torácica
Infiltrado pulmonar
Complicações agudas da doença falciforme
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Complicações agudas da doença falciforme: Sequestro esplênico (Esplenomegalia súbita, Queda do hematócrito, Choque hipovolêmico, Transfusão urgente); Crise aplásica (Reticulocitopenia, Anemia grave, Parvovírus B19); Crise vaso-oclusiva (Dor intensa por isquemia, Sem esplenomegalia aguda); Síndrome torácica aguda (Febre, Dor torácica, Infiltrado pulmonar)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Embora a hidratação e a analgesia sejam medidas de suporte importantes, a alternativa é insuficiente porque não aborda a correção da anemia aguda, que é a causa da letargia e da palidez. A realização de ultrassom para confirmar a esplenomegalia é desnecessária para a conduta imediata, pois o diagnóstico de sequestro esplênico é clínico, e a demora para realizar o exame pode retardar a transfusão, que é a medida que salva a vida. A conduta correta é a transfusão urgente, não apenas a hidratação e a analgesia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A administração de antibióticos de amplo espectro e hidratação venosa é uma conduta incompleta e potencialmente perigosa no sequestro esplênico agudo. Não há evidência de infecção no quadro descrito, e o uso de antibióticos não trata a causa da anemia aguda. A hidratação venosa é importante, mas não corrige a queda abrupta da hemoglobina, que é a principal ameaça à vida. A conduta correta é a transfusão de concentrado de hemácias com urgência, não apenas antibióticos e hidratação.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a conduta adequada. A criança apresenta sequestro esplênico agudo, uma emergência que exige transfusão de concentrado de hemácias com urgência para corrigir a anemia aguda e o choque hipovolêmico, além de monitorização clínica contínua para avaliar a resposta ao tratamento. A transfusão é a medida que salva a vida, e a monitorização é essencial para detectar complicações e guiar a conduta subsequente. A alternativa C aborda diretamente a urgência do quadro, sendo a única correta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A esplenectomia de urgência é uma conduta inadequada como primeira medida no sequestro esplênico agudo. A cirurgia é reservada para casos de sequestro recorrente ou refratário ao tratamento clínico, não sendo a primeira opção. A conduta inicial é a estabilização hemodinâmica com transfusão, e a esplenectomia só é considerada após a estabilização ou em casos de recorrência. A alternativa D inverte a ordem de prioridades, propondo uma intervenção cirúrgica imediata que não é indicada no primeiro episódio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A coleta de sorologia para parvovírus B19 e o início de terapia com antibiótico são condutas inadequadas para o quadro descrito. A sorologia para parvovírus B19 é indicada na suspeita de crise aplásica, que cursa com reticulocitopenia, e não no sequestro esplênico, que se manifesta com esplenomegalia e queda do hematócrito. O uso de antibióticos não é indicado sem evidência de infecção. A conduta correta é a transfusão urgente, não a investigação de outras causas.

Gabarito: letra C — a conduta adequada é solicitar transfusão de concentrado de hemácias com urgência e manter monitorização clínica.

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