Questão de Português — Sintaxe — Quadrix 2024
- Código
- qg355879
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CAU-AC
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio

- CCerto
- EErrado

GabaritoC — Certo
Gabarito: letra C (Certo). A substituição de “em vez de” por “ao invés de” mantém a correção gramatical e a coerência do texto, pois ambas as expressões são locuções prepositivas que introduzem uma ideia de oposição/alternância — e é exatamente esse o valor semântico exigido no trecho da linha 49. A troca é possível porque, no contexto, “em vez de” está empregado com sentido de “em lugar de” / “em oposição a”, que é justamente o sentido próprio de “ao invés de”.
O enunciado pede que se julgue (Certo/Errado) se a substituição de uma expressão por outra preservaria a correção gramatical e a coerência do texto. Isso exige duas verificações simultâneas:
Correção gramatical: a expressão substituta deve ser gramaticalmente válida na posição em que está (não pode quebrar regência, concordância ou a estrutura sintática).
Coerência/sentido: a expressão substituta deve manter o mesmo valor semântico que a original tinha no contexto — ou seja, não pode inverter, restringir ou ampliar o sentido do trecho.
A banca não pergunta se as expressões são sempre equivalentes; pergunta se, naquele contexto específico, a troca é possível sem prejuízo. É uma questão de semântica contextual, não de regra decorada isolada.
A gramática normativa tradicional estabelece a seguinte diferença:
Expressão | Sentido | Exemplo |
|---|---|---|
Em vez de | “em lugar de”, “no lugar de” (substituição/alternância) | Em vez de estudar, foi jogar. |
Ao invés de | “ao contrário de”, “em oposição a” (ideia de inversão/contraste) | Ao invés de subir, desceu. |
Pela norma tradicional, “ao invés de” só seria usado quando houvesse ideia de contrariedade (um termo oposto ao outro). Já “em vez de” seria mais amplo, servindo para qualquer substituição.
Porém, a norma culta atual (e o uso consagrado pelos principais gramáticos contemporâneos, como Bechara e Celso Cunha) já admite a equivalência entre as duas expressões em contextos de oposição/alternância. Ou seja: quando “em vez de” expressa contraste (e não mera substituição), “ao invés de” pode substituí-la sem prejuízo de sentido.
A questão afirma que a substituição manteria a correção e a coerência. Para julgar, é preciso ver como “em vez de” está empregado no texto. No trecho da linha 49, a expressão introduz uma alternativa em oposição — algo como “faz X em vez de fazer Y”, em que X e Y são opostos ou alternativos. Nesse contexto, o sentido é de contraste/alternância, exatamente o campo semântico de “ao invés de”.
Assim:
Correção gramatical: “ao invés de” é uma locução prepositiva que rege a mesma estrutura que “em vez de” (segue-se um verbo no infinitivo ou um substantivo). Não há quebra de regência nem de concordância.
Coerência: o sentido de oposição/alternância é preservado, pois é esse o valor que a expressão tem no contexto.
Portanto, a substituição é válida — o item está Certo.
A banca explora a distinção tradicional entre “em vez de” (substituição) e “ao invés de” (oposição) para tentar induzir o candidato a marcar Errado. Mas, no contexto da linha 49, “em vez de” tem sentido de oposição/alternância — exatamente o campo de “ao invés de”. Quem decorou a regra antiga sem verificar o contexto cai na armadilha.
Em questões de substituição, nunca decida pela regra isolada — sempre verifique o sentido no contexto. Pergunte: “a expressão substituta mantém o mesmo valor semântico aqui?”. Se sim, a troca é válida.
A questão ensina que “em vez de” e “ao invés de” são equivalentes quando há ideia de oposição/alternância — e é exatamente esse o caso na linha 49. A norma culta atual admite a troca sem prejuízo de correção ou coerência. Gabarito: letra C (Certo).
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