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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg355696
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica ou Cirurgia Geral
A respeito do risco de infecção na cirurgia cardíaca, é correto afirmar que
  1. Aa necessidade de traqueostomia pós‑operatória está diretamente relacionada à ocorrência de mediastinite.
  2. Bnão está indicado antibiótico para a profilaxia, por essa cirurgia ser classificada como cirurgia limpa, mesmo com uso de materiais protéticos.
  3. Co antibiótico deve ser mantido por até seis semanas, se houver osteomielite pós‑esternotomia.
  4. Da conduta conservadora deve ser estabelecida nos casos de mediastinite estabelecida, devido ao risco de instabilidade do osso esterno no pós‑operatório da reoperação.
  5. Eo tratamento deve ser agressivo com reoperação de imediato nos pacientes que apresentam infecção da ferida mediastinal, mesmo com acometimento apenas do subcutâneo.
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GabaritoA — a necessidade de traqueostomia pós‑operatória está diretamente relacionada à ocorrência de mediastinite.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Infecção em cirurgia cardíaca: mediastinite e profilaxia antibiótica

Gabarito: letra A. A necessidade de traqueostomia pós-operatória está diretamente relacionada à ocorrência de mediastinite, pois a infecção profunda da ferida esternal compromete a estabilidade do esterno e a mecânica ventilatória, frequentemente exigindo suporte ventilatório prolongado e, consequentemente, via aérea definitiva. As demais alternativas distorcem aspectos fundamentais da profilaxia antibiótica e do manejo da mediastinite, que serão analisados a seguir.

A mediastinite pós-esternotomia é uma das complicações mais temidas na cirurgia cardíaca, com alta morbimortalidade. Ela representa uma infecção profunda que acomete o osso esterno e o mediastino, geralmente associada a germes como Staphylococcus aureus (incluindo MRSA) e bacilos gram-negativos. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são cruciais, pois a progressão para sepse e disfunção de múltiplos órgãos é rápida. A relação com a traqueostomia é bidirecional: pacientes que desenvolvem mediastinite frequentemente necessitam de ventilação mecânica prolongada, o que aumenta o risco de pneumonia associada à ventilação e a necessidade de traqueostomia; por outro lado, a traqueostomia precoce pode ser necessária para otimizar a mecânica respiratória e facilitar a higiene brônquica em pacientes com instabilidade esternal.

A profilaxia antibiótica em cirurgia cardíaca é um pilar fundamental, mesmo sendo a cirurgia classificada como limpa. A presença de materiais protéticos (enxertos, valvas, dispositivos) eleva o risco de infecção, tornando a profilaxia obrigatória. O antibiótico de escolha é a cefazolina, com duração recomendada de pelo menos 24 horas, sem benefício comprovado em estender além de 48 horas. A vancomicina é reservada para pacientes colonizados por MRSA ou alérgicos a betalactâmicos. O controle glicêmico rigoroso (< 180 mg/dL) também é fundamental para reduzir o risco de infecção de sítio cirúrgico.

O tratamento da mediastinite estabelecida é cirúrgico e agressivo, com desbridamento completo do tecido desvitalizado, remoção de corpos estranhos e drenagem adequada. A conduta conservadora é inadequada, pois a infecção não resolvida leva à osteomielite crônica, sepse e morte. A reconstrução do esterno pode ser necessária com uso de retalhos musculares (peitoral, reto abdominal) ou omental. A antibioticoterapia prolongada é indicada, mas a duração varia conforme a extensão da infecção e a resposta ao tratamento, não sendo fixada em seis semanas para osteomielite pós-esternotomia, embora seja um período comum.

A distinção crucial é entre infecção superficial (acometendo apenas pele e subcutâneo) e mediastinite (infecção profunda). A infecção superficial pode ser tratada com abertura da ferida, desbridamento local e antibióticos, sem necessidade de reoperação imediata. Já a mediastinite exige abordagem cirúrgica agressiva. A banca explora exatamente essa confusão: a alternativa E sugere tratamento agressivo com reoperação imediata para infecção apenas subcutânea, o que é desproporcional e incorreto.

Guarde a fronteira entre infecção superficial e profunda, e os princípios da profilaxia: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

1Profilaxia antibiótica
Indicada (cirurgia limpa + prótese)
Cefazolina 24h
Vancomicina (MRSA)
2Infecção superficial (subcutâneo)
Conduta conservadora
Desbridamento local
3Mediastinite (profunda)
Tratamento cirúrgico agressivo
Desbridamento + drenagem
Reconstrução (retalhos)
Traqueostomia (ventilação prolongada)
Infecção em cirurgia cardíaca
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Infecção em cirurgia cardíaca: Profilaxia antibiótica (Indicada (cirurgia limpa + prótese), Cefazolina 24h, Vancomicina (MRSA)); Infecção superficial (subcutâneo) (Conduta conservadora, Desbridamento local); Mediastinite (profunda) (Tratamento cirúrgico agressivo, Desbridamento + drenagem, Reconstrução (retalhos), Traqueostomia (ventilação prolongada))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A mediastinite, por comprometer a estabilidade do esterno e a mecânica ventilatória, frequentemente leva à necessidade de ventilação mecânica prolongada e, consequentemente, à traqueostomia. A relação é direta: pacientes com mediastinite têm maior risco de falência de extubação e necessidade de via aérea definitiva. Estudos mostram que a traqueostomia é mais comum em pacientes que desenvolvem essa complicação, seja pela dificuldade de desmame ventilatório, seja pela necessidade de otimizar a higiene brônquica e reduzir o trabalho respiratório.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cirurgia cardíaca, embora classificada como limpa, tem indicação formal de profilaxia antibiótica, especialmente pela presença de materiais protéticos. A profilaxia reduz a incidência de infecção de sítio cirúrgico e mediastinite. A alternativa erra ao afirmar que não está indicado antibiótico, contrariando as diretrizes de profilaxia cirúrgica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A duração da antibioticoterapia para osteomielite pós-esternotomia não é fixada em seis semanas. O tratamento é individualizado, baseado na extensão da infecção, no agente etiológico e na resposta clínica. Embora seis semanas seja um período comum para osteomielite, não é uma regra absoluta. A alternativa apresenta um prazo específico sem respaldo em diretrizes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A conduta conservadora é inadequada na mediastinite estabelecida. O tratamento é cirúrgico, com desbridamento agressivo e drenagem. A preocupação com a instabilidade esternal não justifica adiar a intervenção, pois a infecção não controlada é mais letal. A estabilização do esterno pode ser feita com técnicas de reconstrução após o controle da infecção.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A infecção da ferida mediastinal com acometimento apenas do subcutâneo (infecção superficial) não requer reoperação imediata. O tratamento é conservador, com abertura da ferida, desbridamento local e antibióticos. A reoperação agressiva é reservada para mediastinite (infecção profunda). A alternativa confunde os níveis de acometimento e propõe conduta desproporcional.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre infecção superficial e profunda da ferida esternal. Na alternativa E, ela sugere tratamento agressivo para infecção apenas subcutânea, quando o correto é conduta conservadora. Já na alternativa D, ela propõe conduta conservadora para mediastinite, quando o correto é tratamento cirúrgico agressivo. Fique atento ao nível de acometimento: subcutâneo = conservador; mediastino = cirúrgico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de infecção em cirurgia cardíaca, memorize os pilares: profilaxia com cefazolina por 24h (vancomicina para MRSA), controle glicêmico < 180 mg/dL, e a tríade diagnóstico precoce + desbridamento cirúrgico + antibióticos direcionados para mediastinite. A traqueostomia é consequência da ventilação prolongada, não uma complicação primária.

Gabarito: letra A

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