Questão de Medicina — Gastroenterologia — Quadrix 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg355688
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica ou Cirurgia Geral
A respeito da indicação do enema opaco, é correto afirmar que
Anão apresenta mais utilidade na prática clínica.
Bpode ser solicitado como alternativa para a avaliação do cólon à jusante de uma obstrução que foi intransponível a colonoscopia.
Cé melhor que a tomografia de abdome para a avaliação de fístula colônica.
Dé indicado, ainda hoje, para o diagnóstico de megacólon e para a avaliação do tamanho do coto retal após cirurgia de Hartmann.
Eestá indicada para o seguimento dos pacientes com doença de Crohn restrita ao cólon.
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GabaritoD — é indicado, ainda hoje, para o diagnóstico de megacólon e para a avaliação do tamanho do coto retal após cirurgia de Hartmann.
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Enema opaco: indicações atuais na prática clínica
Gabarito: letra D. O enema opaco, embora tenha perdido espaço para a colonoscopia e a tomografia, mantém indicações específicas e atuais, como o diagnóstico de megacólon e a avaliação do coto retal após cirurgia de Hartmann — exatamente o que a alternativa D afirma. As demais alternativas ou negam sua utilidade (A), ou atribuem a ele funções que hoje pertencem a outros métodos (B, C, E).
O enema opaco é um exame radiológico contrastado do intestino grosso, que consiste na introdução de contraste (sulfato de bário, em geral) pelo reto, permitindo a avaliação morfológica do cólon. Durante décadas, foi o principal método para estudar o cólon, mas a colonoscopia e, mais recentemente, a colonografia por tomografia computadorizada (CTC) assumiram esse papel, por oferecerem maior sensibilidade diagnóstica e, no caso da colonoscopia, a possibilidade de biópsia e intervenção terapêutica. No entanto, isso não significa que o exame tenha sido abandonado: ele permanece útil em situações específicas, nas quais outros métodos são inviáveis ou insuficientes.
A principal indicação contemporânea do enema opaco é a avaliação do cólon proximal (à montante) em casos de obstrução que impede a progressão do colonoscópio. Quando a colonoscopia não consegue ultrapassar uma estenose, o enema opaco pode ser utilizado para estudar o segmento além da obstrução, desde que não haja risco de perfuração. Além disso, o exame é valioso no diagnóstico de megacólon (dilatação do cólon, frequentemente de etiologia chagásica), na avaliação do coto retal após cirurgia de Hartmann (antes da reconstrução do trânsito intestinal) e na caracterização de fístulas colônicas, embora, para estas, a tomografia com contraste e a ressonância magnética sejam frequentemente superiores.
É importante destacar que o enema opaco não é o método de escolha para o seguimento de pacientes com doença de Crohn, para os quais a ileocolonoscopia e a enterografia por tomografia ou ressonância são os exames preferenciais. Também não é superior à tomografia para avaliação de fístulas colônicas, sendo a enterografia por TC ou RM as modalidades mais sensíveis. A alternativa B, que sugere o enema opaco para avaliar o cólon à jusante (distal) de uma obstrução, contém um erro conceitual: o exame avalia o cólon à montante (proximal) da obstrução, pois o contraste é introduzido pelo reto e não consegue ultrapassar a lesão obstrutiva.
A pegadinha central desta questão está em reconhecer que o enema opaco, apesar de ter indicações reduzidas, não perdeu totalmente sua utilidade. O candidato que associa o exame a uma prática obsoleta tende a marcar a alternativa A, mas a literatura médica atual ainda o recomenda em cenários específicos. A alternativa D é a única que descreve corretamente essas indicações remanescentes.
Enema opaco
1Indicações atuais
Megacólon
Coto retal pós-Hartmann
Cólon à montante de obstrução
2Não é método de escolha
Seguimento de Crohn
Fístulas colônicas (TC/RM superiores)
3Limitação
Não avalia cólon à jusante
contraste não ultrapassa obstrução
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o enema opaco "não apresenta mais utilidade na prática clínica". Isso é falso: o exame ainda é indicado para o diagnóstico de megacólon e para a avaliação do coto retal pós-Hartmann, como descrito na alternativa D. Embora tenha perdido espaço para a colonoscopia e a tomografia, o enema opaco mantém um papel restrito, mas real, na prática clínica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o enema opaco pode ser solicitado para avaliar o cólon "à jusante" de uma obstrução intransponível à colonoscopia. O erro está no termo "à jusante": o enema opaco, com contraste introduzido pelo reto, avalia o cólon à montante (proximal) da obstrução, ou seja, o segmento que não pôde ser visualizado pela colonoscopia. O cólon à jusante (distal) já foi examinado pelo colonoscópio antes de encontrar a obstrução. A alternativa inverte a direção da avaliação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sustenta que o enema opaco é melhor que a tomografia de abdome para avaliar fístula colônica. Na prática, a tomografia computadorizada com contraste (e, em muitos casos, a ressonância magnética) é superior ao enema opaco para a caracterização de fístulas, por oferecer melhor resolução anatômica e avaliação dos tecidos adjacentes. O enema opaco pode até demonstrar a fístula, mas não é o método de escolha, e a afirmação de que é "melhor" está incorreta.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que o enema opaco é indicado, ainda hoje, para o diagnóstico de megacólon e para a avaliação do tamanho do coto retal após cirurgia de Hartmann. No megacólon, o exame demonstra a dilatação do cólon, auxiliando no diagnóstico e na avaliação da extensão do comprometimento. Na cirurgia de Hartmann, o enema opaco é utilizado para avaliar o coto retal antes da reconstrução do trânsito intestinal, verificando sua integridade e extensão. Essas são indicações clássicas e atuais do método.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o enema opaco está indicado para o seguimento de pacientes com doença de Crohn restrita ao cólon. Para o seguimento da doença de Crohn, os exames de escolha são a ileocolonoscopia (com biópsia) e a enterografia por tomografia ou ressonância magnética, que permitem avaliar a atividade inflamatória e as complicações. O enema opaco não é utilizado para esse fim, sendo uma alternativa superada.