Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2024
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg355666
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Após a execução das ações iniciais, a paciente evoluiu em melhora clínica e realizou‑se um ecocardiograma que apresentou os seguintes achados mais relevantes: coração em ritmo irregular; fração de ejeção 56%; aumento moderado de átrio esquerdo; e aumento moderado na pressão de artéria pulmonar, com e/e’ > 9.Com base nessa situação hipotética, e nas informações apresentadas acima, assinale a alternativa correta.
AAchados ecocardiográficos ajudam a corroborar a hipótese de insuficiência cardíaca.
BÉ um paciente sem critérios suficientes para o diagnóstico de insuficiência cardíaca, dado edema agudo de pulmão sem etiologia bem estabelecida. Com isso, deve‑se proceder à estratificação com cineangiocoronariografia devido à possibilidade de doença isquêmica associada.
CÉ um paciente com provável diagnóstico de insuficiência cardíaca, porém achados ecocardiográficos não auxiliam a hipótese, dada ausência de causa bem estabelecida para a recente descompensação. Seria prudente, então, a realização de cineangiocoronariografia dado o altíssimo risco cardiovascular e dada a possível descompensação por evento isquêmico.
DApesar de achados ecocardiográficos afastarem a hipótese de insuficiência cardíaca, ainda existe uma grande probabilidade. A hipótese mais provável, então, seria de insuficiência cardíaca descompensada devido a quadro infeccioso.
EHouve achados ecocardiográficos sugestivos de cor pulmonale. Logo, o paciente deverá realizar tomografia de tórax para avaliar intersticiopatia crônica associada.
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GabaritoA — Achados ecocardiográficos ajudam a corroborar a hipótese de insuficiência cardíaca.
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Esta questão depende de um texto-base compartilhado com outras questões da mesma prova, que não está disponível aqui. O raciocínio abaixo é o método de resolução — confira os dados clínicos e laboratoriais no enunciado original para aplicar os critérios diagnósticos.
Insuficiência cardíaca: o papel do ecocardiograma no diagnóstico
Gabarito: letra A. Os achados ecocardiográficos descritos — ritmo irregular, fração de ejeção de 56%, aumento moderado de átrio esquerdo, aumento moderado da pressão de artéria pulmonar e relação E/e' > 9 — são critérios que corroboram a hipótese de insuficiência cardíaca, especialmente na forma com fração de ejeção preservada (ICFEP). O ecocardiograma é exame essencial na avaliação diagnóstica da maioria dos pacientes com insuficiência cardíaca, fornecendo informações morfológicas, funcionais e hemodinâmicas.
A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica caracterizada por sintomas e/ou sinais de congestão pulmonar ou sistêmica, decorrentes de anormalidade estrutural ou funcional do coração que compromete o enchimento ventricular ou a ejeção de sangue. O diagnóstico é clínico, mas os exames complementares — sobretudo o ecocardiograma e os peptídeos natriuréticos (BNP/NT-proBNP) — são fundamentais para confirmar a suspeita, identificar a etiologia e classificar o fenótipo.
O ecocardiograma é o exame de imagem mais importante na avaliação da IC. Ele permite avaliar a estrutura cardíaca (dilatação de câmaras, hipertrofia), a função sistólica (fração de ejeção), a função diastólica (pressões de enchimento, relação E/e'), as pressões pulmonares e a presença de valvopatias. Na tabela de critérios ecocardiográficos relacionados à IC, destacam-se: dilatação de ventrículo esquerdo, hipertrofia, alteração da contratilidade segmentar, fração de ejeção preservada (>50%), intermediária (40-50%) ou reduzida (<40%), disfunção diastólica com relação E:e' aumentada, dilatação de átrios, hipertensão pulmonar (>35 mmHg) e regurgitações valvares funcionais.
No caso apresentado, a paciente tem fração de ejeção de 56% (preservada, >50%), aumento moderado de átrio esquerdo (sinal de pressões de enchimento elevadas), aumento moderado da pressão de artéria pulmonar (hipertensão pulmonar) e relação E/e' > 9 (indicativa de disfunção diastólica com pressão de enchimento do ventrículo esquerdo aumentada). Esses achados são exatamente os critérios ecocardiográficos que corroboram o diagnóstico de IC, particularmente de ICFEP. Para o diagnóstico de ICFEP, é necessário identificar sinais de aumento das pressões de enchimento ou congestão pulmonar, como disfunção diastólica de grau moderado ou grave, aumento da pressão do átrio esquerdo e hipertensão arterial pulmonar — todos presentes no caso.
A pegadinha central desta questão é que o candidato pode achar que, por a fração de ejeção estar preservada (56%), não há insuficiência cardíaca. No entanto, a IC com fração de ejeção preservada é uma entidade comum e o ecocardiograma com esses achados é justamente o que sustenta o diagnóstico. As alternativas B, C, D e E contêm erros conceituais: negam o valor dos achados ecocardiográficos, sugerem cineangiocoronariografia sem indicação clara, ou interpretam os achados como cor pulmonale, o que não é o caso.
Guarde o critério decisivo: na suspeita de IC, o ecocardiograma com sinais de disfunção diastólica (E/e' > 9), aumento de átrio esquerdo e hipertensão pulmonar, mesmo com FE preservada, corrobora o diagnóstico — é exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que os achados ecocardiográficos ajudam a corroborar a hipótese de insuficiência cardíaca. Isso está correto: o ecocardiograma é necessário na avaliação diagnóstica da maioria dos pacientes com IC, e os achados descritos (aumento de átrio esquerdo, hipertensão pulmonar, E/e' > 9) são critérios ecocardiográficos relacionados à IC, especialmente à forma com fração de ejeção preservada. A FE de 56% não afasta o diagnóstico — a ICFEP é definida justamente por FE > 50% com sinais de disfunção diastólica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que não há critérios suficientes para o diagnóstico de IC e que se deve proceder à cineangiocoronariografia. O erro está em negar o valor dos achados ecocardiográficos, que são suficientes para corroborar a hipótese de IC (com FE preservada). Além disso, a cineangiocoronariografia não é indicada rotineiramente apenas pela suspeita de IC — ela é reservada para casos de suspeita de síndrome coronariana aguda ou doença isquêmica com indicação de revascularização. A ausência de etiologia bem estabelecida não é, por si só, indicação de cineangiocoronariografia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que os achados ecocardiográficos não auxiliam a hipótese de IC, o que é falso — eles são justamente os critérios que corroboram o diagnóstico. Também sugere cineangiocoronariografia "dado o altíssimo risco cardiovascular", mas não há no enunciado elementos que indiquem síndrome coronariana aguda ou necessidade imediata de estratificação invasiva. A ausência de causa bem estabelecida para a descompensação não invalida o diagnóstico de IC, nem obriga à cineangiocoronariografia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os achados ecocardiográficos afastam a hipótese de IC, o que é o oposto do que ocorre: eles corroboram a hipótese. Também levanta a hipótese de "IC descompensada devido a quadro infeccioso", mas não há no enunciado elementos que indiquem infecção como fator descompensador. O erro central é inverter o valor dos achados ecocardiográficos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Interpreta os achados como sugestivos de cor pulmonale e indica tomografia de tórax para avaliar intersticiopatia crônica. O cor pulmonale é caracterizado por dilatação e/ou disfunção do ventrículo direito secundária a doença pulmonar, mas o enunciado não descreve achados de comprometimento ventricular direito — os achados são de átrio esquerdo aumentado, hipertensão pulmonar e disfunção diastólica, que apontam para IC esquerda com congestão pulmonar, não para cor pulmonale. A tomografia de tórax não é o exame indicado nesse contexto.