Paciente de 23 anos de idade deu entrada no hospital com quadro clínico de torção de cisto ovariano esquerdo aguda. À videolaparoscopia, notava‑se torção de cisto ovariano esquerdo de 6 cm com isquemia importante e coloração arroxeada.Com base nessa situação hipotética, a conduta deve ser
Anão distorcer o anexo pelo risco de embolia. Deve‑se proceder à anexectomia.
Btratar o cisto ainda torcido com retirada da cápsula e, só depois, distorcer o anexo.
Cpuncionar o cisto ainda torcido até esvaziá‑lo e, depois, distorcê‑lo.
Das torções são mais frequentes nos tumores malignos de ovário e, portanto, nunca se deve distorcê‑los sem fazer uma biópsia de congelação.
Edistorcer o cisto e aguardar. Caso ele recupere a coloração normal, dever‑se‑á tratar o cisto da forma habitual.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — distorcer o cisto e aguardar. Caso ele recupere a coloração normal, dever‑se‑á tratar o cisto da forma habitual.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Torção de Anexo Ovariano: Conduta Cirúrgica
Gabarito: letra E. Na torção de cisto ovariano com aspecto isquêmico, a conduta recomendada é destorcer o anexo e avaliar a recuperação da coloração; se houver reperfusão, procede-se ao tratamento conservador do cisto pela via habitual. A conduta moderna abandonou a anexectomia profilática por medo de embolia, pois a destorção seguida de observação é segura e preserva a função ovariana, especialmente em mulheres jovens.
A torção de anexo é uma emergência ginecológica que ocorre quando o ovário e/ou a tuba uterina giram sobre seu pedículo vascular, comprometendo o fluxo sanguíneo. O quadro clínico clássico é de dor pélvica aguda e intensa, frequentemente associada a náuseas e vômitos, e o diagnóstico é confirmado por imagem (ultrassonografia com Doppler) ou diretamente na videolaparoscopia. O ovário torcido apresenta-se aumentado, congesto e com coloração arroxeada ou enegrecida, refletindo a isquemia venosa e, posteriormente, arterial.
Historicamente, acreditava-se que a destorção do anexo isquêmico poderia liberar êmbolos para a circulação sistêmica, causando tromboembolismo pulmonar. Por isso, a conduta clássica era a anexectomia (retirada do ovário e da tuba) sem tentar a destorção. No entanto, essa teoria foi refutada por estudos e pela prática clínica: a incidência de embolia após destorção é extremamente baixa, e a preservação ovariana tornou-se o objetivo principal, sobretudo em pacientes jovens em idade reprodutiva. A literatura atual é consensual em recomendar a destorção do anexo como primeiro passo, seguida de avaliação da viabilidade tecidual.
Na prática, o procedimento consiste em destorcer manualmente o pedículo, desfazendo as voltas, e aguardar alguns minutos para observar se a coloração do ovário retorna ao normal (rosado). Se houver recuperação da perfusão, o cisto deve ser tratado de forma conservadora, geralmente por cistectomia (retirada apenas da cápsula do cisto, preservando o parênquima ovariano saudável). A anexectomia fica reservada para casos em que o ovário permanece francamente necrótico mesmo após a destorção, ou quando há suspeita de malignidade. Essa abordagem preserva a função hormonal e a fertilidade, o que é crucial em uma paciente de 23 anos.
A banca explora aqui um ponto de atualização de conduta: o candidato que memorizou a conduta antiga (anexectomia imediata por medo de embolia) erra a questão. A pegadinha está em associar a coloração arroxeada à necrose irreversível, quando na verdade a isquemia inicial é reversível na maioria dos casos. O critério decisivo é a recuperação da coloração após a destorção, não o aspecto inicial do ovário.
1Destorcer o anexo
2Aguardar reperfusão
3Avaliar coloração
4Tratar o cisto (cistectomia)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não se deve destorcer o anexo pelo risco de embolia, indicando anexectomia. Esse é exatamente o conceito superado pela literatura atual. A embolia após destorção é um evento raríssimo, e o benefício de preservar o ovário supera em muito o risco teórico. A conduta correta é sempre tentar a destorção antes de qualquer ressecção.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Propõe tratar o cisto ainda torcido, retirando a cápsula antes de destorcer. Isso é tecnicamente inadequado e perigoso: manipular o cisto torcido aumenta o risco de ruptura e de lesão vascular, além de não resolver a isquemia. A sequência correta é primeiro destorcer, depois avaliar e tratar o cisto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugere puncionar o cisto ainda torcido para esvaziá-lo e só então destorcê-lo. A punção prévia não é recomendada, pois pode causar extravasamento de conteúdo cístico (risco de peritonite química se for cisto dermoide) e não trata a causa da isquemia. A destorção deve ser o primeiro ato cirúrgico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as torções são mais frequentes em tumores malignos e que nunca se deve destorcer sem biópsia de congelação. Há dois erros: (1) as torções são mais comuns em tumores benignos, especialmente cistos dermoides e cistos funcionais, que são mais móveis; (2) a biópsia de congelação não é obrigatória antes da destorção — ela é considerada quando há suspeita de malignidade, mas a destorção em si não a contraindica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente a conduta recomendada: destorcer o cisto e aguardar a recuperação da coloração. Se o ovário voltar a ficar rosado, o cisto deve ser tratado da forma habitual (cistectomia conservadora). Essa é a abordagem que preserva a função ovariana e é segura, conforme o consenso atual em ginecologia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a mudança de paradigma no manejo da torção de anexo. O candidato que estudou pela literatura antiga — que indicava anexectomia imediata por medo de embolia — cai na alternativa A. O ponto-chave é que a destorção é sempre a primeira conduta, e a decisão de ressecar ou preservar depende da recuperação da coloração, não do aspecto inicial. Memorize: destorce → observa → decide.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de torção de anexo, lembre-se da sequência lógica: destorcer → avaliar viabilidade → tratar cisto. A anexectomia só entra se houver necrose irreversível ou suspeita de malignidade. Essa lógica vale para qualquer paciente, mas é ainda mais crítica em mulheres jovens, onde a preservação da fertilidade é prioridade.