Após três dias, hemoculturas solicitadas na admissão vieram com resultado positivo para pseudomonas. A paciente completou o esquema terapêutico adequado à bactéria e foi de alta hospitalar afebril, com leucócitos e PCR normais, sem queixas clínicas.Após cinco dias da alta hospitalar, ela retornou com sonolência, febre, mal‑estar e dispneia. E foi realizada uma nova radiografia de tórax com infiltrado pulmonar à esquerda, na qual se apontou que a paciente estava sem sinais de abscesso ou derrame pleural. Os exames laboratoriais indicaram aumento de leucócitos e PCR. A equipe hospitalar iniciou meropenem e solicitou novas hemoculturas. Após três dias, ocorreu, novamente, o crescimento de pseudomonas em dois pares, com crescimento, também, nos dois pares coletados no dia posterior. Foi realizado ecocardiograma transtorácico, sem vegetações, e, alguns dias depois, um transesofágico, com apontamento de ausência de vegetações e fundo de olho com retinopatia hipertensiva. Tomografia de tórax, abdômen e pelve com contraste e sem achado de coleções.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
AEstá descartada a hipótese de infecção primária de corrente sanguínea, pois, possivelmente, trata‑se de nova infecção pulmonar por pseudomonas com bacteremia.
BO exame que poderia fechar o diagnóstico seria um PET‑CT.
CProvavelmente, o paciente possui colonização por pseudomonas em orofaringe.
DPode‑se terminar o tratamento com 14 dias de antibioticoterapia guiada por culturas e dar alta para o paciente.
EApós o tratamento inicial, deve‑se realizar antibioticoterapia prolongada domiciliar para a descolonização.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — O exame que poderia fechar o diagnóstico seria um PET‑CT.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Bacteremia por Pseudomonas: infecção primária de corrente sanguínea versus foco pulmonar
Gabarito: letra B. O PET-CT é o exame que poderia fechar o diagnóstico, pois, diante de bacteremia persistente por Pseudomonas sem foco identificado (ecocardiogramas sem vegetações, tomografias sem coleções), a hipótese mais provável é a de infecção primária de corrente sanguínea (IPCS) — e o PET-CT é a ferramenta capaz de detectar focos ocultos, como endocardite de dispositivo ou infecção óssea, que os exames convencionais não revelaram. A alternativa B é a única que aponta corretamente o exame com potencial diagnóstico nesse cenário.
A questão aborda um dilema clínico frequente: bacteremia persistente por Pseudomonas aeruginosa sem foco aparente. A paciente teve uma primeira internação por pneumonia por Pseudomonas, tratada adequadamente, com alta afebril e exames normais. Cinco dias após a alta, retorna com sintomas sistêmicos, novo infiltrado pulmonar à esquerda, leucocitose e PCR elevados, e as hemoculturas novamente positivas para Pseudomonas em múltiplos pares. A equipe investigou endocardite (ecocardiograma transtorácico e transesofágico, ambos sem vegetações), coleções abdominais/torácicas (tomografia sem achados) e retinopatia hipertensiva (fundo de olho). Nenhum foco foi identificado.
Aqui está o ponto central: a bacteremia por Pseudomonas pode ser primária (sem foco identificável) ou secundária (a partir de um foco, como pneumonia, infecção urinária, cateter, etc.). A paciente teve pneumonia por Pseudomonas na primeira internação, mas foi tratada e teve alta com melhora clínica e laboratorial. O novo episódio, com bacteremia persistente e um infiltrado pulmonar novo, levanta a questão: seria uma nova pneumonia com bacteremia secundária, ou uma bacteremia primária que, por si só, pode causar infiltrados pulmonares (por exemplo, por embolia séptica ou por resposta inflamatória)?
A alternativa A afirma que está descartada a hipótese de infecção primária de corrente sanguínea, pois seria uma nova infecção pulmonar com bacteremia. Isso é incorreto porque a bacteremia primária é uma hipótese plausível e, na verdade, a mais provável, dado que não se identificou um foco claro. O infiltrado pulmonar pode ser consequência da bacteremia (ex.: embolia séptica) e não a causa. A alternativa B, correta, sugere o PET-CT como exame que poderia fechar o diagnóstico, pois é capaz de identificar focos ocultos de infecção (como endocardite de dispositivo, osteomielite, abscessos profundos) que os exames convencionais não detectaram.
A alternativa C, sobre colonização de orofaringe, é irrelevante para o quadro de bacteremia persistente — colonização não explica bacteremia com comprometimento sistêmico. A alternativa D, de tratar por 14 dias e dar alta, é precipitada, pois a bacteremia por Pseudomonas sem foco controlado exige investigação e tratamento mais prolongado, geralmente 7 a 14 dias após a primeira hemocultura negativa, e não se pode encerrar o caso sem definir o foco. A alternativa E, de antibioticoterapia prolongada domiciliar para descolonização, é um conceito errado: não existe descolonização para Pseudomonas e o tratamento prolongado domiciliar não é indicado nesse contexto.
A pegadinha da banca está em fazer o candidato acreditar que, por ter havido pneumonia prévia, a bacteremia atual é necessariamente secundária a uma nova pneumonia. Na prática clínica, a bacteremia primária é um diagnóstico de exclusão, e o PET-CT é uma ferramenta valiosa para encontrar focos ocultos. Guarde essa lógica: bacteremia persistente + investigação negativa = pensar em IPCS e considerar PET-CT.
1Hemoculturas positivas
2Ecocardiogramas sem vegetações
3Tomografias sem coleções
4PET-CT para focos ocultos
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que está descartada a hipótese de infecção primária de corrente sanguínea. Errado: a IPCS é uma hipótese provável justamente porque não se encontrou foco. O infiltrado pulmonar pode ser secundário à bacteremia (embolia séptica) e não a causa. A banca tenta induzir o candidato a achar que a pneumonia prévia explica tudo, mas a persistência da bacteremia sem foco aponta para IPCS.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O PET-CT é o exame que poderia fechar o diagnóstico, pois é capaz de identificar focos ocultos de infecção (endocardite de dispositivo, osteomielite, abscessos profundos) que os exames convencionais (ecocardiogramas, tomografias) não revelaram. Diante de bacteremia persistente por Pseudomonas sem foco aparente, o PET-CT é uma ferramenta diagnóstica útil para localizar o sítio da infecção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A colonização de orofaringe por Pseudomonas é um conceito que não explica bacteremia com comprometimento sistêmico. Colonização não é infecção e não justifica o quadro clínico apresentado. A banca tenta confundir com um termo plausível, mas sem relevância para o caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Terminar o tratamento com 14 dias de antibioticoterapia guiada por culturas e dar alta é precipitado. A bacteremia por Pseudomonas sem foco controlado exige investigação completa e tratamento mais prolongado (geralmente 7 a 14 dias após a primeira hemocultura negativa). Encerrar o caso sem definir o foco é conduta inadequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não existe descolonização para Pseudomonas e antibioticoterapia prolongada domiciliar não é indicada nesse contexto. A banca tenta confundir com conceitos de descolonização usados para outras bactérias (como MRSA), mas isso não se aplica a Pseudomonas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você acreditar que a pneumonia prévia explica a bacteremia atual, descartando a IPCS. Na prática, bacteremia persistente + investigação negativa = pensar em IPCS e considerar PET-CT. Não caia na armadilha de achar que o infiltrado pulmonar é sempre a causa — ele pode ser consequência.
PEGA ESSA DICA!
Em casos de bacteremia por Pseudomonas sem foco aparente, lembre-se da sequência: ecocardiograma (para endocardite), tomografias (para coleções) e, se negativos, PET-CT (para focos ocultos). Essa é a lógica que a banca cobra.