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Questão de Medicina — Endocrinologia — Quadrix 2024

MedicinaEndocrinologia
Código
qg355708
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com pré-requisito em Clínica Médica
Um paciente jovem, de 15 anos de idade, sem antecedentes patológicos conhecidos, compareceu ao pronto‑socorro com mal‑estar, dor abdominal, náuseas, poliúria e polidipsia. Na admissão, foi visto pH 7,1; BIC 12; glicemia 550; potássio 3,7; corpos cetônicos presentes na urina tipo 1 (3+); e sódio 142.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
  1. AO paciente possui indicação de receber bicarbonato endovenoso.
  2. BO paciente não possui indicação de repor potássio.
  3. CO paciente possui alto risco de fazer hipernatremia, considerando‑se que a hiperglicemia pode subestimar o sódio sérico.
  4. DO paciente não possui alto risco de fazer hipernatremia, pois a hiperglicemia pode superestimar o sódio sérico.
  5. EDeve‑se adiar a insulina para aumentar os níveis séricos de potássio.
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GabaritoC — O paciente possui alto risco de fazer hipernatremia, considerando‑se que a hiperglicemia pode subestimar o sódio sérico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cetoacidose diabética: distúrbios hidroeletrolíticos e manejo inicial

Gabarito: letra C. O paciente apresenta cetoacidose diabética (CAD) — pH 7,1, bicarbonato 12, glicemia 550 mg/dL, corpos cetônicos 3+ — e, na CAD, a hiperglicemia causa hiponatremia por diluição, subestimando o sódio sérico real. Por isso, há risco de hipernatremia quando a glicemia for corrigida, exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas contrariam as diretrizes de manejo da CAD: bicarbonato não é indicado com pH > 6,9, potássio deve ser reposto mesmo com valor sérico normal, e a insulina não deve ser adiada.

A cetoacidose diabética é uma emergência endocrinológica caracterizada pela tríade hiperglicemia, acidose metabólica com ânion gap elevado e cetose. O paciente jovem, sem antecedentes, com poliúria, polidipsia, dor abdominal e náuseas, apresenta o quadro clássico — muitas vezes é a primeira manifestação de diabetes mellitus tipo 1. O entendimento dos distúrbios hidroeletrolíticos é central para o manejo correto.

O sódio na CAD: a pegadinha da diluição. A hiperglicemia exerce força osmótica que puxa água do intracelular para o intravascular, diluindo o sódio. A regra prática: para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100 mg/dL, o sódio sérico cai cerca de 1,6 mEq/L. No caso, com glicemia de 550 mg/dL, o sódio medido de 142 mEq/L está subestimado — o sódio corrigido seria aproximadamente 142 + 1,6 × (450/100) = 142 + 7,2 = 149,2 mEq/L. Ou seja, o paciente tem sódio real elevado, e quando a glicemia for corrigida com insulina e hidratação, a água volta para o intracelular e o sódio "sobe" — daí o risco de hipernatremia.

O potássio na CAD: o paradoxo. O potássio sérico pode estar normal ou até elevado na admissão, mesmo com déficit corpóreo total de 3 a 5 mEq/kg. Isso ocorre porque a acidemia e a hiperosmolaridade deslocam potássio do intracelular para o extracelular, mascarando a depleção real. Por isso, a conduta é repor potássio desde o início, mesmo com valor sérico normal, monitorando frequentemente — a insulina e a correção da acidose fazem o potássio voltar para dentro da célula, podendo causar hipocalemia grave.

O bicarbonato na CAD: indicação restrita. O uso de bicarbonato endovenoso é reservado para casos de acidose extrema (pH < 6,9) ou com comprometimento hemodinâmico. Com pH 7,1, o paciente não tem indicação — a correção da acidose ocorre com hidratação e insulina, que interrompem a cetogênese. O uso indiscriminado pode causar hipocalemia, alcalose de rebote e piora da acidose intracelular.

A insulina: nunca adiar. A insulina é o pilar do tratamento — interrompe a lipólise e a cetogênese, corrigindo a acidose. Adiá-la para "aumentar o potássio" é um erro grave: o potássio deve ser reposto simultaneamente, e a insulina não deve ser retardada, pois a acidose e a hiperglicemia persistem.

Guarde a fronteira entre o que é medido e o que é real: na CAD, o sódio medido está subestimado (risco de hipernatremia após correção) e o potássio medido está superestimado (risco de hipocalemia após correção). É exatamente nessa inversão que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente tem indicação de bicarbonato endovenoso. Com pH 7,1, o paciente está acima do limiar de 6,9 — a indicação de bicarbonato é restrita a pH < 6,9 ou acidose extrema com comprometimento hemodinâmico. O tratamento inicial da CAD é hidratação + insulina + reposição de potássio; o bicarbonato não é rotina e pode causar hipocalemia e alcalose de rebote.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o paciente não tem indicação de repor potássio. O potássio sérico de 3,7 mEq/L está no limite inferior da normalidade, mas o déficit corpóreo total é de 3 a 5 mEq/kg — o valor sérico normal é enganoso, pois a acidemia desloca potássio para o extracelular. A conduta é repor potássio desde o início, mesmo com valor normal, monitorando frequentemente, pois a insulina e a correção da acidose causam hipocalemia.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o paciente tem alto risco de hipernatremia, pois a hiperglicemia subestima o sódio sérico. Exato: a hiperglicemia puxa água do intracelular para o intravascular, diluindo o sódio — para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100 mg/dL, o sódio cai cerca de 1,6 mEq/L. Com glicemia de 550 mg/dL, o sódio corrigido é ~149 mEq/L, ou seja, o sódio real já está elevado. Quando a glicemia for corrigida, a água volta para o intracelular e o sódio "sobe" — risco real de hipernatremia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que não há risco de hipernatremia, pois a hiperglicemia superestima o sódio sérico. Inverte o mecanismo: a hiperglicemia SUBestima o sódio (hiponatremia por diluição), não o superestima. O sódio medido de 142 mEq/L está abaixo do real (~149 mEq/L), e a correção da glicemia pode levar a hipernatremia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que se deve adiar a insulina para aumentar os níveis séricos de potássio. A insulina é o pilar do tratamento da CAD — interrompe a cetogênese e corrige a acidose. Adiá-la é um erro grave: o potássio deve ser reposto simultaneamente, e a insulina não deve ser retardada, pois a acidose e a hiperglicemia persistem, piorando o prognóstico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão entre o que é medido e o que é real na CAD: o sódio medido está subestimado (risco de hipernatremia após correção) e o potássio medido está superestimado (risco de hipocalemia após correção). O candidato que decora "na CAD o sódio é baixo" sem entender o mecanismo cai na alternativa D, que inverte o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Na CAD, decore o par: sódio medido < sódio real (subestimado pela diluição) e potássio medido > potássio real (superestimado pela acidemia). Quando a questão trouxer glicemia alta, calcule o sódio corrigido: some 1,6 mEq/L para cada 100 mg/dL de glicose acima de 100 mg/dL. Isso resolve a maioria das questões sobre distúrbios hidroeletrolíticos na CAD.

Gabarito: letra C — o paciente tem alto risco de hipernatremia, pois a hiperglicemia subestima o sódio sérico.

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