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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg355689
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica ou Cirurgia Geral
Em relação ao manejo das hérnias inguinocrurais em adultos, julgue os itens a seguir.I As hérnias operadas pela técnica transperitoneal (TAPP) e técnica totalmente extraperitoneal (TEP) devem ser fixadas, de preferência com fixação atraumática (colas ou selantes).II As recidivas herniárias são melhor tratadas quando são realizadas por via diferente da utilizada na cirurgia prévia.III É recomendada a remoção sistemática de telas monofilamentares e de poros grandes, quando ocorrem infecções profundas do sítio cirúrgico.IV Os três principais nervos da região são o ílioinguinal, o ílio-hipogástrico e o ramo genital do nervo genitofemoral.V Os reparos videoendoscópios de hérnias femorais resultam em maior recorrência e maior dor pós‑operatória, se for comparado à inguinotomia.Assinale a alternativa correta.
  1. ASomente os itens I, II e III estão certos.
  2. BSomente os itens II, III e IV estão certos.
  3. CSomente os itens II e IV estão certos.
  4. DSomente os itens III, IV e V estão certos.
  5. ETodos os itens estão certos.
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GabaritoC — Somente os itens II e IV estão certos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Manejo das Hérnias Inguinocrurais em Adultos

Gabarito: letra C. Estão corretos apenas os itens II e IV. O item II está correto porque, em hérnias recidivadas, recomenda-se abordar a região por uma via ainda virgem de tratamento, ou seja, diferente da utilizada na cirurgia prévia. O item IV está correto porque os três principais nervos da região inguinal são o ílioinguinal, o ílio-hipogástrico e o ramo genital do nervo genitofemoral. Os demais itens (I, III e V) apresentam afirmações incorretas, como será detalhado a seguir.

As hérnias inguinocrurais são as mais frequentes da parede abdominal, correspondendo a cerca de três quartos dos casos, com predomínio no sexo masculino (9:1). Subdividem-se em inguinais (diretas, indiretas e mistas) e femorais (ou crurais), sendo estas últimas 4 a 5 vezes mais comuns em mulheres e correspondendo a 8% das hérnias inguinocrurais. O diagnóstico é fundamentalmente clínico, pelo exame físico com manobra de Valsalva, e o tratamento é cirúrgico, podendo ser realizado por via aberta ou videoendoscópica (TAPP e TEP).

A escolha da técnica cirúrgica depende de diversos fatores, incluindo a experiência do cirurgião, o tipo de hérnia, se é bilateral ou recidivada. As técnicas laparoscópicas tendem a oferecer retorno mais precoce à atividade laborativa por estarem associadas a menos dor no pós-operatório, vantagem mais evidente em hérnias bilaterais. Em hérnias recidivadas, há vantagem em abordar a região por uma via ainda virgem de tratamento, o que fundamenta o item II.

A fixação da tela nas técnicas videoendoscópicas (TAPP e TEP) é um ponto de debate. Embora a fixação com colas ou selantes (fixação atraumática) seja uma opção, não há recomendação de que seja a preferencial; a fixação mecânica (grampos, tacks) também é amplamente utilizada, e a escolha depende da técnica, do tamanho do defeito e da preferência do cirurgião. Portanto, afirmar que "devem ser fixadas, de preferência com fixação atraumática" é uma generalização incorreta, pois não reflete a prática baseada em evidências, que não estabelece uma superioridade clara de um método sobre o outro.

Quanto às infecções profundas do sítio cirúrgico com telas, a recomendação atual não é a remoção sistemática de telas monofilamentares e de poros grandes. Pelo contrário, telas de poros grandes e monofilamentares são mais resistentes à infecção e, em muitos casos, podem ser preservadas com tratamento conservador (drenagem, antibióticos). A remoção da tela é reservada para casos de infecção persistente ou quando a tela é de poros pequenos e multifilamentar, que têm maior risco de colonização bacteriana. Portanto, o item III está incorreto ao recomendar a remoção sistemática.

Por fim, os reparos videoendoscópicos de hérnias femorais não resultam em maior recorrência e maior dor pós-operatória quando comparados à inguinotomia. Na verdade, a literatura mostra que as técnicas videoendoscópicas estão associadas a menor dor pós-operatória e retorno mais precoce às atividades, e a recorrência é semelhante ou até menor em mãos experientes. O item V inverte essa evidência, configurando uma pegadinha clássica.

Guarde a fronteira entre o que é recomendação baseada em evidência e o que é prática sem comprovação: é exatamente nela que os itens I, III e V se separam dos itens II e IV.

Item

Afirmação

Veredito

I

TAPP/TEP devem ser fixadas, de preferência com fixação atraumática (colas/selantes)

❌ Incorreto — não há preferência estabelecida; fixação mecânica também é válida

II

Recidivas são melhor tratadas por via diferente da cirurgia prévia

✅ Correto — evita fibrose e reduz risco de lesão

III

Remoção sistemática de telas monofilamentares de poros grandes em infecção profunda

❌ Incorreto — telas de poros grandes/monofilamentares podem ser preservadas

IV

Três principais nervos: ílioinguinal, ílio-hipogástrico e ramo genital do genitofemoral

✅ Correto — anatomia essencial para evitar dor crônica

V

Reparos videoendoscópicos de hérnias femorais → maior recorrência e dor

❌ Incorreto — videoendoscopia tem menos dor e recorrência semelhante/menor

1Classificação
Inguinais (diretas, indiretas, mistas)
Femorais/crurais
2Tratamento
Via aberta
Videoendoscópica (TAPP/TEP)
3Recidiva
Via diferente da prévia
4Nervos da região
Ílioinguinal
Ílio-hipogástrico
Ramo genital do genitofemoral
Hérnias inguinocrurais
LEVELsoulevel.com.br
Hérnias inguinocrurais: Classificação (Inguinais (diretas, indiretas, mistas), Femorais/crurais); Tratamento (Via aberta, Videoendoscópica (TAPP/TEP)); Recidiva (Via diferente da prévia); Nervos da região (Ílioinguinal, Ílio-hipogástrico, Ramo genital do genitofemoral)

Item I — ❌ Incorreto

A afirmação de que as hérnias operadas por TAPP e TEP "devem ser fixadas, de preferência com fixação atraumática (colas ou selantes)" não é correta. Embora a fixação atraumática seja uma opção válida, não há recomendação de preferência sobre a fixação mecânica. A escolha da fixação depende de fatores como o tamanho do defeito, a técnica utilizada e a preferência do cirurgião. A literatura não estabelece superioridade clara de um método sobre o outro, e a fixação mecânica (grampos, tacks) continua sendo amplamente utilizada. Portanto, o erro está na palavra "preferência", que não é respaldada pelas diretrizes atuais.

Item II — ✅ Correto

O item II está correto. Em hérnias recidivadas, recomenda-se abordar a região por uma via ainda virgem de tratamento, ou seja, diferente da utilizada na cirurgia prévia. Isso evita a dissecção em área de fibrose e reduz o risco de lesão de estruturas nobres. Essa recomendação é amplamente aceita e está alinhada com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Hérnia (SBH) e internacionais.

Item III — ❌ Incorreto

O item III está incorreto ao afirmar que é recomendada a remoção sistemática de telas monofilamentares e de poros grandes quando ocorrem infecções profundas do sítio cirúrgico. Na prática, telas de poros grandes e monofilamentares são mais resistentes à infecção e, em muitos casos, podem ser preservadas com tratamento conservador (drenagem, antibióticos). A remoção da tela é reservada para casos de infecção persistente ou quando a tela é de poros pequenos e multifilamentar, que têm maior risco de colonização bacteriana. Portanto, a recomendação não é sistemática, e o item erra ao generalizar.

Item IV — ✅ Correto

O item IV está correto. Os três principais nervos da região inguinal são o ílioinguinal, o ílio-hipogástrico e o ramo genital do nervo genitofemoral. Esses nervos são importantes durante a dissecção cirúrgica, pois sua lesão pode causar dor crônica pós-operatória. O conhecimento da anatomia é essencial para evitar complicações.

Item V — ❌ Incorreto

O item V está incorreto ao afirmar que os reparos videoendoscópicos de hérnias femorais resultam em maior recorrência e maior dor pós-operatória quando comparados à inguinotomia. Na verdade, as técnicas videoendoscópicas estão associadas a menor dor pós-operatória e retorno mais precoce às atividades, e a recorrência é semelhante ou até menor em mãos experientes. O item inverte a evidência, configurando uma pegadinha clássica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a evidência sobre as técnicas videoendoscópicas: elas não causam maior dor nem maior recorrência — pelo contrário, tendem a causar menos dor e permitir retorno mais precoce. Fique atento a inversões desse tipo, que são comuns em questões de cirurgia.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar os nervos da região inguinal, lembre-se do mnemônico "IIG" (Ílioinguinal, Ílio-hipogástrico e ramo Genital do genitofemoral). Na prova, desconfie de afirmações com "sempre", "nunca" ou "sistematicamente" — elas geralmente escondem exceções ou falta de evidência.

Gabarito: letra C — corretos apenas os itens II e IV.

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