Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — Quadrix 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg355743
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades com pré-requisito em Clínica Médica
Ainda com base na situação hipotética apresentada, posteriormente, a paciente foi estabilizada, sendo realizada angiotomografia de crânio, que evidenciou área isquêmica em região occipital e sem lesões vasculares encontradas tanto em sistema nervoso central como em carótidas e angiotomografia, com protocolo tep positiva para embolia pulmonar em ramos segmentares bilateralmente e ecocardiograma transtorácico sem alterações.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, a respeito da causa do AVC.
ACardioembólico, dado o eletrocardiograma apresentado, e exames de imagem.
BHá uma provável etiologia ateroembólica de grandes vasos.
CPaciente possui etiologia criptogênica e não necessita de maiores investigações.
DPaciente possui ecocardiograma transtorácico sem alterações, logo pode-se descartar a presença de forame oval patente e podem‑se investigar, também, outras etiologias, como neuroinfecções e vasculites.
EDado o contexto clínico global e achados de exames de imagem, seria prudente a realização de um ecocardiograma com teste de microbolhas.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Dado o contexto clínico global e achados de exames de imagem, seria prudente a realização de um ecocardiograma com teste de microbolhas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
SE LIGUE NESSA!
Esta questão depende de um texto-base compartilhado com outras questões da mesma prova, que não está disponível aqui. O raciocínio abaixo é o método de investigação etiológica do AVC isquêmico — confira os dados do caso (eletrocardiograma, exames de imagem) no enunciado original.
Investigação etiológica do AVC isquêmico: o papel do ecocardiograma com teste de microbolhas
Gabarito: letra E. Diante de um AVC isquêmico em região occipital, sem lesões vasculares em carótidas e sistema nervoso central, com angiotomografia de tórax evidenciando embolia pulmonar em ramos segmentares bilateralmente e ecocardiograma transtorácico sem alterações, a conduta mais prudente é a realização de ecocardiograma com teste de microbolhas para investigar a presença de forame oval patente (FOP) — uma causa de embolia paradoxal. A alternativa E é a única que propõe uma investigação diagnóstica adequada ao contexto clínico, em vez de afirmar uma etiologia definitiva ou descartar precocemente outras causas.
O AVC isquêmico (AVCi) é a interrupção do fluxo sanguíneo cerebral por oclusão de um vaso, e sua etiologia é classicamente classificada pelos critérios TOAST em cinco subtipos: cardioembólico, aterotrombótico (ou ateroembólico de grandes vasos), lacunar, outras etiologias e indeterminado (criptogênico). A investigação etiológica é fundamental porque cada subtipo tem implicações terapêuticas e prognósticas distintas — por exemplo, o cardioembólico frequentemente indica anticoagulação, enquanto o aterotrombótico exige antiagregação e controle rigoroso de fatores de risco vascular.
No caso descrito, a paciente apresenta um AVC isquêmico occipital, e os exames iniciais não revelam estenose de grandes vasos (angiotomografia de crânio sem lesões vasculares em SNC e carótidas) nem alterações estruturais cardíacas ao ecocardiograma transtorácico (ETT). No entanto, a angiotomografia de tórax com protocolo TEP positiva para embolia pulmonar em ramos segmentares bilateralmente é um achado crucial: a presença de tromboembolismo pulmonar (TEP) simultâneo a um AVC isquêmico sem fonte cardioembólica evidente levanta fortemente a hipótese de embolia paradoxal — ou seja, um trombo formado no sistema venoso que, através de um shunt direito-esquerdo (como o forame oval patente), alcança a circulação arterial sistêmica e causa o AVC.
O forame oval patente (FOP) é uma comunicação interatrial presente em até 20-25% da população adulta, geralmente assintomática, mas que pode permitir a passagem de êmbolos do átrio direito para o esquerdo, configurando embolia paradoxal. Sua relevância clínica é especialmente importante em casos de AVC criptogênico — cerca de 50% dos pacientes com AVC criptogênico são diagnosticados com FOP. O ecocardiograma transtorácico (ETT) convencional tem sensibilidade limitada para detectar FOP, pois a visualização direta do defeito pode ser difícil; o método de escolha para investigação é o ecocardiograma com teste de microbolhas (contraste salino agitado), que consiste na injeção de solução salina agitada em veia periférica enquanto se observa a passagem de microbolhas para o átrio esquerdo, com ou sem manobra de Valsalva. O ecocardiograma transesofágico (ETE) é ainda mais sensível e pode ser necessário em casos de janela acústica limitada.
A alternativa D comete um erro conceitual importante ao afirmar que um ETT sem alterações descarta a presença de FOP. O ETT tem baixa sensibilidade para detectar FOP, especialmente em adultos, e a ausência de alterações no ETT não exclui a presença de shunt direito-esquerdo. Portanto, a conduta correta é prosseguir com investigação específica para FOP, como o ecocardiograma com teste de microbolhas, antes de considerar outras etiologias como neuroinfecções ou vasculites.
A alternativa C também está incorreta ao afirmar que a paciente possui etiologia criptogênica e não necessita de maiores investigações. O termo "criptogênico" (ou indeterminado) é um diagnóstico de exclusão, aplicado somente após investigação etiológica completa e negativa. No caso, a presença de TEP bilateral é um forte indício de embolia paradoxal, e a investigação não pode ser interrompida prematuramente.
A alternativa A sugere etiologia cardioembólica "dado o eletrocardiograma apresentado", mas o enunciado não fornece dados do ECG, e o ETT sem alterações não confirma fonte cardioembólica. A alternativa B sugere etiologia ateroembólica de grandes vasos, mas a angiotomografia de crânio não evidenciou lesões vasculares em carótidas ou SNC, o que torna essa hipótese improvável.
Portanto, a alternativa E é a mais adequada: diante de um AVC isquêmico sem causa definida, associado a TEP, a realização de ecocardiograma com teste de microbolhas é o próximo passo lógico para investigar FOP e embolia paradoxal.
AVC isquêmico — investigação etiológica
1Critérios TOAST
Cardioembólico
Aterotrombótico
Lacunar
Outras etiologias
Indeterminado (criptogênico)
2Caso: TEP + AVC sem fonte cardioembólica
Suspeita: embolia paradoxal
FOP (forame oval patente)
ETT tem baixa sensibilidade
ETT normal não exclui FOP
Ecocardiograma com microbolhas
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a causa do AVC é cardioembólica, com base no eletrocardiograma e exames de imagem. O enunciado não fornece dados do ECG, e o ecocardiograma transtorácico sem alterações não evidencia fonte cardioembólica (como trombo intracavitário, valvopatia ou fibrilação atrial). A presença de TEP bilateral sugere embolia paradoxal, mas isso não configura diretamente etiologia cardioembólica clássica — a fonte do êmbolo é venosa, não cardíaca. A alternativa é precipitada e não se sustenta com os dados apresentados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere etiologia ateroembólica de grandes vasos. A angiotomografia de crânio não evidenciou lesões vasculares em sistema nervoso central nem em carótidas, o que afasta estenose aterosclerótica significativa de grandes vasos — critério essencial para o subtipo aterotrombótico pelos critérios TOAST. Além disso, o contexto de TEP bilateral aponta para outra direção etiológica (embolia paradoxal). A alternativa ignora os achados de imagem que excluem doença aterosclerótica de grandes vasos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a paciente possui etiologia criptogênica e não necessita de maiores investigações. O diagnóstico de AVC criptogênico (indeterminado) é de exclusão, aplicado somente após investigação etiológica completa e negativa. No caso, há um forte indício de embolia paradoxal (TEP bilateral + AVC isquêmico sem fonte cardioembólica evidente), e a investigação não pode ser interrompida. A conduta correta é prosseguir com exames específicos, como ecocardiograma com teste de microbolhas, para pesquisar FOP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Comete erro conceitual ao afirmar que o ecocardiograma transtorácico (ETT) sem alterações descarta a presença de forame oval patente (FOP). O ETT tem baixa sensibilidade para detectar FOP, especialmente em adultos, e a ausência de alterações não exclui shunt direito-esquerdo. O método adequado para investigar FOP é o ecocardiograma com teste de microbolhas (ou ETE). A alternativa também sugere investigar neuroinfecções e vasculites, mas isso seria secundário à investigação de FOP, dado o contexto de TEP.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Diante do contexto clínico global — AVC isquêmico occipital, sem lesões vasculares em carótidas/SNC, com TEP bilateral e ETT sem alterações — a hipótese mais provável é embolia paradoxal por forame oval patente (FOP). O ecocardiograma com teste de microbolhas é o exame indicado para investigar a presença de shunt direito-esquerdo, sendo o próximo passo lógico na investigação etiológica. A alternativa está correta ao propor essa conduta prudente e direcionada.