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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg355790
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades: Endoscopia Ginecológica / Medicina Fetal
Assim como a endometriose, a adenomiose continua sendo um desafio quanto à etiopatogenia, ao diagnóstico, à classificação e ao tratamento. Em relação a essa afecção, é correto afirmar que
  1. Asua incidência em mulheres abaixo de 40 anos de idade é quase inexistente. É uma doença da quarta e da quinta década de vida e apanágio de multíparas.
  2. Bo diagnóstico definitivo, atualmente, é feito pela histeroscopia pela presença de orifícios em todas as paredes da cavidade uterina.
  3. Ca parede uterina mais atingida é a posterior. Apesar disso, geralmente o útero é afetado de maneira difusa e irregular.
  4. Dnão pode ser tratada com análogos do GnRH pelo risco de necrose nas paredes do útero, ao contrário da endometriose.
  5. Eé classificada em superficial, quando, a partir do endométrio, atinge até 50% do miométrio.
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GabaritoC — a parede uterina mais atingida é a posterior. Apesar disso, geralmente o útero é afetado de maneira difusa e irregular.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Adenomiose: aspectos clínicos e diagnósticos

Gabarito: letra C. A adenomiose é uma doença ginecológica benigna caracterizada pela presença de tecido endometrial (glândulas e estroma) no interior do miométrio, sendo a parede uterina posterior a mais frequentemente acometida, embora o comprometimento difuso e irregular do útero seja a apresentação mais comum. Essa é a afirmação correta, conforme o conhecimento consolidado em ginecologia e obstetrícia.

A adenomiose é uma condição que, assim como a endometriose, representa um desafio diagnóstico e terapêutico. Para compreendê-la, é essencial diferenciá-la da endometriose: enquanto esta se caracteriza pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina (ovários, peritônio, ligamentos, etc.), a adenomiose é definida pela presença desse tecido dentro da parede muscular do útero, o miométrio. Essa distinção anatômica é a chave para entender as manifestações clínicas, os métodos diagnósticos e as opções de tratamento de cada uma.

A doença acomete predominantemente mulheres em idade reprodutiva, sendo mais comum na faixa dos 40 a 50 anos, mas não é exclusiva dessa faixa etária, podendo ocorrer em mulheres mais jovens. Acredita-se que a invasão do endométrio basal no miométrio, favorecida por fatores como multiparidade e procedimentos uterinos prévios, esteja envolvida na sua patogênese. Clinicamente, manifesta-se por sangramento uterino anormal (geralmente menorragia), dismenorreia e dor pélvica, podendo também estar associada à infertilidade.

O diagnóstico é fundamentalmente por imagem, sendo a ressonância magnética (RM) o método mais acurado, capaz de demonstrar o espessamento da zona juncional (junção endométrio-miométrio) e focos de tecido endometrial no miométrio. A ultrassonografia transvaginal, especialmente com técnica aprimorada, também é útil. A histeroscopia, por sua vez, avalia a cavidade endometrial, mas não é o método de escolha para o diagnóstico de adenomiose, pois a doença se localiza no miométrio, e não na cavidade. O diagnóstico definitivo, na prática clínica, é firmado pela associação dos achados de imagem com o quadro clínico, sendo a confirmação histológica (por biópsia) raramente necessária e, muitas vezes, não factível.

O tratamento da adenomiose visa controlar os sintomas e pode incluir desde medidas clínicas, como anti-inflamatórios não esteroidais e terapia hormonal (incluindo os análogos do GnRH, que induzem um estado de hipoestrogenismo e promovem a atrofia do tecido endometrial ectópico), até opções cirúrgicas, como a embolização das artérias uterinas e a histerectomia, esta última considerada o tratamento definitivo para mulheres que não desejam mais preservar a fertilidade. A classificação da adenomiose pode ser feita com base na profundidade de invasão miometrial, mas não há um consenso universal sobre os critérios exatos, sendo a classificação em superficial, intermediária e profunda uma das formas propostas, sem um ponto de corte padronizado como o mencionado em uma das alternativas.

A banca explora, nesta questão, o conhecimento sobre as características clínicas, o diagnóstico e o tratamento da adenomiose, cobrando a distinção entre os métodos diagnósticos e as particularidades da doença. O candidato deve estar atento às armadilhas que invertem conceitos ou apresentam informações incorretas sobre a doença.

Critério

Adenomiose

Endometriose

Localização do tecido endometrial

Dentro do miométrio (parede uterina)

Fora da cavidade uterina (ovários, peritônio, ligamentos)

Parede uterina mais atingida

Posterior (com acometimento difuso e irregular)

Não se aplica (acomete estruturas extrauterinas)

Método diagnóstico de escolha

Ressonância magnética (avalia zona juncional)

Ultrassonografia transvaginal / RM (conforme localização)

Tratamento com análogos do GnRH

Indicado (promove atrofia do tecido ectópico)

Indicado (mesmo mecanismo de ação)

Adenomiose
  • 1Localização
    • Tecido endometrial no miométrio
    • Parede posterior (mais atingida)
    • Comprometimento difuso e irregular
  • 2Diagnóstico
    • Padrão-ouro: ressonância magnética
    • Ultrassonografia transvaginal
    • Histeroscopia (não é o método de escolha)
  • 3Tratamento
    • AINEs
    • Análogos do GnRH
    • Embolização das artérias uterinas
    • Histerectomia (definitivo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que a incidência em mulheres abaixo de 40 anos é quase inexistente e que é uma doença da quarta e quinta década, apanágio de multíparas, é incorreta. Embora a adenomiose seja mais prevalente em mulheres na faixa dos 40-50 anos e em multíparas, ela não é quase inexistente em mulheres mais jovens. A doença pode ocorrer em mulheres abaixo de 40 anos, inclusive em nulíparas, e o termo "apanágio" (privilégio exclusivo) é excludente demais. A banca exagera a associação com idade e paridade para tornar a alternativa falsa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A afirmação de que o diagnóstico definitivo é feito pela histeroscopia pela presença de orifícios em todas as paredes da cavidade uterina é incorreta. A histeroscopia é um método que avalia a cavidade endometrial, e não o miométrio, onde se localiza a adenomiose. Embora possa haver alterações na cavidade em casos de adenomiose, como irregularidades ou orifícios, o diagnóstico definitivo não é feito por esse método. O padrão-ouro para o diagnóstico por imagem é a ressonância magnética, que avalia a espessura e as alterações da zona juncional. A banca troca o método diagnóstico (histeroscopia por RM) e o local da doença (cavidade por miométrio).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação de que a parede uterina mais atingida é a posterior e que, apesar disso, geralmente o útero é afetado de maneira difusa e irregular é correta. A adenomiose, de fato, tem predileção pela parede posterior do útero, mas o comprometimento costuma ser difuso, acometendo o miométrio de forma irregular e não circunscrita. Essa é uma característica clássica da doença, que a diferencia, por exemplo, do leiomioma (mioma), que é uma lesão bem delimitada. A alternativa espelha corretamente o conhecimento sobre a distribuição da doença no útero.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A afirmação de que a adenomiose não pode ser tratada com análogos do GnRH pelo risco de necrose nas paredes do útero, ao contrário da endometriose, é incorreta. Os análogos do GnRH são uma das opções de tratamento tanto para a endometriose quanto para a adenomiose. Eles atuam suprimindo a produção de estrogênio pelos ovários, o que leva à atrofia do tecido endometrial ectópico (tanto fora quanto dentro do miométrio), aliviando os sintomas. Não há risco de necrose uterina associado ao uso desses medicamentos. A banca inventa uma contraindicação que não existe.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmação de que a adenomiose é classificada em superficial quando, a partir do endométrio, atinge até 50% do miométrio é incorreta. Embora existam classificações baseadas na profundidade de invasão miometrial, o ponto de corte de 50% não é um critério padronizado e universalmente aceito. As classificações mais comuns dividem a adenomiose em superficial (atinge o miométrio interno) e profunda (atinge o miométrio externo), mas sem um percentual fixo como o mencionado. A banca apresenta um critério numérico arbitrário para tornar a alternativa falsa.

Gabarito: letra C

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