Considere o seguinte trecho do texto-base: "Essa música, minha preferida, remete a tardes com minha mãe, quando eu não entendia nada do que dizia — e ainda assim já a amava." Acerca dos aspectos estilísticos e normativos dessa construção, e considerando os vícios de linguagem clássicos, assinale a alternativa correta
AO trecho apresenta um caso de ambiguidade sintática quanto ao pronome "a" em "já a amava", pois não se distingue se o referente é "a mãe" ou "a música", o que compromete a clareza do enunciado e caracteriza um vício de linguagem
BA expressão "quando eu não entendia nada do que dizia" caracteriza um solecismo de regência, pois o verbo "entender" não pode ser usado com objeto direto de sentido genérico, sendo necessário o uso e preposição para evitar erro gramatical.
CO emprego da locução "ainda assim" constitui um pleonasmo vicioso, pois repete indevidamente a ideia já expressa pelo advérbio "quando", gerando uma redundância sintática condenada pelas gramáticas normativas.
DA forma "essa música, minha preferida" apresenta um desvio de concordância, visto que o uso do demonstrativo "essa" no início e do possessivo "minha" após o substantivo cria um paralelismo falho, caracterizando solecismo de colocação.
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GabaritoA — O trecho apresenta um caso de ambiguidade sintática quanto ao pronome "a" em "já a amava", pois não se distingue se o referente é "a mãe" ou "a música", o que compromete a clareza do enunciado e caracteriza um vício de linguagem
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Ambiguidade no pronome "a"
Gabarito: letra A. O trecho apresenta ambiguidade sintática porque o pronome "a" (objeto direto de "amava") pode se referir tanto a "música" quanto a "mãe", comprometendo a clareza. A alternativa A identifica corretamente esse vício de linguagem.
"quando eu não entendia nada do que dizia — e ainda assim já a amava"
Ambos os antecedentes ("música" e "mãe") são femininos singulares, e a estrutura frasal não desfaz a duplicidade de leitura.
Ambiguidade (anfibologia): Pronome "a" (objeto direto) (Possível referente 1: música, Possível referente 2: mãe); Causa (Ambos os antecedentes: feminino singular, Estrutura frasal não desfaz duplicidade); Consequência (Compromete a clareza, Vício de linguagem)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ambiguidade está no referente do pronome átono "a". Embora o contexto anterior aponte para a música ("não entendia nada do que dizia" — a letra da música), gramaticalmente a mãe também poderia ser o objeto de "amava", pois foi mencionada na mesma oração. Isso configura o vício de linguagem conhecido como ambiguidade ou anfibologia, conforme descrito na alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: generalização indevida.
O verbo "entender" é transitivo direto e pode perfeitamente ter "nada" como objeto direto. "Não entendia nada" é construção corrente e correta. Não há solecismo de regência nem necessidade de preposição. A banca inventou uma regra inexistente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito (confunde pleonasmo com outro recurso).
"Ainda assim" expressa concessão (apesar disso), enquanto "quando" expressa tempo. Não há repetição de ideia. Pleonasmo vicioso ocorre quando se repete desnecessariamente um mesmo sentido (ex.: "subir para cima"), o que não é o caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: troca de conceito (confunde concordância com aposto).
"Essa música, minha preferida" é um aposto explicativo — termo que explica ou especifica o antecedente. Não há desvio de concordância: o demonstrativo "essa" e o possessivo "minha" concordam perfeitamente com "música". Solecismo de colocação seria, por exemplo, um erro na ordem dos pronomes, o que aqui não ocorre.
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.