Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Quadrix 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg355634
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Um lactente de 3 meses de vida, previamente hígido, foi levado pelos pais ao pronto atendimento por apresentar quadro de tosse seca e coriza há 8 dias, com piora nas últimas horas, evoluindo com cianose e vômitos. A criança foi mantida em observação no pronto atendimento e apresentou crise de tosse, com pletora facial, guincho e cianose.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a principal hipótese diagnóstica, o principal agente etiológico e o medicamento adequado para o tratamento, respectivamente.
Acoqueluche, Bordetella parapertussis e azitromicina
Bcoqueluche, Bordetella pertussis e azitromicina
Cbronquiolite viral aguda, vírus sincicial respiratório e prednisolona
Dlaringite aguda, vírus parainfluenza e dexametasona
Elaringite aguda, adenovírus e adrenalina
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GabaritoB — coqueluche, Bordetella pertussis e azitromicina
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Coqueluche no lactente: diagnóstico, agente etiológico e tratamento
Gabarito: letra B. O quadro descrito — lactente de 3 meses com tosse seca e coriza há 8 dias, evoluindo com crises de tosse paroxística, pletora facial, guincho, cianose e vômitos — é a apresentação clássica da coqueluche, cujo principal agente etiológico é a Bordetella pertussis, e o tratamento de escolha é a azitromicina. A alternativa B é a única que reúne corretamente os três elementos: diagnóstico, agente e medicamento.
A coqueluche é uma doença infecciosa aguda do trato respiratório, altamente transmissível, causada principalmente pela bactéria Bordetella pertussis. A doença é particularmente grave em lactentes jovens, especialmente menores de 6 meses, nos quais pode cursar com complicações como apneia, cianose, pneumonia e até óbito. O quadro clínico evolui em três fases sucessivas: a fase catarral, com duração de 1 a 2 semanas, caracterizada por sintomas inespecíficos como coriza, tosse seca e febre baixa; a fase paroxística, que dura de 2 a 6 semanas, marcada pelas crises de tosse súbita e incontrolável, seguidas de inspiração profunda que produz o "guincho", frequentemente acompanhadas de congestão facial, cianose e vômitos; e a fase de convalescença, com duração de 2 a 6 semanas, em que os paroxismos diminuem gradualmente. No lactente de 3 meses, o quadro pode ser menos característico, mas a presença de guincho e cianose após crises de tosse é altamente sugestiva.
O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser confirmado por exames laboratoriais. O padrão-ouro é a cultura de secreção nasofaríngea, que é altamente específica, embora a sensibilidade seja variável. A reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real também é utilizada para diagnóstico rápido. O tratamento da coqueluche baseia-se no uso de antibióticos macrolídeos, sendo a azitromicina uma das opções de primeira linha, especialmente em lactentes, por sua posologia e perfil de segurança. A antibioticoterapia, quando iniciada precocemente na fase catarral, pode atenuar os sintomas e reduzir a transmissibilidade.
A principal distinção a ser feita é com outras causas de tosse e desconforto respiratório em lactentes, como a bronquiolite viral aguda, a laringite aguda (crupe) e a pneumonia. A bronquiolite, causada principalmente pelo vírus sincicial respiratório, cursa com sibilância e desconforto respiratório, mas não apresenta o padrão paroxístico com guincho. A laringite aguda, geralmente de etiologia viral (parainfluenza), manifesta-se com tosse metálica ("tosse de cachorro"), rouquidão e estridor inspiratório, sem as crises paroxísticas típicas da coqueluche. A identificação correta do padrão de tosse é crucial para o diagnóstico e a conduta adequados.
A banca explora a confusão entre os agentes etiológicos e os tratamentos de doenças respiratórias da infância. É fundamental memorizar que a coqueluche é causada pela Bordetella pertussis (e não pela parapertussis, que causa quadro mais brando) e que o tratamento de escolha é um macrolídeo, como a azitromicina. A alternativa A erra ao citar a Bordetella parapertussis como principal agente, e as demais alternativas descrevem outras doenças com seus respectivos agentes e tratamentos, que não se aplicam ao quadro apresentado. O critério decisivo para diferenciar as alternativas é o reconhecimento da tríade: quadro clínico paroxístico com guincho, agente etiológico Bordetella pertussis e tratamento com azitromicina.
Coqueluche
1Fases
Catarral (1–2 sem): coriza, tosse seca
Paroxística (2–6 sem): guincho, cianose, vômitos
Convalescença (2–6 sem): paroxismos diminuem
2Agente
Bordetella pertussis (principal)
Bordetella parapertussis (quadro mais brando)
3Tratamento
Azitromicina (macrolídeo 1ª linha)
4Diagnóstico
Clínico
Cultura de secreção nasofaríngea (padrão-ouro)
PCR em tempo real
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está no agente etiológico: a alternativa cita Bordetella parapertussis como principal agente da coqueluche. Embora a B. parapertussis também possa causar coqueluche, o principal e mais comum agente é a Bordetella pertussis. O diagnóstico e o tratamento (azitromicina) estão corretos, mas a troca do agente torna a alternativa incorreta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa apresenta corretamente a tríade: coqueluche como diagnóstico, Bordetella pertussis como principal agente etiológico e azitromicina como medicamento adequado. O quadro clínico descrito — tosse paroxística com guincho, pletora facial, cianose e vômitos em lactente — é clássico da coqueluche, e a azitromicina é um macrolídeo de primeira linha para o tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa descreve a bronquiolite viral aguda, causada pelo vírus sincicial respiratório, e propõe o tratamento com prednisolona. A bronquiolite cursa com sibilância, taquipneia e desconforto respiratório, mas não apresenta o padrão de tosse paroxística com guincho descrito no enunciado. Além disso, a prednisolona não é o tratamento padrão para bronquiolite, que é essencialmente de suporte.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa descreve a laringite aguda (crupe), causada pelo vírus parainfluenza, e propõe o tratamento com dexametasona. A laringite manifesta-se com tosse metálica, rouquidão e estridor inspiratório, não com crises paroxísticas de tosse com guincho e cianose. O quadro do enunciado é de coqueluche, não de laringite.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa também descreve a laringite aguda, mas atribui ao adenovírus e propõe adrenalina como tratamento. Além de o quadro clínico não ser de laringite, o adenovírus não é o principal agente dessa condição (que é o vírus parainfluenza), e a adrenalina é utilizada em casos de estridor grave, não como tratamento de primeira linha para coqueluche.