Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2024
Português›Interpretação de Textos
Código
qg355924
Banca
Quadrix
Órgão
CAU-PE
Ano
2024
Nível
Médio
Internet: <www.g1.globo.com> (com adaptações).
Em “O governo federal publica o decreto que regulamenta a chamada Lei Padre Júlio Lancellotti” (linha 1), o presente do indicativo empregado na forma em destaque justifica‑se porque
Ademonstra que o decreto foi publicado ao mesmo tempo que a notícia.
Baponta para o fato de que a Lei foi publicada anteriormente.
Cindica que o fato já não é tão recente quanto a publicação da notícia.
Daproxima o leitor da notícia do fato noticiado, que é a publicação do Decreto.
Ecria a perspectiva de que os fatos vão, sempre, ficando obsoletos com o passar do tempo.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — aproxima o leitor da notícia do fato noticiado, que é a publicação do Decreto.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Presente do indicativo: o efeito de atualidade do fato noticiado
Gabarito: letra D. O presente do indicativo em "publica" não marca simultaneidade com a notícia, nem anterioridade da lei, nem obsolescência — ele aproxima o leitor do fato noticiado, criando a sensação de que a publicação do decreto é atual e relevante no momento da leitura. Essa é a função discursiva clássica do presente noticioso/atualizador, como se lê na própria construção do enunciado: "O governo federal publica o decreto...".
O comando: o que a banca quer
A questão pergunta por que o presente do indicativo foi empregado — ou seja, não pede para identificar o tempo verbal, mas para explicar o efeito de sentido que ele produz no texto. Isso muda tudo: não basta saber que "publica" está no presente; é preciso entender o que esse tempo faz com a informação. Em questões assim, a banca testa se o candidato percebe que o presente pode ir além do valor temporal literal (ação que ocorre agora) e assumir valores discursivos, como o de atualizar o fato para o leitor.
O texto: onde mora a resposta
O trecho-base é uma notícia: "O governo federal publica o decreto que regulamenta a chamada Lei Padre Júlio Lancellotti". Em textos jornalísticos, é comum usar o presente do indicativo para narrar fatos recentes ou em andamento, mesmo que tenham ocorrido no passado próximo. O objetivo é aproximar o leitor do acontecimento, fazendo-o sentir que o fato é atual e relevante. O presente, aqui, não informa o tempo cronológico exato — ele cria um efeito de proximidade entre o leitor e o fato noticiado.
A técnica: o presente noticioso/atualizador
O presente do indicativo tem vários usos: presente habitual ("eu estudo todos os dias"), presente histórico ("em 1500, Cabral chega ao Brasil"), presente futuro ("amanhã eu viajo") e o presente noticioso/atualizador, usado em manchetes e notícias para dar imediatez ao fato. Neste último caso, o verbo no presente faz o leitor sentir que o acontecimento está acontecendo agora, mesmo que tenha ocorrido há horas ou dias. É exatamente isso que ocorre em "publica": o jornalista usa o presente para atualizar o fato e aproximá-lo do leitor.
"O governo federal publica o decreto que regulamenta a chamada Lei Padre Júlio Lancellotti"
O verbo "publica" está no presente do indicativo, mas o fato (a publicação) já ocorreu — o que o presente faz é torná-lo presente para o leitor, criando a sensação de atualidade. A alternativa D capta exatamente esse efeito: "aproxima o leitor da notícia do fato noticiado".
Presente do indicativo
1Valores
Habitual
Histórico
Futuro
Noticioso/atualizador
2Presente noticioso
Aproxima o leitor do fato
Dá imediatez
Não marca simultaneidade
Não indica anterioridade
LEVEL · soulevel.com.br
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o presente "demonstra que o decreto foi publicado ao mesmo tempo que a notícia". Isso é falso: o presente noticioso não indica simultaneidade entre o fato e a notícia — ele apenas aproxima o leitor do fato. O texto não diz que a publicação ocorreu no exato momento da leitura; diz apenas que o governo publica (presente), o que pode ser um fato recente, mas não simultâneo. A banca tenta confundir o efeito de atualidade com simultaneidade temporal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa diz que o presente "aponta para o fato de que a Lei foi publicada anteriormente". O texto fala da publicação do decreto, não da lei. Além disso, o presente do indicativo não "aponta" para anterioridade — ele faz o oposto: atualiza o fato. A banca tenta confundir o leitor ao trocar o referente (decreto por lei) e inverter o efeito temporal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o presente "indica que o fato já não é tão recente quanto a publicação da notícia". Isso é o oposto do efeito do presente noticioso: ele aproxima o fato, fazendo-o parecer mais recente, não menos. A banca inverte o sentido do tempo verbal.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta. O presente do indicativo em "publica" tem a função de aproximar o leitor do fato noticiado, criando a sensação de que a publicação do decreto é atual e relevante. Isso é exatamente o que o presente noticioso faz: ele atualiza o fato para o leitor, tornando-o presente. A alternativa D capta esse efeito com precisão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o presente "cria a perspectiva de que os fatos vão, sempre, ficando obsoletos com o passar do tempo". Isso não está no texto e não é efeito do presente noticioso. O presente atualiza o fato, não o torna obsoleto. A banca tenta confundir com uma ideia genérica sobre o tempo, mas o texto não autoriza essa leitura.
Conclusão
A questão testa o efeito de sentido do presente do indicativo em contexto jornalístico. A alternativa D é a única que capta a função atualizadora do presente noticioso, que aproxima o leitor do fato. As demais alternativas ou contradizem o texto (A, C) ou extrapolam (B, E).
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre tempo verbal, pergunte-se: "qual é o efeito que esse tempo produz no leitor?" — não apenas "qual é o tempo?". O presente noticioso aproxima, o pretérito distancia.