Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Quadrix 2024
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg355678
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Acesso Direto
Um homem de 52 anos de idade, tabagista com 30 anos/maço, diabético e dislipidêmico, dirigiu‑se ao pronto‑socorro com dor precordial, inespecífica, sem irradiação, que se iniciou há 10 minutos, ao levantar uma caixa, com sudorese a mal‑estar associado. Foi realizado eletrocardiograma (apresentado a seguir) e troponina (dentro do valor de referência/normal).Com base nessa situação hipotética, e na imagem acima, assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada para essa situação.
ATrata‑se de um caso de angina, porém sem infarto agudo do miocárdio. O paciente deverá realizar um teste ergométrico ambulatorialmente.
BO paciente deverá ser submetido à angioplastia primária, por se tratar de um infarto com supra de seguimento ST de V2 a V4.
CDeverá ser mantido no pronto‑socorro para seriar eletrocardiograma e troponina.
DTrata‑se de um caso de angina, porém sem infarto agudo do miocárdio. O paciente deverá realizar angiotomografia de coronárias ambulatorialmente.
EO paciente deverá ser submetido à trombólise química devido a infarto agudo do miocárdio sem critérios para angioplastia primária.
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GabaritoC — Deverá ser mantido no pronto‑socorro para seriar eletrocardiograma e troponina.
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Síndrome coronariana aguda: conduta inicial na sala de emergência
Gabarito: letra C. Diante de dor precordial sugestiva de síndrome coronariana aguda (SCA) com eletrocardiograma sem supra de ST e troponina inicial normal, a conduta adequada é manter o paciente em observação no pronto-socorro para seriar ECG e troponina — é o manejo padrão da SCA sem supra de ST (SCASSST) de risco intermediário, conforme as diretrizes de cardiologia. As alternativas A, B, D e E erram ao indicar condutas precipitadas (teste ergométrico ou angiotomografia ambulatorial, angioplastia primária ou trombólise) que não se aplicam a este cenário clínico.
A síndrome coronariana aguda é um espectro que vai da angina instável ao infarto agudo do miocárdio (IAM), e a primeira decisão do emergencista é classificar o paciente pelo eletrocardiograma: há ou não supra de ST? Essa distinção é crucial porque define a estratégia de reperfusão. No IAM com supra de ST (IAMCSST), há oclusão total de uma artéria coronária e a indicação é reperfusão imediata — angioplastia primária (preferencial) ou trombólise química (quando a angioplastia não está disponível em tempo hábil). Já na SCA sem supra de ST (SCASSST), que inclui angina instável e IAM sem supra de ST, a fisiopatologia é diferente: geralmente há oclusão subtotal ou instabilidade de placa sem oclusão total, e a conduta inicial é clínica — monitorização, antiagregação, anticoagulação e estratificação de risco, com seriação de marcadores de necrose miocárdica (troponina) e ECG.
No caso apresentado, o paciente tem dor precordial inespecífica, sem irradiação, iniciada há 10 minutos, com sudorese e mal-estar — sintomas que podem ser compatíveis com SCA, mas também com outras causas (dissecção de aorta, pericardite, dor musculoesquelética, entre outras). O ECG não mostra supra de ST (a imagem não é descrita, mas a alternativa B, que afirma haver supra de V2 a V4, é incorreta — e o gabarito C confirma que não há critérios de reperfusão imediata). A troponina está normal, o que é esperado nas primeiras horas de um IAM: a troponina começa a elevar-se cerca de 3 a 4 horas após o início dos sintomas e atinge pico em 12 a 24 horas. Portanto, uma troponina normal nas primeiras horas NÃO exclui infarto — por isso a necessidade de seriar o marcador.
A conduta correta, portanto, é manter o paciente em observação no pronto-socorro, com monitorização contínua, repetir ECG (a cada 15-30 minutos se a dor persistir ou em caso de mudança clínica) e seriar troponina (geralmente em 3 e 6 horas após a admissão, ou conforme protocolo local). Essa abordagem permite confirmar ou excluir o diagnóstico de IAM e definir a necessidade de estratificação invasiva ou não invasiva. A alta precoce com teste ergométrico ambulatorial (alternativa A) ou angiotomografia (alternativa D) seria inadequada porque o paciente ainda está em fase de investigação diagnóstica e tem risco de eventos — a estratificação deve ocorrer após a exclusão de necrose e com o paciente estável. A angioplastia primária (alternativa B) e a trombólise (alternativa E) são reservadas ao IAMCSST, que não é o caso.
A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar a dor precordial como infarto com supra de ST e indicar reperfusão imediata, ou, no extremo oposto, liberar o paciente com base na troponina normal inicial. O candidato precisa lembrar que a troponina normal nas primeiras horas não exclui IAM e que a SCA sem supra de ST exige observação e seriação de marcadores antes de qualquer decisão de alta ou de intervenção. Guarde o fluxo: dor precordial → ECG sem supra → troponina normal → observação + seriar ECG e troponina → reavaliar.
1Dor precordial sugestiva
2ECG sem supra de ST
3Troponina inicial normal
4Observação no PS
5Seriar ECG e troponina
6Reavaliar diagnóstico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que se trata de angina sem infarto e que o paciente deve realizar teste ergométrico ambulatorialmente. O erro é duplo: primeiro, não se pode afirmar que não há infarto com base em uma única troponina normal — o IAM sem supra de ST pode ter troponina normal nas primeiras horas; segundo, o teste ergométrico ambulatorial é contraindicado na fase aguda de SCA, pois há risco de evento cardiovascular. A estratificação com teste provocativo de isquemia só é feita após a exclusão de necrose e com o paciente estável, geralmente em regime de internação ou após observação prolongada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o paciente deve ser submetido à angioplastia primária por se tratar de infarto com supra de ST de V2 a V4. A alternativa inventa um achado eletrocardiográfico que não está descrito no enunciado — e o gabarito C confirma que não há supra de ST. A angioplastia primária é a reperfusão de escolha no IAMCSST, com indicação de realização em até 90 minutos do primeiro contato médico. Sem supra de ST, não há indicação de reperfusão mecânica imediata; a conduta é clínica inicial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta adequada é manter o paciente no pronto-socorro para seriar eletrocardiograma e troponina. Isso porque, na SCA sem supra de ST, a troponina inicial pode ser normal (janela de elevação de 3-4 horas) e o ECG pode não mostrar alterações nas primeiras horas. A observação com monitorização, repetição do ECG e seriação da troponina é o padrão de cuidado para confirmar ou excluir o diagnóstico de IAM e definir a estratificação de risco. Essa conduta está alinhada às diretrizes de SCA sem supra de ST, que recomendam avaliação seriada de marcadores de necrose e ECG em pacientes com suspeita clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que se trata de angina sem infarto e que o paciente deve realizar angiotomografia de coronárias ambulatorialmente. Assim como a alternativa A, erra ao afirmar que não há infarto com base em uma troponina normal inicial. Além disso, a angiotomografia de coronárias é um método de imagem que pode ser útil na avaliação de dor torácica de baixo risco, mas não deve ser realizada ambulatorialmente na fase aguda de uma SCA suspeita — o paciente precisa de observação e seriação de marcadores antes de qualquer decisão de alta ou de exame complementar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o paciente deve ser submetido à trombólise química devido a IAM sem critérios para angioplastia primária. A trombólise é indicada apenas no IAM com supra de ST (IAMCSST) quando a angioplastia primária não está disponível em tempo hábil (até 120 minutos do primeiro contato médico). No caso, não há supra de ST, portanto não há indicação de trombólise. Além disso, a alternativa contradiz a si mesma ao dizer "IAM sem critérios para angioplastia primária" — se não há supra de ST, não é IAMCSST e a trombólise não se aplica.