Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2024
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg355654
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Julgue os itens a seguir, acerca das doenças que são possíveis de ser diagnosticadas durante a realização do toque retal.I Hiperplasia prostáticaII FecalomaIII RetoceleIV Tumor localizado na transição retosigmoideV Doença hemorroidária interna grau I
ASomente os itens I, II e IV estão certos.
BSomente os itens I, III e V estão certos.
CSomente os itens I, II, IV e V estão certos.
DSomente os itens III e IV estão certos.
ESomente os itens I, II e III estão certos
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GabaritoE — Somente os itens I, II e III estão certos
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Toque retal: diagnóstico de doenças anorretais e prostáticas
Gabarito: letra E — estão corretos os itens I, II e III. O toque retal permite diagnosticar hiperplasia prostática (próstata aumentada, de consistência firme), fecaloma (massa de fezes endurecida no reto) e retocele (abaulamento da parede retal anterior, comum em mulheres). O item IV está incorreto porque um tumor na transição retosigmoide, por estar acima do alcance do dedo, não é palpável ao toque retal; e o item V está incorreto porque a doença hemorroidária interna grau I não é diagnosticada pelo toque, mas sim pela anuscopia, já que as hemorroidas internas grau I não prolapsam e não são palpáveis.
O toque retal é um exame de semiologia médica que consiste na introdução do dedo indicador enluvado e lubrificado no reto, permitindo a palpação da parede retal, do canal anal e, no homem, da próstata. É um exame simples, de baixo custo e extremamente valioso na propedêutica de diversas doenças. A literatura médica destaca que o toque retal palpa aproximadamente 40% dos carcinomas de reto e que cerca de 25% dos carcinomas de intestino grosso são palpáveis ao toque. Isso ocorre porque o dedo indicador tem em média 7 a 10 cm de comprimento, alcançando apenas o reto distal e a ampola retal — estruturas localizadas até cerca de 10 cm da borda anal. A transição retosigmoide, por sua vez, situa-se a aproximadamente 15-16 cm da borda anal, fora do alcance digital.
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das principais indicações do toque retal no homem. Ao exame, a próstata encontra-se aumentada, com consistência firme, limites nítidos, superfície lisa e sulco mediano presente ou ausente. O toque retal também é fundamental na avaliação do assoalho pélvico, permitindo identificar alterações como a retocele, que é a herniação da parede retal anterior (frequentemente associada a prolapso genital na mulher). O fecaloma, por sua vez, é uma massa de fezes endurecidas impactadas no reto, facilmente identificada ao toque como uma massa de consistência pétrea, e é uma causa comum de obstipação intestinal, especialmente em idosos e acamados.
A doença hemorroidária interna é classificada em graus (I a IV) de acordo com o prolapso. No grau I, as hemorroidas não prolapsam, permanecendo acima da linha pectínea, e não são palpáveis ao toque retal — o diagnóstico é feito por anuscopia, que permite a visualização direta dos mamilos hemorroidários. Já a transição retosigmoide, por estar localizada a aproximadamente 15-16 cm da borda anal, está além do alcance do dedo indicador, que mede em média 7-10 cm. Portanto, um tumor nessa região não é palpável ao toque retal, sendo necessário exames complementares como a retossigmoidoscopia ou colonoscopia para sua avaliação.
A banca explora a confusão entre o que é palpável e o que é visível ao exame proctológico. O toque retal é um exame de palpação, limitado ao reto distal e à próstata; a anuscopia e a retossigmoidoscopia são exames de visualização, que alcançam estruturas mais proximais. O candidato que não domina essa distinção tende a marcar o item V como correto, pois associa hemorroidas ao exame proctológico, sem perceber que o grau I não é palpável. Da mesma forma, o item IV exige o conhecimento da anatomia do reto e da limitação do alcance digital.
Toque retal: Alcance do dedo (7–10 cm) (Reto distal, Ampola retal, Próstata); Palpáveis (Hiperplasia prostática, Fecaloma, Retocele); Não palpáveis (Tumor na transição retosigmoide (15–16 cm), Hemorroida interna grau I (diagnóstico por anuscopia))
Item I — ✅ Correto
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das principais indicações do toque retal no homem. Ao exame, a próstata encontra-se aumentada, com consistência firme, limites nítidos, superfície lisa e sulco mediano presente ou ausente. O toque retal permite avaliar o tamanho, a consistência e a simetria da próstata, sendo essencial no diagnóstico diferencial com o câncer de próstata, que apresenta consistência dura, superfície irregular e assimetria.
Item II — ✅ Correto
O fecaloma é uma massa de fezes endurecidas impactadas no reto, facilmente identificada ao toque como uma massa de consistência pétrea. É uma causa comum de obstipação intestinal, especialmente em idosos e acamados, e o toque retal é fundamental para seu diagnóstico e manejo.
Item III — ✅ Correto
A retocele é a herniação da parede retal anterior, frequentemente associada a prolapso genital na mulher. Ao toque retal, identifica-se um abaulamento da parede anterior do reto, que pode ser mais evidente quando se solicita à paciente que faça esforço evacuatório. O toque retal é essencial na avaliação do assoalho pélvico e no diagnóstico de retocele.
Item IV — ❌ Incorreto
A transição retosigmoide está localizada a aproximadamente 15-16 cm da borda anal, além do alcance do dedo indicador, que mede em média 7-10 cm. Portanto, um tumor nessa região não é palpável ao toque retal, sendo necessário exames complementares como a retossigmoidoscopia ou colonoscopia para sua avaliação. O toque retal palpa apenas o reto distal e a ampola retal.
Item V — ❌ Incorreto
A doença hemorroidária interna grau I não prolapsa, permanecendo acima da linha pectínea, e não é palpável ao toque retal. O diagnóstico é feito por anuscopia, que permite a visualização direta dos mamilos hemorroidários. O toque retal pode identificar hemorroidas externas ou internas prolapsadas, mas não as hemorroidas internas grau I.
Conclusão: Corretos: I, II e III → portanto a alternativa é a letra E.