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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg355685
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica ou Cirurgia Geral
São corretas as afirmações sobre as grandes hérnias incisionaisI Pneumoperitônio progressivo e enfaixamento abdominal são medidas pré‑operatórias que podem ser utilizadas.II A vantagem da colocação da tela intraperitoneal é tornar desnecessária a dissecção extensa do subcutâneo e do tecido musculoaponeurótico.III Manobra relaxadora dos músculos retos (técnica de Gibbons) e secção da aponeurose do músculo oblíquo externo junto à borda lateral do músculo reto (técnica de Ramirez modificada) são manobras para aumentar a cavidade abdominal.IV Existem três opções com relação à localização da prótese: pré‑musculoaponeurótica (onlay); retromusculoaponeurótica (underlay ou sublay) ou retromuscular; e intraperitoneal (inlay).V A drenagem permanece enquanto for elevada (100 a 150 ml/dia), sendo retirado o dreno quando se reduz a 20 ou 30 ml/dia.
  1. ASomente I, II e III
  2. BSomente II, III e IV
  3. CSomente I, IV e V
  4. DSomente II, IV e V
  5. ETodas estão corretas
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GabaritoE — Todas estão corretas

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Grandes Hérnias Incisionais: Manejo Pré e Intraoperatório

Gabarito: letra E. Todas as cinco afirmações estão corretas, pois descrevem com precisão as condutas e técnicas consagradas no tratamento das grandes hérnias incisionais: o pneumoperitônio progressivo e o enfaixamento abdominal como preparo pré-operatório, a vantagem da tela intraperitoneal em evitar dissecção extensa, as manobras de aumento da cavidade (Gibbons e Ramirez modificada), as três localizações possíveis da prótese e o critério de retirada do dreno. A questão exige conhecimento de cirurgia geral, especificamente sobre hérnias complexas da parede abdominal.

As grandes hérnias incisionais representam um desafio cirúrgico significativo. O termo "grande" geralmente se refere a hérnias com defeito de grande dimensão ou com perda de domicílio, ou seja, quando o conteúdo abdominal não cabe mais na cavidade peritoneal. Nesses casos, o simples fechamento primário ou a colocação de tela sem planejamento pode levar a complicações graves, como síndrome compartimental abdominal, falência respiratória e alta taxa de recorrência. Por isso, o manejo dessas hérnias exige uma abordagem estruturada que começa no pré-operatório.

O preparo pré-operatório é fundamental. O pneumoperitônio progressivo, técnica descrita por Moreno, consiste na insuflação gradual de gás (geralmente CO2) na cavidade peritoneal ao longo de dias ou semanas, com o objetivo de distender a cavidade e aumentar sua capacidade, facilitando a redução do conteúdo herniário e o fechamento da parede. O enfaixamento abdominal, por sua vez, é uma medida que comprime o conteúdo herniário, auxiliando na redução e também contribuindo para o aumento da cavidade. Ambas as medidas são válidas e frequentemente utilizadas em conjunto no preparo de pacientes com grandes hérnias.

A escolha da localização da tela é um ponto crítico. As três opções clássicas são: onlay (pré-musculoaponeurótica), sublay ou underlay (retromusculoaponeurótica ou retromuscular) e inlay (intraperitoneal). A colocação intraperitoneal (inlay) tem a vantagem de não exigir a dissecção extensa do subcutâneo e do tecido musculoaponeurótico, o que reduz o trauma cirúrgico e o risco de complicações de ferida, como seromas e hematomas. No entanto, essa técnica expõe a tela ao contato direto com as vísceras, exigindo o uso de telas com barreira antiaderente para prevenir aderências e fístulas.

Para aumentar a cavidade abdominal e facilitar o fechamento, existem manobras específicas. A manobra de Gibbons consiste na liberação dos músculos retos abdominais, permitindo que eles sejam mobilizados medialmente. A técnica de Ramirez modificada, por sua vez, envolve a secção da aponeurose do músculo oblíquo externo junto à borda lateral do músculo reto, o que permite um avanço maior dos tecidos. Essas manobras são essenciais para conseguir fechar a parede abdominal sem tensão excessiva, reduzindo o risco de recorrência e de síndrome compartimental.

O manejo do dreno também segue critérios objetivos. A drenagem é mantida enquanto o débito for elevado, geralmente acima de 100 a 150 ml/dia. O dreno é retirado quando o débito diminui para 20 a 30 ml/dia, indicando que a cavidade residual está seca e que o risco de acúmulo de líquido é baixo. Esse critério é importante para evitar a retirada precoce, que poderia levar à formação de seroma, ou a manutenção prolongada, que aumenta o risco de infecção.

A banca explora o conhecimento detalhado do manejo das hérnias complexas, incluindo técnicas específicas e critérios numéricos. É um tema que exige leitura aprofundada de livros de cirurgia e atualizações sobre técnicas de reparo. A pegadinha, se houvesse, seria confundir as localizações da tela ou inverter os critérios de drenagem, mas aqui todas as afirmações estão corretas, o que torna a questão mais direta, embora exija conhecimento específico.

Grandes hérnias incisionais
  • 1Pré-operatório
    • Pneumoperitônio progressivo
    • Enfaixamento abdominal
  • 2Localização da prótese
    • Onlay (pré-musculoaponeurótica)
    • Sublay/underlay (retromuscular)
    • Inlay (intraperitoneal)
      • Evita dissecção extensa
  • 3Manobras de aumento da cavidade
    • Gibbons (liberação dos retos)
    • Ramirez modificada (secção do oblíquo externo)
  • 4Drenagem
    • Mantém se débito 100–150 ml/dia
    • Retira se débito 20–30 ml/dia
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Item I — ✅ Correto

O pneumoperitônio progressivo e o enfaixamento abdominal são, de fato, medidas pré-operatórias utilizadas no preparo de pacientes com grandes hérnias incisionais. O pneumoperitônio progressivo aumenta a cavidade peritoneal gradualmente, enquanto o enfaixamento ajuda a reduzir o conteúdo herniário e a preparar a parede para o fechamento. Ambas são técnicas bem estabelecidas e frequentemente combinadas.

Item II — ✅ Correto

A colocação da tela intraperitoneal (inlay) evita a dissecção extensa do subcutâneo e do tecido musculoaponeurótico, pois a tela é fixada diretamente na cavidade peritoneal, sem necessidade de criar grandes retalhos. Essa é uma das principais vantagens dessa técnica, embora exija o uso de telas com barreira antiaderente para evitar aderências viscerais.

Item III — ✅ Correto

A manobra de Gibbons (liberação dos músculos retos) e a técnica de Ramirez modificada (secção da aponeurose do oblíquo externo) são manobras de relaxamento que aumentam a cavidade abdominal, permitindo o fechamento da parede sem tensão. Essas técnicas são fundamentais no reparo de grandes hérnias, pois reduzem o risco de recorrência e de síndrome compartimental.

Item IV — ✅ Correto

As três localizações clássicas da prótese são: onlay (pré-musculoaponeurótica), sublay/underlay (retromusculoaponeurótica ou retromuscular) e inlay (intraperitoneal). A nomenclatura está correta e é amplamente utilizada na literatura cirúrgica.

Item V — ✅ Correto

O critério de retirada do dreno é baseado no débito diário. A drenagem é mantida enquanto o débito for elevado (100 a 150 ml/dia) e o dreno é retirado quando o débito reduz para 20 a 30 ml/dia. Esse é um critério prático e bem estabelecido para evitar seromas e infecções.

Todas as afirmações estão corretas, demonstrando um conhecimento abrangente e preciso sobre o manejo das grandes hérnias incisionais, desde o preparo pré-operatório até os detalhes técnicos do reparo e o cuidado pós-operatório.

Gabarito: letra E

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