Questão de Português — Regência — Quadrix 2024
- Código
- qg355880
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CAU-AC
- Ano
- 2024
- Nível
- Médio

- CCerto
- EErrado

GabaritoE — Errado
Gabarito: letra E (ERRADO). A afirmação de que o emprego da crase no “a” que segue “incentivar” manteria a coerência e a correção gramatical é falsa, porque, no trecho, o “a” é um pronome oblíquo átono (equivale a “ela”), e não um artigo ou preposição que permita a fusão. Antes de pronome oblíquo átono, a crase é proibida — não há o que fundir. A banca explora a dupla regência do verbo para tentar confundir, mas a presença do pronome elimina qualquer possibilidade de crase.
O enunciado pede um julgamento sobre a estrutura linguística do texto: se a crase no “a” que segue “incentivar” seria gramaticalmente correta e manteria a coerência. Isso é uma questão de regência verbal (o verbo “incentivar” pode ser transitivo direto ou indireto) combinada com crase (a fusão da preposição “a” com o artigo “a”). A banca não pergunta se o verbo admite as duas regências — isso é dado —, mas se, no contexto específico do texto, a crase seria possível. A resposta depende de identificar a classe gramatical do “a” que aparece após o verbo.
No texto-base, na linha 48, o trecho é: “incentivar a”. Para saber se cabe crase, é preciso analisar o que vem depois. Se o “a” for um artigo que acompanha um substantivo feminino, e o verbo exigir preposição “a”, há crase (ex.: “incentivar a participação” → “incentivar à participação”, se o verbo pedir preposição). Mas, se o “a” for um pronome oblíquo átono (equivalente a “ela”), não há artigo, logo não há crase. No texto, o “a” é pronome, pois retoma um termo feminino já mencionado (por exemplo, “a pessoa” ou “a comunidade”). Assim, a forma correta é “incentivar a”, sem crase, e a crase seria um erro.
A regra é clara: crase é a fusão da preposição “a” com o artigo “a” (ou com o “a” inicial de pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela”, “aquilo”). Para haver crase, são necessários dois elementos: um termo que exija a preposição “a” e um termo feminino que aceite o artigo “a”. Quando o complemento é um pronome oblíquo átono (“a”, “as”, “o”, “os”, “lhe”, “lhes”), não há artigo — o pronome já exerce a função de complemento, e a preposição, se existisse, ficaria “a ela”, mas na prática o pronome oblíquo átono não admite preposição (não dizemos “incentivar a ela” com “a” preposição + “ela” pronome; dizemos “incentivá-la”). Portanto, antes de “a” pronome, a crase é proibida.
No caso de “incentivar”, o verbo pode ser:
Transitivo direto: “incentivar alguém” (sem preposição) — ex.: “incentivar os alunos”.
Transitivo indireto: “incentivar a algo” (com preposição “a”) — ex.: “incentivar à leitura”.
Mas, quando o complemento é um pronome oblíquo átono, a regência é sempre direta: “incentivá-la”, “incentivá-lo”. Não há preposição, logo não há crase. A banca tenta fazer o candidato acreditar que, como o verbo admite preposição “a”, a crase seria facultativa — mas isso só valeria se o “a” fosse artigo, o que não ocorre.
A alternativa C afirma que o item está certo, ou seja, que a crase seria correta. Isso é falso. O “a” após “incentivar” é um pronome oblíquo átono, e antes de pronome oblíquo átono a crase é proibida. A banca explora a dupla regência do verbo para induzir ao erro, mas a presença do pronome elimina a possibilidade de crase. O erro é de troca de conceito: confunde a possibilidade de regência indireta com a possibilidade de crase, ignorando a natureza pronominal do termo.
A alternativa E afirma que o item está errado, e é exatamente isso. A crase não pode ser empregada, pois não há fusão de preposição com artigo. O “a” é pronome, e a forma correta é “incentivar a” (sem acento). Portanto, o item está ERRADO.
Ao julgar a possibilidade de crase, identifique primeiro a classe do “a” que segue o verbo: se for pronome oblíquo átono, crase é proibida; se for artigo, verifique se o verbo exige preposição. A dupla regência do verbo só interessa se houver artigo.
Conclusão: a resposta é a letra E (ERRADO). A crase no “a” após “incentivar” seria um erro gramatical, pois o “a” é pronome oblíquo átono, e não artigo. A banca usou a dupla regência do verbo como isca, mas a presença do pronome desfaz a armadilha. Lembre-se: crase antes de pronome oblíquo átono é sempre proibida.
Gabarito: letra E
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