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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg355795
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades: Endoscopia Ginecológica / Medicina Fetal
Na tentativa de melhorar o diagnóstico, a terapêutica e o prognóstico do câncer da mama, pesquisas genéticas têm se intensificado. As mutações dos genes BRCA 1 e BRCA 2 são as mais estudadas. Com base nessas informações, assinale a alternativa correta, quanto a essas mutações.
  1. AEssas mutações são mais frequentes no carcinoma lobular in situ.
  2. BHomens com mutação no BRCA 1 têm 85% de chance de desenvolver câncer da mama.
  3. CHoje, sabe‑se que essas mutações são diferentes para mama e ovários. Por exemplo, a mutação para ovários situa‑se no braço 22.
  4. DEm pacientes com mutação do BRCA 1, que desenvolvem câncer de mama, 80% dos tumores têm receptores estrogênicos negativos.
  5. EA mais recente mutação descrita, do BRCA 3, tem relação com o carcinoma tubular.
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GabaritoD — Em pacientes com mutação do BRCA 1, que desenvolvem câncer de mama, 80% dos tumores têm receptores estrogênicos negativos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mutações dos genes BRCA1 e BRCA2 no câncer de mama

Gabarito: letra D. Em pacientes com mutação do BRCA1 que desenvolvem câncer de mama, cerca de 80% dos tumores são triplo-negativos, ou seja, não expressam receptores de estrogênio (RE), progesterona (RP) nem HER2 — daí a afirmação de que 80% têm receptores estrogênicos negativos. Essa é uma característica molecular bem estabelecida dos tumores associados ao BRCA1, que os distingue dos tumores esporádicos e dos associados ao BRCA2.

Os genes BRCA1 e BRCA2 são genes supressores de tumor que participam do reparo de quebras de dupla fita do DNA por recombinação homóloga. Quando mutados na linhagem germinativa, conferem predisposição hereditária autossômica dominante ao câncer de mama e de ovário. A compreensão dessas mutações é fundamental na prática oncológica, pois influencia o rastreamento, a profilaxia cirúrgica e a escolha de terapias-alvo, como os inibidores de PARP.

A associação entre BRCA1 e tumores triplo-negativos é um dos achados mais consistentes da genética do câncer de mama. Estudos mostram que a maioria dos carcinomas de mama em portadoras de mutação no BRCA1 é de alto grau, com fenótipo basal-like e ausência de expressão de RE, RP e HER2. Essa característica tem implicações prognósticas e terapêuticas: esses tumores não respondem à hormonioterapia, mas podem ser mais sensíveis à quimioterapia e a agentes que exploram a deficiência de reparo do DNA.

É importante distinguir o perfil molecular dos tumores associados ao BRCA1 daqueles associados ao BRCA2. Enquanto o BRCA1 está fortemente ligado ao fenótipo triplo-negativo, o BRCA2 está mais frequentemente associado a tumores luminais, que expressam receptores hormonais. Essa diferença é um dos critérios que ajudam a direcionar o teste genético e a conduta clínica.

A banca explora justamente essa distinção: o candidato que conhece a associação BRCA1-triplo-negativo acerta a alternativa D, enquanto os demais distratores misturam informações sobre frequência, localização cromossômica e até inventam um gene BRCA3, que não existe na literatura científica.

Mutações BRCA
  • 1BRCA1 (cromossomo 17)
    • Tumores triplo-negativos (RE-, RP-, HER2-)
    • 80% receptores estrogênicos negativos
  • 2BRCA2 (cromossomo 13)
    • Tumores luminais (RE+)
  • 3Genes supressores de tumor
    • Reparo de quebras de dupla fita
    • Predisposição autossômica dominante
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as mutações BRCA são mais frequentes no carcinoma lobular in situ. Na verdade, as mutações BRCA1 e BRCA2 estão associadas principalmente ao carcinoma ductal invasivo e ao carcinoma medular, não ao carcinoma lobular. O carcinoma lobular in situ é uma lesão não invasiva com perfil molecular distinto, geralmente sem relação com mutações germinativas nos genes BRCA.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que homens com mutação no BRCA1 têm 85% de chance de desenvolver câncer de mama. Esse número está incorreto. O risco de câncer de mama em homens portadores de mutação no BRCA1 é significativamente menor, estimado em torno de 1% a 5%. O risco de 85% é frequentemente citado para mulheres portadoras de mutação no BRCA1 ao longo da vida, mas mesmo esse valor é uma estimativa que varia conforme a população estudada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as mutações para ovários situam-se no braço 22. Essa informação é incorreta e não corresponde à localização cromossômica dos genes BRCA. O gene BRCA1 está localizado no cromossomo 17, e o BRCA2 no cromossomo 13. Não há uma mutação específica "para ovários" localizada no braço 22; as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco tanto de câncer de mama quanto de ovário, mas a localização cromossômica é fixa e conhecida.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que, em pacientes com mutação do BRCA1 que desenvolvem câncer de mama, 80% dos tumores têm receptores estrogênicos negativos. Essa é uma característica bem documentada: a maioria dos tumores associados ao BRCA1 é triplo-negativa, ou seja, não expressa receptores de estrogênio, progesterona nem HER2. Essa associação é tão forte que o câncer de mama triplo-negativo em mulheres jovens é um dos critérios para encaminhamento ao aconselhamento genético e teste para BRCA1/BRCA2.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a mais recente mutação descrita, do BRCA3, tem relação com o carcinoma tubular. Não existe um gene BRCA3 reconhecido na literatura científica. Os genes BRCA1 e BRCA2 são os principais genes de suscetibilidade ao câncer de mama hereditário, e o carcinoma tubular não é um subtipo histológico tipicamente associado a mutações germinativas nesses genes. A afirmação é fictícia e não encontra respaldo na genética do câncer de mama.

Gabarito: letra D — a alternativa correta é a que descreve a associação entre mutação no BRCA1 e tumores com receptores estrogênicos negativos, característica central do fenótipo triplo-negativo.

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