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No que diz respeito ao trauma cervical, assinale a alternativa correta.
AUma radiografia cervical lateral de qualidade deve incluir da primeira (C1) à sétima (C7) vértebra cervical.
BO choque neurogênico resulta da perda do tônus vasomotor e da inervação parassimpática do coração.
CO resultado da perda do tônus vasomotor resulta na vasoconstrição dos vasos sanguíneos e, consequentemente, na hipertensão.
DA paraplegia completa resulta de lesão ao nível da coluna cervical
EQuando a coluna vertebral é lesada, a principal preocupação deve ser a possibilidade de insuficiência respiratória.
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GabaritoE — Quando a coluna vertebral é lesada, a principal preocupação deve ser a possibilidade de insuficiência respiratória.
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Trauma cervical: abordagem e prioridades
Gabarito: letra E. Quando a coluna vertebral é lesada, a principal preocupação deve ser a possibilidade de insuficiência respiratória, pois lesões altas (cervicais) podem comprometer a musculatura respiratória e o centro respiratório, levando a prejuízo ventilatório. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre radiografia cervical, choque neurogênico e níveis de lesão medular.
O trauma cervical é uma emergência médica que exige abordagem sistemática, priorizando a estabilização da via aérea, ventilação e estabilidade cardiovascular. A preocupação central com a insuficiência respiratória decorre do fato de que lesões na coluna cervical alta (acima de C6) podem comprometer o nervo frênico (origem em C3-C5), que inerva o diafragma — principal músculo respiratório. Além disso, lesões medulares altas podem afetar diretamente o centro respiratório no tronco encefálico ou causar edema que se propaga cranialmente. Por isso, na prática clínica, qualquer paciente com suspeita de lesão cervical deve ter sua ventilação monitorada de perto, com prontidão para suporte ventilatório.
O choque neurogênico é um tipo de choque distributivo que ocorre após lesão medular, especialmente acima de T6. A perda do tônus vasomotor simpático leva à vasodilatação periférica e hipotensão, enquanto a perda da inervação simpática cardíaca (que normalmente acelera o coração) resulta em bradicardia. É importante distinguir o choque neurogênico do choque medular: o primeiro é um fenômeno hemodinâmico (hipotensão + bradicardia), enquanto o segundo é um fenômeno neurológico transitório (plegia, hiporreflexia e hipoestesia abaixo do nível da lesão, com duração de até 24 horas).
A avaliação radiológica da coluna cervical é parte fundamental da abordagem. A radiografia lateral deve incluir da base do crânio até o topo da primeira vértebra torácica (T1), para garantir a visualização completa das sete vértebras cervicais e da junção cervicotorácica. A incidência transoral (odontóide) é necessária para avaliar o dente do áxis (C2). A tomografia computadorizada é o exame de escolha em pacientes com suspeita de lesão cervical, especialmente quando há achados clínicos positivos ou radiografias inadequadas.
A classificação do nível de lesão medular é essencial para o prognóstico. Lesões cervicais altas (acima de C6) cursam com tetraplegia e prejuízo respiratório. Lesões torácicas podem cursar com paraplegia completa. A paraplegia, portanto, é característica de lesões torácicas ou lombares, não cervicais — lesões cervicais produzem tetraplegia (comprometimento dos quatro membros).
A banca explora a confusão entre os conceitos de choque neurogênico, choque medular e os efeitos da perda do tônus simpático. É fundamental memorizar que a perda do tônus simpático causa vasodilatação (não vasoconstrição) e hipotensão (não hipertensão), e que a bradicardia resulta da perda da inervação simpática (não parassimpática) do coração.
Trauma cervical: Prioridade (Insuficiência respiratória, Nervo frênico (C3-C5), Diafragma); Choque neurogênico (Perda do tônus simpático, Vasodilatação, Hipotensão, Bradicardia); Nível da lesão (Cervical alta → tetraplegia, Torácica/lombar → paraplegia); Radiografia lateral (Base do crânio até T1)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A radiografia cervical lateral de qualidade deve incluir da base do crânio até o topo de T1, não apenas de C1 a C7. A inclusão da junção cervicotorácica é essencial para não perder lesões nessa região, que é um ponto cego comum. A alternativa erra ao limitar o exame às vértebras cervicais, omitindo a necessidade de visualizar a transição para a coluna torácica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O choque neurogênico resulta da perda do tônus vasomotor simpático e da inervação simpática do coração, não parassimpática. A perda do tônus simpático causa vasodilatação periférica (hipotensão) e bradicardia (por perda da estimulação simpática cardíaca). A alternativa inverte o sistema nervoso envolvido: é o simpático, não o parassimpático, que é afetado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A perda do tônus vasomotor resulta em vasodilatação (não vasoconstrição) e, consequentemente, em hipotensão (não hipertensão). O tônus simpático mantém os vasos sanguíneos em estado de constrição parcial; sua perda leva ao relaxamento vascular e à queda da pressão arterial. A alternativa inverte completamente o efeito fisiológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A paraplegia completa resulta de lesão ao nível da coluna torácica ou lombar, não cervical. Lesões cervicais produzem tetraplegia, pois comprometem os quatro membros. A paraplegia (paralisia dos membros inferiores) é característica de lesões abaixo do nível cervical. A alternativa confunde os termos paraplegia e tetraplegia.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Quando a coluna vertebral é lesada, a principal preocupação deve ser a possibilidade de insuficiência respiratória. Lesões cervicais altas (acima de C6) comprometem o nervo frênico (C3-C5) e a musculatura respiratória acessória, podendo levar a prejuízo ventilatório grave. A prioridade na abordagem inicial é garantir via aérea pérvia e ventilação adequada, antes de qualquer outra intervenção. Esta é a alternativa correta, pois reflete a prioridade absoluta no manejo do trauma cervical.