Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Quadrix 2024
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg355697
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com Pré-Requisito em Área Cirúrgica Básica ou Cirurgia Geral
Assinale a alternativa que apresenta a prescrição pós‑operatória adequada de uma colecistectomia videolaparoscópica eletiva por colelitíase sem colangiografia intraoperatória.
Ajejum, analgesia simples de horário, antiemético se houver vômitos, antibioticoprofilaxia por 24 horas e alta após término do antibiótico
Bdieta leve, analgesia simples de horário, antiemético se houver vômitos, protetor gástrico, antibioticoprofilaxia por 24 horas e alta no dia seguinte
Cjejum, soro glicosado, analgesia com opioide, antiemético de horário, antibioticoprofilaxia por 24 horas e alta no dia seguinte
Ddieta leve, soro glicosado, analgesia simples e antiemético de horário e alta no dia seguinte
Edieta leve, analgesia simples e antiemético de horário e alta no dia seguinte
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GabaritoE — dieta leve, analgesia simples e antiemético de horário e alta no dia seguinte
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Gabarito: letra E. Em colecistectomia videolaparoscópica eletiva por colelitíase, sem colangiografia intraoperatória e sem complicações, a conduta pós-operatória padrão é: dieta leve, analgesia simples de horário, antiemético se houver vômitos e alta no dia seguinte. A letra E é a única que combina exatamente esses elementos, sem acrescentar medidas desnecessárias como jejum, soro, opioides ou antibioticoprofilaxia prolongada.
A colecistectomia videolaparoscópica é um procedimento minimamente invasivo, realizado em regime eletivo para tratamento da colelitíase sintomática. Por ser uma cirurgia de pequeno porte, com baixa agressão à parede abdominal e rápida recuperação, o pós-operatório é simplificado e baseado em protocolos de recuperação acelerada (fast-track). O objetivo é oferecer conforto ao paciente, permitir deambulação precoce, reiniciar a alimentação o quanto antes e possibilitar alta hospitalar em curto período, geralmente no primeiro dia pós-operatória.
A prescrição pós-operatória adequada deve refletir essa filosofia. A dieta leve é liberada assim que o paciente desperta da anestesia e não apresenta náuseas ou vômitos, pois o procedimento não envolve anastomose intestinal e o trânsito gastrointestinal é rapidamente restabelecido. A analgesia simples de horário, com anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) ou dipirona, é suficiente para controlar a dor de intensidade leve a moderada, típica dos trocartes. O antiemético é prescrito de forma profilática ou sob demanda, para prevenir náuseas e vômitos relacionados à anestesia e ao pneumoperitônio. A alta hospitalar é planejada para o dia seguinte, desde que o paciente esteja tolerando dieta, com dor controlada por via oral e sem sinais de complicações.
A antibioticoprofilaxia, quando indicada, é administrada em dose única pré-operatória, 30 a 60 minutos antes da incisão, e não deve ser prolongada no pós-operatório. Em cirurgias limpas ou limpas-contaminadas, como a colecistectomia eletiva, não há benefício em manter antibióticos após o procedimento, e o uso prolongado aumenta o risco de resistência bacteriana e efeitos adversos. O jejum pós-operatório não é necessário, pois a cirurgia não envolve ressecção ou anastomose intestinal. O soro glicosado ou outras soluções intravenosas são desnecessários se o paciente está tolerando dieta oral e hidratando-se adequadamente. O uso de opioides deve ser reservado para dor de maior intensidade, que não é o esperado nesse cenário.
A banca explora a confusão entre o pós-operatório de uma cirurgia minimamente invasiva e o de uma cirurgia aberta ou de maior porte, onde o jejum, o soro e a antibioticoprofilaxia prolongada seriam mais comuns. O candidato que não conhece os protocolos de recuperação acelerada tende a marcar uma alternativa com medidas mais "agressivas", como jejum ou soro, por considerar que são sempre necessárias após qualquer cirurgia. A chave é reconhecer que a colecistectomia videolaparoscópica eletiva é um procedimento de baixa complexidade, com recuperação rápida, e que a prescrição deve ser a mais simples e fisiológica possível.
1Dieta leve precoce
2Analgesia simples de horário
3Antiemético se vômitos
4Alta no dia seguinte
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está em prescrever jejum no pós-operatório. A colecistectomia videolaparoscópica não exige jejum, pois não há anastomose intestinal; a dieta leve deve ser liberada precocemente. Além disso, a antibioticoprofilaxia por 24 horas é desnecessária — a profilaxia, quando indicada, é dose única pré-operatória. A alta após o término do antibiótico também não faz sentido, pois o antibiótico não deve ser mantido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa contém um erro sutil: inclui protetor gástrico na prescrição. Em uma colecistectomia eletiva sem fatores de risco, não há indicação rotineira de proteção gástrica, a menos que o paciente já use inibidores da bomba de prótons ou tenha risco de úlcera de estresse. A antibioticoprofilaxia por 24 horas também está incorreta, pois a profilaxia é dose única pré-operatória. Os demais elementos (dieta leve, analgesia simples, antiemético se vômitos, alta no dia seguinte) estão corretos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O erro está em prescrever jejum e soro glicosado, que são desnecessários, e analgesia com opioide, que é excessiva para a dor esperada. O antiemético de horário também não é a conduta padrão; ele deve ser prescrito se houver vômitos. A antibioticoprofilaxia por 24 horas é desnecessária. A alta no dia seguinte está correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa está quase correta, mas inclui soro glicosado, que é desnecessário quando o paciente tolera dieta oral. A prescrição de antiemético de horário também não é a conduta padrão; ele deve ser usado se houver vômitos. A dieta leve, a analgesia simples e a alta no dia seguinte estão corretas.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa E é a prescrição pós-operatória adequada: dieta leve (liberada precocemente), analgesia simples de horário (AINEs ou dipirona), antiemético se houver vômitos (sob demanda) e alta no dia seguinte. Não há jejum, soro, opioides, protetor gástrico ou antibioticoprofilaxia prolongada, que são medidas desnecessárias nesse cenário. Essa conduta está alinhada com os protocolos de recuperação acelerada e com a baixa complexidade do procedimento.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a escolher uma alternativa com medidas "mais seguras" ou "mais completas", como jejum, soro ou antibioticoprofilaxia prolongada. Essas medidas são típicas de cirurgias de maior porte, mas não se aplicam à colecistectomia videolaparoscópica eletiva. A pegadinha está em confundir o pós-operatório de uma cirurgia minimamente invasiva com o de uma cirurgia aberta ou de emergência. Lembre-se: quanto mais simples e fisiológica a prescrição, mais adequada ela é para esse caso.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de pós-operatório, identifique o porte da cirurgia e a via de acesso. Cirurgias videolaparoscópicas eletivas, como a colecistectomia, seguem protocolos de recuperação acelerada: dieta precoce, analgesia simples, antiemético sob demanda e alta rápida. Desconfie de alternativas com jejum, soro, opioides ou antibióticos prolongados, a menos que haja indicação específica (ex.: cirurgia de emergência, contaminação, complicação intraoperatória).