Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2024
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg355687
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica ou Cirurgia Geral
Considerando o antígeno prostático específico (PSA) e câncer de próstata (CaP), assinale a alternativa correta.
AOs valores de referências do PSA necessitam ser ajustados pela idade (todos) e pela raça (negros e amarelos).
BÉ dispensável a realização de toque retal para aumento de possibilidade diagnóstica do CaP.
CA utilização de biomarcador urinário substitui a necessidade de seguimento com PSA em homens com suspeita de CaP e biópsias iniciais negativas.
DA relação PSA livre/PSA total aumenta a acurácia diagnóstica do CaP em relação ao uso isolado de PSA e está inversamente relacionada com o escore de Gleason e com os volumes prostático e tumoral.
EPara a definição da densidade do PSA, há a necessidade de realização da ultrassonografia suprapúbica e da ressonância magnética, o que diminui sua utilização na prática.
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GabaritoA — Os valores de referências do PSA necessitam ser ajustados pela idade (todos) e pela raça (negros e amarelos).
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Antígeno Prostático Específico (PSA) e Câncer de Próstata
Gabarito: letra A. Os valores de referência do PSA são ajustados pela idade (em todas as faixas etárias) e pela raça (negros e amarelos), conforme diretrizes de rastreamento do câncer de próstata. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre o papel do toque retal, biomarcadores urinários, relação PSA livre/total e densidade do PSA.
O PSA é uma glicoproteína produzida exclusivamente pelas células epiteliais da próstata, sendo um marcador órgão-específico, mas não câncer-específico. Isso significa que ele pode estar elevado em condições benignas como hiperplasia prostática benigna (HPB), prostatite, retenção urinária, manipulação prostática (biópsia, massagem), ejaculação recente e até ciclismo de longa distância. Por isso, a interpretação do PSA isolado tem baixa especificidade para câncer, e a necessidade de biópsia deve considerar múltiplos fatores, como volume prostático, idade, inflamação e uso de inibidores da 5α-redutase (finasterida e dutasterida reduzem o PSA em 50% ou mais após 6 meses).
O ajuste dos valores de referência por idade e raça é uma prática consolidada. Homens negros têm maior risco de câncer de próstata e tendem a apresentar PSA mais elevado, enquanto homens amarelos (asiáticos) tendem a ter valores menores. O ajuste por idade reconhece que o PSA aumenta naturalmente com o envelhecimento devido ao crescimento prostático benigno. Esses ajustes melhoram a sensibilidade e especificidade do teste, reduzindo biópsias desnecessárias em homens mais velhos e aumentando a detecção em grupos de maior risco.
O toque retal (TR) permanece fundamental na avaliação diagnóstica. Embora não seja recomendado como teste de rastreamento isolado, sua realização em pacientes com PSA elevado aumenta muito o valor preditivo positivo para câncer de próstata (de 22% com PSA > 3 ng/mL isolado para 49% quando associado a TR alterado). O TR pode detectar nodulações, indurações ou assimetrias que indicam suspeita de malignidade, sendo complementar ao PSA, não dispensável.
A relação PSA livre/PSA total é um parâmetro útil para diferenciar câncer de HPB, especialmente quando o PSA total está entre 4 e 10 ng/mL. Valores baixos da relação (menores que 10-15%) sugerem maior probabilidade de câncer, enquanto valores altos favorecem doença benigna. A relação PSA livre/total é inversamente proporcional ao risco de câncer, mas a afirmação de que está inversamente relacionada ao escore de Gleason e aos volumes prostático e tumoral é incorreta: a relação é influenciada pelo volume prostático (próstatas maiores tendem a ter maior PSA livre), mas não há correlação direta com o Gleason ou volume tumoral.
A densidade do PSA (PSAD) é calculada dividindo-se o PSA total pelo volume prostático, obtido por ultrassonografia transretal (USTR). A ultrassonografia suprapúbica e a ressonância magnética não são necessárias para esse cálculo, e a afirmação de que sua utilização é diminuída por essa necessidade é incorreta. A PSAD é útil para diferenciar HPB de câncer, pois próstatas com câncer tendem a ter maior densidade.
Os biomarcadores urinários (como PCA3) são ferramentas auxiliares na decisão de repetir biópsia em homens com biópsia inicial negativa, mas não substituem o seguimento com PSA. Eles são usados em conjunto com o PSA e outros parâmetros clínicos para melhorar a acurácia diagnóstica, não para substituí-lo.
A pegadinha central desta questão é a banca explorar conceitos que parecem plausíveis, mas contêm erros sutis. A alternativa D, por exemplo, mistura uma informação correta (a relação PSA livre/total aumenta a acurácia) com uma incorreta (a relação com Gleason e volumes). A alternativa E atribui à densidade do PSA a necessidade de exames que não são obrigatórios para seu cálculo. A alternativa C superestima o papel dos biomarcadores urinários. A alternativa B subestima a importância do toque retal.
PSA no rastreamento do CaP: Ajustes dos valores de referência (Por idade (todas as faixas), Por raça (negros e amarelos)); Toque retal (Complementar ao PSA, Aumenta valor preditivo positivo); Relação PSA livre/total (Útil no PSA 4–10 ng/mL, Baixa relação → maior risco de CaP, Sem correlação com Gleason/volume tumoral); Densidade do PSA (PSAD) (PSA ÷ volume prostático (USTR), Sem necessidade de US suprapúbica/RM); Biomarcadores urinários (PCA3) (Auxiliares na repetição de biópsia, Não substituem o PSA)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os valores de referência do PSA são ajustados pela idade e pela raça. O ajuste por idade reconhece o aumento fisiológico do PSA com o envelhecimento, e o ajuste por raça considera que homens negros têm PSA basal mais elevado e maior risco de câncer, enquanto homens amarelos tendem a ter valores menores. Esses ajustes são recomendados por diretrizes de rastreamento para melhorar a acurácia do teste.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O toque retal não é dispensável. Embora não seja recomendado como teste de rastreamento isolado, sua realização em pacientes com PSA elevado aumenta o valor preditivo positivo para câncer de próstata (de 22% para 49% quando associado a PSA > 3 ng/mL). O TR pode detectar nodulações, indurações ou assimetrias, sendo complementar ao PSA na suspeita diagnóstica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os biomarcadores urinários (como PCA3) são ferramentas auxiliares na decisão de repetir biópsia em homens com biópsia inicial negativa, mas não substituem o seguimento com PSA. Eles são usados em conjunto com o PSA e outros parâmetros clínicos para melhorar a acurácia diagnóstica, não para substituí-lo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A relação PSA livre/PSA total aumenta a acurácia diagnóstica em relação ao PSA isolado, mas a afirmação de que está inversamente relacionada ao escore de Gleason e aos volumes prostático e tumoral é incorreta. A relação é influenciada pelo volume prostático (próstatas maiores tendem a ter maior PSA livre), mas não há correlação direta com o Gleason ou volume tumoral.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A densidade do PSA (PSAD) é calculada dividindo-se o PSA total pelo volume prostático, obtido por ultrassonografia transretal (USTR). A ultrassonografia suprapúbica e a ressonância magnética não são necessárias para esse cálculo, e a afirmação de que sua utilização é diminuída por essa necessidade é incorreta. A PSAD é útil para diferenciar HPB de câncer, pois próstatas com câncer tendem a ter maior densidade.