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Questão de Português — Interpretação de Textos — Quadrix 2024

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg356433
Banca
Quadrix
Órgão
CRF-AC
Ano
2024
Nível
Superior

Texto para os itens de 1 a 7.


1 O direito à saúde é um dos direitos mais

relevantes e complexos de que se tem notícia. Sua

definição, inclusive nos tratados internacionais de

4 direitos humanos, ocorre da forma mais ampla possível,

abrangendo desde o direito à assistência até o direito

ao desenvolvimento.

7 O direito à saúde tem duas dimensões: uma

objetiva, que protege o titular contra violações estatais

e particulares (defensiva); e uma prestacional, que

10 compreende a consecução de medidas que garantam

o gozo desse direito, bem como a organização de

instituições, serviços e ações sem os quais não seria

13 possível a fruição de tal direito.

Não é possível analisar o direito fundamental

à saúde sem considerar ambas as suas dimensões,

16 inclusive no que concerne aos casos concretos.

Tendo em vista que se trata de um direito muito

amplo, suas dimensões (defensiva e prestacional) são

19 complementares e interdependentes.

Desse modo, vulnerar o direito social à saúde é

vulnerar o direito à vida e à liberdade. Tais direitos devem

22 abarcar a possibilidade de cura ou de convivência com a

doença, de modo que se permita, em alguma medida, o

exercício da autodeterminação e da consecução de um

25 projeto de vida.

Trata‑se, portanto, de direito extremamente

complexo, assim como o próprio conceito de “saúde”.

28 Ambas as suas dimensões compreendem uma imensa

gama de direitos relacionados à vida e à dignidade

em vários graus de proteção. Conforme afirma Sueli

31 Dallari, doutora em saúde pública: “As limitações aos

comportamentos humanos são postas exatamente para

que todos possam usufruir igualmente as vantagens da

34 vida em sociedade. Assim, para preservar‑se a saúde de

todos, é necessário que ninguém possa impedir a outrem

de procurar seu bem‑estar ou induzi‑lo a adoecer. Essa

37 é a razão das normas jurídicas que obrigam à vacinação,

à notificação, ao tratamento, e mesmo ao isolamento de

certas doenças, à destruição de alimentos deteriorados

40 e, também, ao controle do meio ambiente, das condições

de trabalho, da propaganda enganosa. A garantia de

oferta de cuidados de saúde do mesmo nível a todos

43 que deles necessitam também responde à exigência da

igualdade. É claro que, enquanto direito coletivo, a saúde

depende igualmente do estágio de desenvolvimento

46 do Estado”.


Internet: <dx.doi.org> (com adaptações).

A conjunção “portanto” (linha 26), que inicia trecho em que se apresenta uma ideia conclusiva, poderia ser substituída, mantendo‑se a correção gramatical e o sentido original do texto, por
  1. Aentretanto.
  2. Bporquanto.
  3. Cno entanto.
  4. Dsobretudo.
  5. Epois.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — pois.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de conjunção conclusiva: “portanto” e “pois”

Gabarito: letra E. A conjunção “portanto” (linha 26) é conclusiva e pode ser substituída por “pois”, desde que posposto ao verbo, mantendo o sentido e a correção gramatical. No trecho, “Trata‑se, portanto, de direito extremamente complexo”, a substituição por “Trata‑se, pois, de direito extremamente complexo” preserva a relação de conclusão. As demais alternativas introduzem valores semânticos distintos (adversativo, causal, aditivo), o que alteraria o sentido original.

O comando pede uma substituição que mantenha o sentido original — ou seja, exige que o conectivo escolhido tenha o mesmo valor semântico do original. Não basta ser gramaticalmente correto; é preciso que a relação lógica entre as ideias permaneça. Aqui, o trecho anterior (linhas 19-25) apresenta argumentos sobre a complexidade do direito à saúde, e “portanto” introduz a conclusão desse raciocínio. A banca testa o conhecimento das conjunções coordenativas conclusivas e a posição do “pois” (que, quando conclusivo, vem depois do verbo).

No texto, o autor desenvolve a tese de que o direito à saúde é amplo e complexo, com dimensões complementares. O trecho “Trata‑se, portanto, de direito extremamente complexo” é a síntese conclusiva de toda a argumentação anterior. A conjunção “portanto” sinaliza que o que vem a seguir é uma consequência lógica do que foi dito. Para substituí-la, é preciso um conectivo com o mesmo valor conclusivo.

As conjunções coordenativas classificam-se em aditivas (e, nem), adversativas (mas, porém, contudo, entretanto, no entanto), alternativas (ou, ora...ora), conclusivas (logo, portanto, pois, por conseguinte, assim) e explicativas (porque, porquanto, pois). A posição do “pois” é crucial: antes do verbo é explicativo; depois do verbo é conclusivo. No trecho, “pois” viria após o verbo “trata-se”, mantendo a conclusão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece conectivos com valores semânticos distintos (adversativo, causal, aditivo) para testar se o candidato reconhece a relação de conclusão estabelecida por “portanto”.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um conectivo, verifique se o novo conectivo pertence à mesma classe semântica e, no caso do “pois”, se está na posição correta (após o verbo para conclusão).

1Aditivas
e, nem
2Adversativas
mas, porém, contudo, entretanto, no entanto
3Alternativas
ou, ora...ora
4Conclusivas
logo, portanto, pois, por conseguinte, assim
5Explicativas
porque, porquanto, pois
Conjunções coordenativas
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Conjunções coordenativas: Aditivas (e, nem); Adversativas (mas, porém, contudo, entretanto, no entanto); Alternativas (ou, ora...ora); Conclusivas (logo, portanto, pois, por conseguinte, assim); Explicativas (porque, porquanto, pois)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“Entretanto” é conjunção adversativa (oposição). No trecho, não há oposição entre as ideias; há uma conclusão. Substituir “portanto” por “entretanto” inverteria a relação lógica, tornando o trecho incoerente. Erro: troca de valor semântico (adversativo em vez de conclusivo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

“Porquanto” é conjunção causal/explicativa (indica causa ou explicação). O trecho não expressa causa, mas conclusão. Substituir por “porquanto” alteraria o sentido, pois introduziria uma relação de causa onde há uma consequência lógica. Erro: troca de valor semântico (causal em vez de conclusivo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

“No entanto” é locução conjuntiva adversativa (oposição). Assim como “entretanto”, introduz ideia de contraste, não de conclusão. A substituição quebraria a relação de conclusão estabelecida por “portanto”. Erro: troca de valor semântico (adversativo em vez de conclusivo).

Alternativa D — ❌ Incorreta

“Sobretudo” é advérbio com valor de inclusão/ênfase (principalmente, especialmente). Não é conjunção conclusiva. Substituir “portanto” por “sobretudo” alteraria completamente o sentido, pois não estabeleceria relação de conclusão. Erro: troca de classe gramatical e valor semântico (advérbio em vez de conjunção conclusiva).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“Pois” é conjunção conclusiva quando posposto ao verbo. No trecho, “Trata‑se, pois, de direito extremamente complexo” mantém a relação de conclusão e a correção gramatical. A posição após o verbo é essencial para o valor conclusivo; se viesse antes do verbo, seria explicativo. Correta: mesmo valor semântico e posição adequada.

Conclusão: a substituição de “portanto” por “pois” é válida porque ambos são conjunções conclusivas, desde que “pois” esteja posposto ao verbo. As demais alternativas introduzem valores semânticos distintos, alterando o sentido original. Gabarito: letra E.

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