Questão de Português — Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto — Quadrix 2024
- Código
- qg357166
- Banca
- Quadrix
- Órgão
- CRP-MS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
Poema para a questão.

- CCerto
- EErrado
Poema para a questão.

GabaritoC — Certo
Gabarito: C (Certo). A repetição da palavra “nenhum” em “Nenhum, nenhum curioso” (linha 11) é uma anáfora — figura de sintaxe que consiste na repetição intencional de uma palavra ou expressão no início de versos, frases ou orações — e essa repetição intensifica o sentido de negação absoluta já presente no trecho. A banca não pede que você decore a definição, mas que reconheça o efeito de sentido que a repetição produz no poema.
O enunciado pede que você julgue (Certo/Errado) uma afirmação sobre o texto. Isso é uma questão de interpretação textual com foco em figuras de linguagem — mais especificamente, na anáfora como recurso expressivo. Para resolver, você não precisa apenas identificar a figura; precisa avaliar se a repetição realmente intensifica os sentidos do trecho. A palavra-chave é “intensifica”: a banca quer saber se a repetição de “nenhum” reforça a ideia de negação, e não se é apenas um enfeite.
No poema, a linha 11 traz “Nenhum, nenhum curioso”. A repetição do pronome indefinido “nenhum” não é acidental: ela reforça a negação, criando uma ênfase que uma única ocorrência não teria. É o mesmo mecanismo de “nunca, nunca mais” ou “nada, nada”: a duplicação amplifica o valor semântico da palavra. No contexto do poema, essa ênfase sugere que absolutamente ninguém — nem mesmo um curioso — deve se aproximar ou interferir, o que intensifica o tom de isolamento, mistério ou proibição que o eu lírico estabelece.
Para acertar, você deve:
Identificar a figura: anáfora é a repetição de palavra(s) no início de versos ou frases. Aqui, “Nenhum” se repete no início do verso.
Avaliar o efeito: a repetição não é vazia — ela intensifica o sentido de negação. A palavra “nenhum” já nega; repetida, nega com mais força, como se o eu lírico quisesse eliminar qualquer possibilidade de exceção.
Conferir com o texto: a linha 11 é a prova direta. Não há necessidade de extrapolar: o próprio trecho mostra a repetição e o contexto do poema (que trata de algo que não deve ser observado ou tocado) confirma a ênfase.
Em questões de figuras de linguagem, pergunte-se sempre: “qual o efeito de sentido que esse recurso produz?”. A banca raramente cobra só o nome da figura; ela quer que você perceba como o recurso constrói o significado.
A afirmação está correta. A anáfora em “Nenhum, nenhum curioso” é uma repetição intencional que intensifica o sentido de negação absoluta. O texto autoriza essa leitura: a duplicação do pronome indefinido reforça a ideia de que nenhuma pessoa, nem mesmo um curioso, deve se aproximar. A repetição não é mero ornamento; ela amplifica o valor semântico da negação, tornando-a mais enfática e categórica. Portanto, o item está Certo.
A afirmação de que a anáfora não intensifica os sentidos é falsa. A repetição de “nenhum” tem exatamente a função de reforçar a negação. Se o poeta tivesse escrito apenas “Nenhum curioso”, a negação existiria, mas sem a ênfase que a repetição proporciona. A duplicação cria um efeito de insistência e absolutização — como se o eu lírico quisesse eliminar qualquer brecha para dúvida. O texto, portanto, contradiz a alternativa E.
A questão testa sua capacidade de relacionar o recurso expressivo ao efeito de sentido. A anáfora em “Nenhum, nenhum curioso” não é um acaso: ela intensifica a negação, tornando-a mais forte e categórica. Ao julgar, lembre-se: a repetição em anáfora sempre carrega um propósito expressivo — e aqui esse propósito é a ênfase na negação absoluta.
Gabarito: letra C (Certo).
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