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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — Quadrix 2024

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg355796
Banca
Quadrix
Órgão
SES - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Residente Médico - Especialidades: Endoscopia Ginecológica / Medicina Fetal
Um dos locais mais prevalentes de localização da endometriose são os ovários, por vezes, com formação de cistos denominados endometriomas. Com base nessa informação, assinale a alternativa correta.
  1. AAssim como os cistos mucinosos, os endometriomas são mais comuns no ovário direito devido à proximidade com o apêndice cecal.
  2. BQuando os endometriomas medem mais de 4 cm, deve‑se realizar a ooforectomia, pois os resultados com exérese da cápsula e cauterização são muito ruins.
  3. CNão se deve fazer fertilização in vitro com estimulação ovariana e punção ovariana na presença de endometriomas de ovário.
  4. DUma das teorias da gênese do endometriomas é a invaginação do tecido celomático ao redor do ovário no local de implante de células endometrióticas.
  5. ECostumam responder bem aos anticoncepcionais hormonais orais e aos análogos do GnRH.
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GabaritoD — Uma das teorias da gênese do endometriomas é a invaginação do tecido celomático ao redor do ovário no local de implante de células endometrióticas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Endometrioma de ovário: gênese e manejo

Gabarito: letra D. A alternativa correta descreve a teoria da invaginação do tecido celomático (metaplasia celômica) como uma das explicações para a gênese dos endometriomas ovarianos — teoria reconhecida na literatura e no material de apoio, que propõe que células indiferenciadas do peritônio pélvico se diferenciam em tecido endometrial. As demais alternativas contêm erros conceituais ou condutas não recomendadas.

A endometriose é uma doença ginecológica definida pelo desenvolvimento e crescimento de estroma e glândulas endometriais fora da cavidade uterina, resultando em reação inflamatória crônica. Os ovários são uma das localizações mais comuns, e quando o tecido endometrial se implanta e cresce no ovário, pode formar cistos denominados endometriomas — os chamados "cistos de chocolate", pelo conteúdo hemático espesso e escuro. A doença acomete quase exclusivamente mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada em torno de 10%, podendo chegar a 30–60% em mulheres inférteis.

A patogênese da endometriose é multicausal, envolvendo fatores genéticos, imunológicos e disfunção endometrial. As principais teorias são: (1) teoria da implantação — o tecido endometrial, por menstruação retrógrada, acessa a cavidade pélvica pelas tubas e se implanta no peritônio; (2) teoria da metaplasia celômica — células indiferenciadas do peritônio pélvico se diferenciam em tecido endometrial; (3) teoria do transplante direto — explica endometriose em cicatrizes cirúrgicas (episiotomia, cesariana); e (4) disseminação linfática/hematogênica — explica localizações fora da pelve. A alternativa D espelha exatamente a teoria da metaplasia celômica aplicada ao ovário: a invaginação do epitélio celomático (peritônio) que recobre o ovário, no local de implante de células endometrióticas, formaria o cisto.

Na prática clínica, o manejo do endometrioma envolve decisões sobre tratamento clínico (hormonal) e cirúrgico. Endometriomas maiores que 4 cm, sintomáticos ou associados à infertilidade, frequentemente são tratados cirurgicamente com cistectomia (exérese da cápsula), que é a técnica preferida por preservar o tecido ovariano saudável — a ooforectomia é reservada para casos específicos, como suspeita de malignidade ou quando não há viabilidade de preservação. A fertilização in vitro (FIV) pode e deve ser realizada na presença de endometriomas, desde que com avaliação criteriosa — a estimulação ovariana e a punção folicular são possíveis, e a decisão de tratar cirurgicamente antes depende de fatores como tamanho do cisto, sintomas e reserva ovariana. O tratamento clínico com anticoncepcionais hormonais orais e análogos do GnRH é eficaz para controle dos sintomas e da progressão da doença, mas não promove a regressão completa dos endometriomas — eles podem reduzir de tamanho, mas raramente desaparecem, e a resposta é limitada.

A pegadinha central desta questão está em distinguir as teorias de gênese e as condutas corretas. A banca explora a confusão entre a teoria da implantação (menstruação retrógrada) e a teoria da metaplasia celômica (invaginação do peritônio), além de oferecer condutas extremas e incorretas (ooforectomia para todo cisto >4 cm; proibição de FIV) como se fossem padrão. Guarde o mapa: teoria da implantação = menstruação retrógrada; metaplasia celômica = diferenciação do peritônio; transplante direto = cicatrizes; linfática/hematogênica = locais distantes. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que os endometriomas são mais comuns no ovário direito pela proximidade com o apêndice cecal, como os cistos mucinosos. Há dois erros: (1) os endometriomas não têm predileção lateral significativa pelo ovário direito — a lateralidade não é um critério diagnóstico ou epidemiológico relevante; (2) a associação com o apêndice cecal é típica dos cistos mucinosos (que podem ser confundidos com tumores mucinosos de origem apendicular), não dos endometriomas. A proximidade com o apêndice é um fator descrito para cistos mucinosos, não para endometriomas.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Propõe que endometriomas >4 cm devem ser tratados com ooforectomia, pois a exérese da cápsula e cauterização teriam resultados ruins. A conduta correta para endometriomas sintomáticos ou >4 cm é a cistectomia ovariana (exérese da cápsula), que preserva o parênquima ovariano e é a técnica de escolha, com bons resultados. A ooforectomia é reservada para casos específicos (suspeita de malignidade, ausência de viabilidade de preservação ovariana, ou em mulheres que já completaram a família e optam por cirurgia radical). A afirmação de que os resultados da cistectomia são "muito ruins" é falsa — a cistectomia é o padrão-ouro cirúrgico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que não se deve fazer fertilização in vitro (FIV) com estimulação ovariana e punção na presença de endometriomas. Isso é incorreto: a FIV pode e deve ser realizada em mulheres com endometriomas, sendo inclusive uma das principais indicações quando há infertilidade associada. A estimulação ovariana e a punção folicular são possíveis, e a presença de endometrioma não contraindica o procedimento. A decisão de tratar cirurgicamente antes da FIV é individualizada, considerando tamanho do cisto, sintomas e reserva ovariana — mas não há proibição absoluta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente uma das teorias da gênese dos endometriomas: a invaginação do tecido celomático (peritônio) ao redor do ovário, no local de implante de células endometrióticas. Essa é a teoria da metaplasia celômica aplicada ao ovário: o epitélio celomático (peritônio) que reveste o ovário, ao ser invaginado por células endometrióticas implantadas, formaria o cisto. É uma das teorias aceitas para explicar a formação dos endometriomas, complementando a teoria da implantação por menstruação retrógrada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que os endometriomas "costumam responder bem" aos anticoncepcionais hormonais orais e análogos do GnRH. Embora esses medicamentos sejam eficazes para controle dos sintomas (dor, dismenorreia) e para prevenir a progressão da doença, eles não promovem a regressão completa dos endometriomas — os cistos podem reduzir de tamanho, mas raramente desaparecem. A resposta é limitada e o tratamento hormonal é considerado supressivo, não curativo. A alternativa exagera ao afirmar que "respondem bem", dando a entender que há resolução do cisto, o que não é verdade.

Gabarito: letra D — a teoria da invaginação do tecido celomático é uma das explicações aceitas para a gênese dos endometriomas ovarianos.

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