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Questão de Medicina — Pneumologia — Quadrix 2024

MedicinaPneumologia
Código
qg355757
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades: Endoscopia / Nutrologia
Um homem de 57 anos de idade, tabagista com 35 anos/maço, apresentou quadro de dispneia durante realização de esforços, com evolução progressiva nos últimos meses. A tomografia computadorizada de tórax está disponibilizada a seguirImagem associada para resolução da questãoCom base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico, o resultado da espirometria e do exame físico, respectivamente,
  1. ADPOC, murmúrios vesiculares diminuídos globalmente e VEF1/CVF < 70
  2. BDPOC, murmúrios vesiculares diminuídos globalmente e VEF1/CVF > 70
  3. Cfibrose pulmonar idiopática, estertores crepitantes no final da inspiração e VEF1/CVF> 70
  4. Dfibrose pulmonar idiopática, estertores crepitantes no final da inspiração e VEF1/CVF<70
  5. EDPOC, estertores crepitantes no final da inspiração e VEF1/CVF < 70
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GabaritoC — fibrose pulmonar idiopática, estertores crepitantes no final da inspiração e VEF1/CVF> 70

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fibrose Pulmonar Idiopática: Diagnóstico, Espirometria e Exame Físico

Gabarito: letra C. O paciente tabagista com dispneia progressiva aos esforços e TC de tórax compatível com padrão de fibrose pulmonar idiopática (FPI) apresenta, na espirometria, padrão restritivo com VEF1/CVF > 70 (relação preservada ou aumentada) e, no exame físico, estertores crepitantes no final da inspiração — achado clássico da doença intersticial pulmonar. A alternativa C é a única que combina corretamente os três elementos: diagnóstico de FPI, estertores crepitantes e relação VEF1/CVF > 70.

A fibrose pulmonar idiopática é uma forma específica de pneumonia intersticial fibrosante crônica e progressiva, de causa desconhecida, que acomete predominantemente homens idosos tabagistas ou ex-tabagistas. O quadro clínico típico é de dispneia aos esforços de evolução insidiosa e progressiva, tosse seca e, ao exame físico, estertores crepitantes finos em velcro nas bases pulmonares, que ocorrem no final da inspiração. O baqueteamento digital (hipocratismo) está presente em 25% a 50% dos casos. Na tomografia de alta resolução, o padrão usual é de pneumonia intersticial usual (PIU), caracterizada por reticulação com predomínio basal e subpleural, bronquiectasias de tração e favo de mel — achado que, na imagem da questão, direciona o diagnóstico para FPI.

Na espirometria, a FPI cursa com padrão restritivo: a capacidade vital forçada (CVF) está reduzida, mas a relação VEF1/CVF é normal ou aumentada (> 0,70), pois tanto o VEF1 quanto a CVF caem proporcionalmente (ou a CVF cai mais, elevando a razão). Isso contrasta com a DPOC, que é uma doença obstrutiva e apresenta VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador, com redução desproporcional do VEF1 em relação à CVF. O diagnóstico de DPOC exige obstrução ao fluxo aéreo confirmada pela espirometria, além de sintomas respiratórios crônicos e exposição a fatores de risco, como o tabagismo.

A distinção entre DPOC e FPI é um dos pontos mais cobrados em pneumologia, e a banca explora exatamente a confusão entre o padrão obstrutivo e o restritivo. Enquanto a DPOC apresenta hiperinsuflação, tórax em barril, murmúrios vesiculares diminuídos e sibilos, a FPI apresenta estertores crepitantes e, na espirometria, relação VEF1/CVF preservada. O tabagismo é fator de risco para ambas, mas a TC de tórax com favo de mel e reticulação basal é praticamente diagnóstica de FPI.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a associar o tabagismo e a dispneia progressiva à DPOC, mas a imagem de TC com padrão de fibrose (favo de mel, reticulação basal) e o exame físico com estertores crepitantes apontam para FPI. Além disso, inverte o resultado da espirometria: na FPI a relação VEF1/CVF é > 70 (padrão restritivo), não < 70 como na DPOC. Fique atento: o tabagismo não exclui FPI — pelo contrário, é um fator de risco importante.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que o diagnóstico é DPOC. Embora o paciente seja tabagista e tenha dispneia progressiva, a TC de tórax com padrão de fibrose (favo de mel, reticulação basal) e o exame físico com estertores crepitantes são típicos de FPI, não de DPOC. Na DPOC, o exame físico costuma mostrar murmúrios vesiculares diminuídos globalmente, mas a imagem não apresenta fibrose.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Também erra ao diagnosticar DPOC. Além disso, a relação VEF1/CVF > 70 é incompatível com DPOC, que exige obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 70 pós-broncodilatador). A combinação de diagnóstico errado e espirometria incompatível torna a alternativa duplamente incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque associa o diagnóstico de fibrose pulmonar idiopática aos achados típicos: estertores crepitantes no final da inspiração (exame físico) e relação VEF1/CVF > 70 (espirometria com padrão restritivo). A TC de tórax com padrão de PIU/favo de mel confirma o diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao afirmar que a relação VEF1/CVF é < 70 na FPI. Na doença intersticial pulmonar, o padrão é restritivo, com relação VEF1/CVF normal ou aumentada (> 70). A redução da relação é característica de doenças obstrutivas, como DPOC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao combinar DPOC com estertores crepitantes no final da inspiração. Os estertores crepitantes são típicos de doenças intersticiais (FPI), não de DPOC, que cursa com murmúrios vesiculares diminuídos e sibilos. Além disso, a relação VEF1/CVF < 70 é compatível com DPOC, mas o diagnóstico e o exame físico estão trocados.

Gabarito: letra C

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