Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg355710
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com pré-requisito em Clínica Médica
Foram realizados, então, o manejo inicial do paciente e a internação em regime de enfermaria. No terceiro dia de internação, o paciente evoluiu com abafamento de bulhas cardíacas, hipotensão arterial e estase jugular. As imagens do ecocardiograma estão dispostas a seguir.Com base na situação hipotética apresentada e nas imagens resultantes da realização do POCUS, assinale a alternativa correta.
AExistem sinais de tamponamento como colabamento do AD.
BExistem sinais de tamponamento como colabamento do VD.
CExistem sinais de tamponamento como colabamento do VE.
DNão existem sinais ecocardiográficos de tamponamento cardíaco.
EA cava túrgida é um sinal específico para tamponamento cardíaco, dado a restrição importante ao retorno venoso e o consequente aumento da pressão na veia cava.
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GabaritoB — Existem sinais de tamponamento como colabamento do VD.
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SE LIGUE NESSA!
Esta questão depende de imagens de ecocardiograma (POCUS) que não estão disponíveis aqui. O raciocínio abaixo é o método para interpretá-las — confira os achados nas imagens originais da prova.
Tamponamento cardíaco: sinais ecocardiográficos e a tríade de Beck
Gabarito: letra B. O quadro clínico descrito — abafamento de bulhas, hipotensão e estase jugular — é a tríade de Beck, clássica do tamponamento cardíaco. No ecocardiograma, o sinal mais precoce e característico é o colabamento do átrio direito (AD) na diástole, e não do ventrículo direito (VD) ou do ventrículo esquerdo (VE). Como a questão pede a alternativa correta e o gabarito é B, a leitura das imagens deve evidenciar colabamento do VD — o que é o segundo sinal mais comum, ocorrendo na diástole, e que, junto com o colabamento do AD, confirma o diagnóstico. A alternativa A (colabamento do AD) seria correta se as imagens mostrassem esse achado, mas o gabarito aponta para o VD.
O tamponamento cardíaco é uma síndrome clínica causada pelo acúmulo de líquido no saco pericárdico, que comprime as câmaras cardíacas e prejudica o enchimento diastólico, reduzindo o débito cardíaco. O diagnóstico é primariamente clínico, mas o ecocardiograma (POCUS) é a ferramenta de confirmação à beira do leito. Os sinais ecocardiográficos clássicos incluem: derrame pericárdico, colabamento diastólico do átrio direito (AD) e do ventrículo direito (VD), movimento paradoxal do septo interventricular, dilatação da veia cava inferior (VCI) com colapso inspiratório reduzido, e o sinal de "swinging heart" (coração balançando dentro do derrame).
A fisiopatologia explica por que as câmaras direitas são as primeiras a colapsar: são câmaras de baixa pressão, portanto mais suscetíveis à compressão pelo aumento da pressão pericárdica. O colabamento do AD ocorre na diástole (ou tele-diástole), quando a pressão atrial é mínima; o colabamento do VD ocorre na diástole inicial, quando a pressão ventricular direita é mais baixa. O colabamento do VE é raro e tardio, pois o VE é uma câmara de alta pressão, exigindo pressão pericárdica muito elevada para colapsar.
A alternativa E menciona a cava túrgida como sinal específico para tamponamento. Isso é incorreto: a dilatação da veia cava inferior (VCI > 2,1 cm com variação respiratória < 50%) tem alta sensibilidade (95-97%) para tamponamento, mas baixa especificidade, pois ocorre em qualquer condição de pressão venosa central elevada (insuficiência cardíaca, pericardite constritiva, sobrecarga volêmica). Portanto, não é um sinal específico.
A pegadinha central desta questão é a troca entre os sinais ecocardiográficos: a banca oferece colabamento do AD (que é o sinal mais precoce e clássico) e colabamento do VD (que também é um sinal, mas menos precoce). O gabarito B indica que as imagens mostram colabamento do VD. É fundamental saber que ambos são sinais de tamponamento, mas o AD é o mais sensível e precoce; o VD é o segundo mais comum. O VE não colapsa em tamponamento típico.
Sinal ecocardiográfico
Câmara acometida
Momento do ciclo cardíaco
Frequência no tamponamento
Colabamento do AD
Átrio direito
Diástole (tele-diástole)
Mais precoce e sensível
Colabamento do VD
Ventrículo direito
Diástole inicial
Segundo mais comum
Colabamento do VE
Ventrículo esquerdo
Raro e tardio
Muito raro (exige pressão pericárdica extrema)
Dilatação da VCI
Veia cava inferior
Contínuo (com variação respiratória reduzida)
Alta sensibilidade, baixa especificidade
Tamponamento cardíaco: Sinais ecocardiográficos (Colabamento do AD (mais precoce), Colabamento do VD (2º mais comum), VE não colapsa (raro/tardio)); Sinais clínicos (tríade de Beck) (Abafamento de bulhas, Hipotensão, Estase jugular); Cava túrgida (Alta sensibilidade, Baixa especificidade)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que existem sinais de tamponamento como colabamento do AD. O colabamento do AD é, de fato, o sinal ecocardiográfico mais precoce e sensível de tamponamento cardíaco. No entanto, o gabarito oficial aponta a alternativa B como correta, indicando que as imagens mostram colabamento do VD, não do AD. Se as imagens mostrassem colabamento do AD, esta alternativa seria a correta. Como a questão pede a alternativa correta e o gabarito é B, a leitura das imagens deve evidenciar colabamento do VD — o que é o segundo sinal mais comum, ocorrendo na diástole, e que, junto com o colabamento do AD, confirma o diagnóstico. A alternativa A (colabamento do AD) seria correta se as imagens mostrassem esse achado, mas o gabarito aponta para o VD.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que existem sinais de tamponamento como colabamento do VD. O colabamento diastólico do ventrículo direito é um sinal ecocardiográfico clássico de tamponamento cardíaco, ocorrendo quando a pressão pericárdica excede a pressão diastólica do VD. É o segundo sinal mais comum, após o colabamento do AD. O gabarito oficial indica que as imagens mostram esse achado, tornando esta a alternativa correta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que existem sinais de tamponamento como colabamento do VE. O colabamento do ventrículo esquerdo é extremamente raro e tardio no tamponamento cardíaco, pois o VE é uma câmara de alta pressão, exigindo pressão pericárdica muito elevada para colapsar. Na prática, o colabamento do VE não é um sinal ecocardiográfico típico de tamponamento; quando ocorre, sugere compressão extrínseca localizada (como tumor ou hematoma). Portanto, a alternativa está incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que não existem sinais ecocardiográficos de tamponamento cardíaco. O quadro clínico (tríade de Beck) e a presença de derrame pericárdico nas imagens indicam fortemente tamponamento. A alternativa contraria a situação clínica apresentada e o gabarito, que reconhece a presença de sinais de tamponamento (colabamento do VD).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a cava túrgida é um sinal específico para tamponamento cardíaco. A dilatação da veia cava inferior (VCI > 2,1 cm com variação respiratória < 50%) tem alta sensibilidade (95-97%) para tamponamento, mas baixa especificidade, pois ocorre em qualquer condição de pressão venosa central elevada (insuficiência cardíaca, pericardite constritiva, sobrecarga volêmica). Portanto, não é um sinal específico. A alternativa erra ao atribuir especificidade a um sinal que é apenas sensível.
Gabarito: letra B — a alternativa correta é a que aponta o colabamento do VD como sinal de tamponamento, conforme as imagens do POCUS.