Questão de Medicina — Angiologia — Quadrix 2024
- Código
- qg355762
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- SES - SP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residente Médico - Especialidades: Endoscopia / Nutrologia
- Aentre 1% e 10%
- Bentre 10% e 20 %
- Centre 30% e 50%
- D50%
- E100%
GabaritoB — entre 10% e 20 %
Gabarito: letra B. O risco de ruptura de um aneurisma de aorta abdominal (AAA) de 6,5 cm em 12 meses é de aproximadamente 10% a 20%. Esse valor se baseia na relação exponencial entre o diâmetro do aneurisma e o risco de ruptura, conforme descrito na literatura médica (Harrison, Medicina Interna).
O aneurisma de aorta abdominal é uma dilatação focal e permanente da aorta, que ocorre mais comumente abaixo das artérias renais. O principal risco associado a essa condição é a ruptura, que resulta em hemorragia interna maciça e alta mortalidade. A história natural do AAA é de expansão progressiva, com risco de ruptura diretamente proporcional ao diâmetro. A taxa de crescimento média é de 1 a 4 mm por ano, mas pode ser acelerada por fatores como tabagismo, hipertensão não controlada e, como no caso da paciente, imunossupressão pós-transplante.
A relação entre o diâmetro e o risco de ruptura é bem estabelecida. Para aneurismas com diâmetro entre 3,5 e 4,9 cm, o risco de ruptura é de aproximadamente 1% ao ano. Para aneurismas maiores que 5 cm, o risco aumenta para cerca de 5% ao ano. No entanto, a partir de 5,5 cm, o risco cresce de forma exponencial, e para aneurismas com 6 cm ou mais, o risco anual de ruptura é de aproximadamente 10% a 20%. A paciente em questão apresenta um AAA de 6,5 cm, o que a coloca nessa faixa de alto risco. Além disso, a presença de aumento rápido do trombo intraluminal e aumento da rigidez da parede são sinais de instabilidade do aneurisma, o que pode elevar ainda mais o risco de ruptura.
É importante destacar que a paciente é assintomática, o que não exclui o risco de ruptura. A maioria dos AAAs é assintomática até o momento da ruptura, e a presença de sintomas (dor abdominal, dor lombar) indica um risco iminente de ruptura, exigindo intervenção cirúrgica de urgência. No caso de um AAA de 6,5 cm, mesmo assintomático, a indicação de reparo eletivo é clara, pois o risco de ruptura supera o risco cirúrgico.
A banca explora a dificuldade do candidato em memorizar os valores exatos de risco de ruptura para diferentes diâmetros de AAA. A pegadinha está em oferecer faixas de risco que correspondem a outros diâmetros ou a outras condições, como o risco de mortalidade da hemorragia subaracnóidea (HSA) por aneurisma cerebral, que é de 50%. É fundamental distinguir o risco de ruptura do AAA do risco de mortalidade da HSA, pois são valores distintos e frequentemente confundidos.
Guarde a relação entre o diâmetro do AAA e o risco anual de ruptura: é exatamente nessa progressão que as alternativas se dividem. A alternativa correta deve refletir o risco para um aneurisma de 6,5 cm, que é de 10% a 20% ao ano.
O risco de 1% a 10% ao ano corresponde a aneurismas de menor diâmetro, entre 3,5 e 4,9 cm (1% ao ano) e entre 5,0 e 5,9 cm (3% a 5% ao ano). Para um aneurisma de 6,5 cm, o risco é maior, pois a curva de risco é exponencial a partir de 5,5 cm. A banca oferece essa faixa para confundir o candidato que não memorizou os valores exatos.
Para aneurismas de aorta abdominal com diâmetro igual ou superior a 6 cm, o risco de ruptura em 12 meses é de aproximadamente 10% a 20%. Esse valor é consistente com a literatura médica, que demonstra um aumento exponencial do risco de ruptura com o diâmetro do aneurisma. A paciente, com AAA de 6,5 cm, enquadra-se nessa faixa de risco, especialmente considerando os fatores de risco adicionais (tabagismo, hipertensão e imunossupressão).
O risco de 30% a 50% ao ano é superestimado para um AAA de 6,5 cm. Essa faixa de valores é mais compatível com o risco de mortalidade ou de sequelas graves após a ruptura de um aneurisma cerebral (hemorragia subaracnóidea), que é de 30% a 50%. A banca troca o risco de ruptura do AAA pelo risco de complicações da HSA, uma armadilha clássica.
O risco de 50% ao ano não é o risco de ruptura de um AAA de 6,5 cm. Esse valor é frequentemente associado à mortalidade geral da hemorragia subaracnóidea por aneurisma cerebral, que é de aproximadamente 50%. A banca explora a confusão entre o risco de ruptura do aneurisma da aorta e a mortalidade da HSA.
O risco de 100% de ruptura em 12 meses é incorreto, pois mesmo aneurismas de grande diâmetro não apresentam risco absoluto de ruptura em um ano. Esse valor não corresponde a nenhuma faixa de risco estabelecida na literatura para AAA. A alternativa é um distrator extremo, que não se sustenta clinicamente.
A banca adora trocar o risco de ruptura do aneurisma de aorta abdominal pelo risco de mortalidade da hemorragia subaracnóidea (HSA) por aneurisma cerebral. Enquanto o risco de ruptura do AAA de 6,5 cm é de 10% a 20% ao ano, a mortalidade da HSA é de cerca de 50%. Fique atento: a questão fala de aorta abdominal, não de aneurisma cerebral. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.
Para fixar os valores, monte uma tabela mental com os diâmetros e os riscos anuais de ruptura: < 4,9 cm → 1% ao ano; 5,0–5,9 cm → 3% a 5% ao ano; ≥ 6,0 cm → 10% a 20% ao ano. Essa progressão exponencial é a chave para resolver questões sobre AAA.
Gabarito: letra B
Link permanente: /questoes/qg355762